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06 de agosto de 2018
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Especial Sobratema 30 Anos

Avanços contra sinistros

Popularizados na última década, os sistemas de monitoramento por telemetria ajudam a proteger os equipamentos com cercas eletrônicas, rastreamento satelital e localização georreferenciada
Por Santelmo Camilo

Já era noite alta, quando o executivo Vanderlei Cristiano foi avisado que um equipamento da sua frota, uma minicarregadeira Bobcat, acabara de ser furtado. O fato aconteceu há quase sete anos, em São Paulo. Na época, os assaltantes não imaginavam que a máquina possuía um avançado sistema de rastreamento que evitaria o prejuízo para Cristiano, que é diretor da Saluter Terraplenagem.

Assim, ele verificou pelo rastreador que a máquina estava rodando na pista e imediatamente acionou a Polícia Militar, deslocando-se até o local. Ao chegar, conseguiu identificar pelo sistema que o equipamento havia sido desligado e estava sendo transportado sobre um caminhão. “Quando informei esse esquema de fuga à polícia, a recomendação foi que eu prestasse queixa na delegacia, pois como a ação já tinha sido cometida os militares não poderiam fazer mais nada”, narra.

Ato contínuo, Cristiano esperou amanhecer e correu para o endereço rastreado, em uma comunidade situada entre São Paulo e Diadema. “Quando cheguei, não consegui encontrar a máquina, mas duas viaturas da Rocam se aproximaram e expliquei o que estava acontecendo, informando a direção do equipamento”, relembra. “Os policiais pediram então para que eu aguardasse no local e, minutos depois, encontraram a máquina e solicitaram que eu fosse até o galpão para identifica-la.”

De acordo com ele, no local havia outros equipamentos roubados, como guinchos, caminhões, chassis, motores e diferenciais. E, ao final, todos os envolvidos no caso foram presos.

Mas o risco é perene. O sinistro ocorrido com o diretor da Saluter tornou-se frequente nas grandes capitais, tanto que diariamente há proprietários de máquinas notificando roubos em grupos de WhatsApp, newsletters, websites e redes sociais.

OCORRÊNCIAS

Embora não exista qualque


Já era noite alta, quando o executivo Vanderlei Cristiano foi avisado que um equipamento da sua frota, uma minicarregadeira Bobcat, acabara de ser furtado. O fato aconteceu há quase sete anos, em São Paulo. Na época, os assaltantes não imaginavam que a máquina possuía um avançado sistema de rastreamento que evitaria o prejuízo para Cristiano, que é diretor da Saluter Terraplenagem.

Com notificações quase diárias, sinistros de máquinas vêm se tornando mais frequentes no país

Assim, ele verificou pelo rastreador que a máquina estava rodando na pista e imediatamente acionou a Polícia Militar, deslocando-se até o local. Ao chegar, conseguiu identificar pelo sistema que o equipamento havia sido desligado e estava sendo transportado sobre um caminhão. “Quando informei esse esquema de fuga à polícia, a recomendação foi que eu prestasse queixa na delegacia, pois como a ação já tinha sido cometida os militares não poderiam fazer mais nada”, narra.

Ato contínuo, Cristiano esperou amanhecer e correu para o endereço rastreado, em uma comunidade situada entre São Paulo e Diadema. “Quando cheguei, não consegui encontrar a máquina, mas duas viaturas da Rocam se aproximaram e expliquei o que estava acontecendo, informando a direção do equipamento”, relembra. “Os policiais pediram então para que eu aguardasse no local e, minutos depois, encontraram a máquina e solicitaram que eu fosse até o galpão para identifica-la.”

De acordo com ele, no local havia outros equipamentos roubados, como guinchos, caminhões, chassis, motores e diferenciais. E, ao final, todos os envolvidos no caso foram presos.

No Brasil, o uso de sistemas satelitais tem permitido encontrar máquinas extraviadas, o que representa um avanço em um país sem levantamentos precisos e abrangentes

Mas o risco é perene. O sinistro ocorrido com o diretor da Saluter tornou-se frequente nas grandes capitais, tanto que diariamente há proprietários de máquinas notificando roubos em grupos de WhatsApp, newsletters, websites e redes sociais.

OCORRÊNCIAS

Embora não exista qualquer estatística oficial sobre a recuperação de equipamentos monitorados, existem dados de seguradoras e empresas de rastreamento que apontam um número expressivo de recuperações nos casos de veículos rastreados por telemetria. E esse foi um avanço importante do setor. Para Silvimar Reis, diretor da TMD Group e vice-presidente da Sobratema, são vários os casos de identificação e recuperação de máquinas e caminhões, especialmente nos grandes centros e conforme a atratividade do ativo. “Por isso, é fundamental implantar cercas eletrônicas para possibilitar maior rapidez na identificação de casos de anormalidade, ou seja, quando os equipamentos saem da rota especificada”, orienta.

Nesse sentido, ele cita a ocorrência de um cliente que teve praticamente 100% de recuperações nos últimos dois anos. “Houve apenas uma ocorrência em que chegamos a tempo de recuperar um cavalo mecânico, mas a carreta que estava acoplada acabou sendo levada”, relata. “A carreta não tinha monitoramento, mas hoje temos opção de controlar o acoplamento, ou seja, caso seja desacoplada do correspondente cavalo saberemos em tempo real e, conciliando com a identificação de ‘fora de rota’, com certeza saberemos que se trata de situação de roubo.”

Já o gerente de serviços da JCB, André Guimarães, observa que o roubo de máquinas é um problema persistente em todo o mundo e, mesmo sem dispor de um levantamento da quantidade de equipamentos recuperados com o uso do sistema LiveLink, há alguns exemplos de máquinas que puderam ser encontradas, como uma ocorrência com três máquinas no Rio de Janeiro. “O cliente ligou para o distribuidor pedindo ajuda e foi informado que ele mesmo poderia rastrear suas máquinas via LiveