Uma aposta em equipamentos mais simples
As fabricantes chinesas SDLG e SEM, que pertencem respectivamente à Volvo e Caterpillar, conquistam o mercado com a proposta de carregadeiras mais robustas e com menos eletrônica embarcada
A SDLG, quarta maior fabricante de pás carregadeiras da China, ilustra com precisão o atual acirramento da competição no mercado brasileiro de equipamentos para construção. A fabricante chinesa, controlada pela Volvo Construction Equipment, chegou ao país há pouco mais de um ano e, entre janeiro e julho de 2010, atingiu a marca de 244 unidades comercializadas. Com isso, no primeiro semestre do ano ela conquistou uma participação de 17% no segmento de máquinas com baixo conteúdo eletrônico, que a empresa prefere denominar de Simple Tech.
De acordo com Afrânio Chueire, diretor de negócios da SDLG no Brasil, o objetivo é disputar um perfil de cliente que, até então, não tinha condições de adquirir máquinas novas e transitava apenas no mercado de usados. “Além de oferecermos um produto de qualidade, temos uma extensa rede de distribuidores no território nacional para os serviços de pós-venda e financiamos os equipamentos por meio do banco da própria SDLG. Do total de máquinas vendidas por financiamento, 40% delas foram por meio desse banco”, diz ele.
Somente a Tracbraz, uma das cinco concessionárias da marca no Brasil, comercializou 140 unidades no ano passado. “Até o final deste ano, a expectativa é faturar R$ 50 milhões com a venda de 220 pás carregadeiras”, afirma Antônio Rosa, diretor da distribuidora. Recentemente, a empresa ampliou sua oferta no mercado brasileiro com a introdução dos modelos de carregadeiras LG 918 e LG 936.
Planos ambiciosos
A estratégia de expansão da Tracbraz passa por investimentos de R$ 10 milhões para a abertura de filiais em Serra (ES), São Paulo (SP), Contagem (MG), Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF) e Bebedouro (SP), além da aquisição de equipamentos e ferramentas para assistência técnica aos clientes. “Oferecemos todo o suporte de pós-venda, com um ano de garantia para os equipamentos”, explica Rosa.
Ele ressalta que, como pertence ao grupo Tracbel, a empresa se beneficia de toda a experiência e estrutura da distribuidora para os serviços de peças de reposição e manutenção dos equipamentos. “Este serviço já é oferecido nas unidades das regiões Sudeste, Norte e Central.” Os planos da SDLG são de encerrar 2010 com um total de 430 unidades vendidas no Brasil, aumentando sua participação no mercado para cerca de 19%. Considerando os demais países da América Latina, a SDLG estima comercializar um total de 500 carregadeiras até o fim do ano.
Ciente dos conceitos pré-estabelecidos no mercado em relação à qualidade dos produtos chineses, Antônio Rosa ressalta a trajetória da SDLG para vencer eventuais resistências. “A empresa existe há 38 anos e comercializa 25 mil unidades de pás carregadeiras por ano.” Afrânio Chueire segue a mesma linha de raciocínio e complementa. “Preço e qualidade são coisas completamente diferentes. Nossos equipamentos satisfazem a necessidade do cliente e seu custo mais baixo é consequência do conceito Simple Tech, que não agrega ao equipamento itens que possam encarecê-lo.”
Produto de qualidade
A também chinesa SEM, que pertence à Caterpillar e conta com três distribuidores no Brasil, segue estratégia semelhante, apostando em equipamentos com mecânica robusta e menos conteúdo eletrônico. Alfredo Sarmento, gerente comercial da Soimpex, que atua na distribuição das pás carregadeiras da marca nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, destaca a competitividade dos produtos chineses. “Os equipamentos são de alta qualidade e se caracterizam pela ótima relação custo-benefício.”
Segundo ele, o fato de a marca estar associada à Caterpillar é outro diferencial. Tanto que, após um ano e três meses de atuação no mercado brasileiro, a fabricante conta com cerca de 100 equipamentos vendidos no país sem muitos esforços de divulgação. “Investimos na formação de um estoque de peças de reposição e, em conjunto com a Supertek, que distribui os produtos da SEM na região Sul, trabalhamos para nacionalizar alguns componentes das máquinas, como filtros e os pinos e buchas”, afirma Sarmento.
As pás carregadeiras da SEM são oferecidas no mercado em três modelos, com peso operacional entre 5,3 e 16,7 t e caçamba com capacidade nominal de 0,9 m³ a 4,5 m³. “Já temos clientes operando com esses equipamentos em serviços de terraplenagem, pedreiras e nas mais diversas aplicações”, explica o gerente. Este ano, a empresa espera comercializar cerca de 100 unidades em sua área de atuação.



