“O cliente não compra apenas o equipamento” — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Tecnologia e inovação para
construção e mineração

Assinar newsletter Mais de 42 mil profissionais recebem a newsletter
Início› Exclusivo› Edição 305 ← Voltar à edição
M&T nº 305Julho de 2026 Matéria 10 de 11
Sumário
  1. EditorialManutenção preditiva muda as operações
  2. DigitalizaçãoAs vertentes de uma evolução
  3. RetroescavadeirasMuito mais que potência
  4. InfraestruturaOs desafios de engenharia em obras subterrâneas
  5. MineraçãoControle de desgaste em aplicações severas
  6. MineraçãoA evolução técnica em lubrificantes
  7. LançamentoJCB lança retroescavadeira 3CX Plus no mercado brasileiro
  8. A Era Das MáquinasAscensão e queda de uma empresa 100% nacional
  9. ManutençãoO tratamento de óleos usados ou contaminados
  10. Entrevista – Kelly Rech Pedroni“O cliente não compra apenas o equipamento”
  11. Coluna Do YoshioUm novo interlocutor para antigas questões
  12. Painel24 notas e colunas
Entrevista – Kelly Rech Pedroni

“O cliente não compra apenas o equipamento”

Em entrevista exclusiva, dentre outros assuntos a presidente executiva do Conselho do Grupo KMR comenta a decisão estratégica da empresa de entrar no mercado de Linha Amarela

Exclusivo M&T 14 de julho de 2026 · Edição 305

IMAGENS: GRUPO KMR

Ampliando a atuação no mercado brasileiro de equipamentos, o Grupo KMR anunciou na Intermodal 2026, em abril, o lançamento da nova marca HVR MAC, marcando o ingresso da companhia catarinense no segmento de Linha Amarela.

Em entrevista exclusiva à Revista M&T, a presidente executiva do Conselho do Grupo KMR, Kelly Kristina Martins Rech Pedroni, comenta a decisão estratégica de entrar em um mercado competitivo e continuamente em transformação, mas de forte presença no Brasil, além de acentuar a atuação do Grupo no mercado de movimentação de cargas, especialmente por meio da marca Heli Brasil.

Bacharel em Direito pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali), a executiva acumula mais de 60 cursos nacionais e internacionais nas áreas de negócios, liderança, desenvolvimento humano e executivo, com formação internacional na Nova Zelândia e cursos de negócios pela Kaplan International, em Nova York.

Com mais de 25 anos de experiência no mercado de máquinas, Kelly Rech tem participado ativamente da estruturação, expansão e posicionamento das empresas do Grupo KMR no mercado brasileiro.

Criadora do “Método de Gestão KMR”, a executiva atualmente escreve seu primeiro livro sobre o modelo de gestão, que tem atraído atenção no mundo corporativo.

Por meio especialmente da Heli, seu faro de negócios e visão executiva têm sido reconhecidos por premiações como Top 10 Global Distributor of the Year e Best Performance Award (em 2023 e 2025), além de honrarias recebidas pelo modelo autoral de liderança e gestão.

Segundo ela, “as empresas crescem quando as pessoas também crescem”, traduzindo essa visão em um propósito de criar oportunidades e transformar vidas.

“Aprendi com meus pais o valor do trabalho, da disciplina e da construção feita com verdade”, diz .

“Hoje sigo essa trajetória ao lado da minha própria família, buscando construir não apenas negócios, mas também legado, oportunidades e transformação na vida das pessoas”, afirma Rech, que é cofundadora das empresas Heli Empilhadeiras, Harden Ferramentas e, agora, HVR MAC.

Acompanhe.

  • O que levou à criação da marca HVR MAC?

A criação da HVR MAC faz parte da estratégia de expansão do Grupo KMR para atender setores em crescimento no país. Após consolidarmos a atuação no mercado de movimentação de cargas, especialmente por meio da Heli Brasil, que possui uma das maiores operações nacionais de venda de empilhadeiras, identificamos uma oportunidade de levar para a Linha Amarela o mesmo padrão de atendimento, pós-venda, suporte técnico e proximidade com o cliente que já aplicamos em outros segmentos.

Lançamento da marca HVR MAC mira setores em crescimento no país

  • Quais foram os motivadores em termos de oportunidades?

A decisão está conectada ao DNA de inovação do Grupo KMR e à nossa leitura sobre a demanda crescente de setores essenciais na economia do país. O agronegócio, responsável pela maior fatia do PIB brasileiro, a construção civil, a infraestrutura e a mineração cada vez mais buscam produtividade, mecanização eficiente e disponibilidade operacional. A HVR MAC é uma marca própria, desenvolvida para atender às necessidades do mercado nacional com eficiência.

  • Qual é a estrutura em instalações e equipes para iniciar as atividades da linha?

A HVR MAC começa apoiada na estrutura consolidada do Grupo KMR, com sede em Itajaí (SC), centro logístico com mais de 27 mil m² e capacidade para absorver a expansão da operação. Essa base permite dar suporte à armazenagem, distribuição, atendimento técnico, peças e relacionamento com a rede de vendas e pós-venda. Atualmente, o Grupo KMR conta com 240 colaboradores diretos e gera mais de 800 postos de trabalho indiretos por meio da rede. Essa estrutura é um dos principais diferenciais para iniciar a operação com capilaridade, suporte local e capacidade de atendimento ao cliente desde a primeira fase da marca.

  • Quais regiões serão atendidas no país? Qual é o foco estratégico?

Em uma primeira fase, a HVR MAC terá atuação em regiões estratégicas como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Na nossa visão, são mercados relevantes para os segmentos que buscamos atingir. O foco inicial é crescer com consistência, priorizando regiões onde já existe demanda e onde é possível garantir suporte comercial e técnico a partir de uma rede já estruturada de distribuição. A expansão nacional será gradual, sempre acompanhada da estrutura necessária de venda e pós-venda.

Linha é focada em equipamentos produtivos, manutenção simples, disponibilidade, assistência técnica e previsibilidade operacional, diz Kelly Rech

  • Onde as máquinas são produzidas e qual é seu perfil tecnológico?

As máquinas da HVR MAC são produzidas em centros internacionais que detêm alta tecnologia e expertise na fabricação de equipamentos de Linha Amarela. A estratégia é trabalhar com parceiros industriais homologados, mantendo o controle da marca no Brasil para cobrir desde especificação técnica e posicionamento comercial até operação, atendimento e pós-venda. Os equipamentos têm foco em alta performance, versatilidade, durabilidade, facilidade de manutenção e preços competitivos. O portfólio inclui máquinas com cabines com certificações de segurança, possibilidade de customização de fábrica, opcionais e acessórios, além de configurações premium pensadas para operações de construção, agronegócio, mineração e serviços.

  • Aliás, qual é o diferencial para se destacar em um mercado tão concorrido?

O principal diferencial da HVR MAC é nascer dentro de um grupo que já domina a venda técnica de máquinas, a operação logística e a importância do pós-venda no Brasil. Em Linha Amarela, o cliente não compra apenas o equipamento, mas também disponibilidade, manutenção, assistência técnica e previsibilidade para manter a operação funcionando. Além disso, a marca chega com preços competitivos e um portfólio inicial voltado para minimáquinas versáteis e com alta demanda, bem como uma rede de atendimento apoiada pela estrutura do Grupo. O objetivo é oferecer uma alternativa com boa relação entre custo, produtividade e suporte, especialmente para clientes que precisam de máquinas eficientes, mas não podem dispensar a proximidade no atendimento.

  • Quais são os destaques do portfólio com maior potencial de mercado?

O portfólio inicial inclui 12 modelos voltados ao agronegócio e 7 com foco em construção civil. Nesta primeira fase, a marca trabalha principalmente com minimáquinas, tratores, escavadeiras, retroescavadeiras e carregadeiras, segmentos que têm grande potencial pela versatilidade e aplicação em diferentes tipos de operação. Entre os modelos apresentados estão a escavadeira HVR-ER65, as miniescavadeiras HVR-ME18 e HVR-ME45, a retroescavadeira HVR-RE1700, a carregadeira HVR-CR300 e a minicarregadeira HVR-MC1200. São equipamentos com potencial tanto para pequenas e médias obras quanto para locadoras, produtores rurais, prestadores de serviço e operações que exijam máquinas compactas, produtivas e de fácil manutenção.

Segundo a executiva, o objetivo é comercializar cerca de 1 mil máquinas no 1º ciclo da nova marca

  • Qual é a proposta da empresa em termos de atendimento e pós-venda?

A proposta é tratar o pós-venda como parte central do negócio. Como disse, o Grupo KMR já atua com uma rede de venda e pós-venda estruturada, e essa experiência será aplicada à nova marca para garantir suporte técnico, manutenção, orientação operacional e atendimento próximo aos clientes. A marca trabalhará também com parceiros homologados, padronização técnica e estoque planejado para garantir agilidade. A intenção é reduzir o tempo de máquina parada, que é uma das maiores preocupações do cliente de Linha Amarela, especialmente em construção, mineração, agro e locação.

  • Quais são as perspectivas de desempenho neste segmento?

A projeção é conservadora e focada em crescimento sustentável. Por se tratar de uma marca nova, o objetivo é consolidar a operação com consistência, formar rede, garantir atendimento e construir confiança junto aos clientes. A expectativa é atingir, gradualmente, um volume próximo de 1.000 máquinas comercializadas no 1º ciclo da marca. Mais do que velocidade, queremos escala com base sólida. Como já passou por esse processo em outras divisões, o Grupo KMR sabe que, no mercado de máquinas, o crescimento precisa vir acompanhado de suporte técnico, treinamento da rede e capacidade de atendimento. São gargalos do setor que conhecemos bem e nos especializamos em solucionar.

  • Como avalia o momento do mercado de equipamentos no Brasil?

O mercado brasileiro de equipamentos para construção é competitivo, mas segue com demanda relevante, mesmo em um cenário econômico mais desafiador. A construção civil continua exigindo mecanização, produtividade e redução de custos operacionais, especialmente em um momento em que o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) foi pressionado pelo aumento de custos provocado por fatores externos, como conflitos internacionais, insumos mais caros e impactos na cadeia de abastecimento. Nesse ambiente, a eficiência na operação precisa ser ainda maior. Máquinas que ajudam a reduzir tempo de execução, ampliar produtividade, diminuir paradas e otimizar mão de obra deixam de ser apenas uma decisão de compra e passam a ser um investimento necessário para manter a competitividade das obras. É nesse ponto que a HVR MAC pretende se posicionar, com equipamentos produtivos, manutenção simples, disponibilidade, assistência técnica e previsibilidade operacional.

  • Como enxerga o momento econômico do país e os desafios de ingressar em uma nova área?

As taxas de juros elevadas tornam o ambiente mais seletivo. O crédito fica mais caro, os investimentos são analisados com mais cautela e o cliente passa a exigir ainda mais racionalidade na compra. Para uma nova marca, isso exige disciplina: é preciso entrar com produto adequado, preço competitivo, condições comerciais bem-estruturadas e suporte que reduza o risco percebido pelo comprador. Ao mesmo tempo, os setores atendidos pela Linha Amarela não podem parar. Obras, agronegócio, infraestrutura e mineração dependem de máquinas para ganhar produtividade. O desafio é conquistar confiança em um mercado tradicional, com concorrentes consolidados. Para isso, a HVR MAC aposta na força do Grupo KMR, em sua experiência com máquinas, rede de atendimento de vendas e pós-venda e uma estratégia de expansão gradual, com foco em consistência e relacionamento de longo prazo.


Saiba mais:
HVR MAC:
lp.hvrmac.com/portfolio
Uma publicação Sobratema

A Revista M&T é editada pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos.

Conheça a Sobratema →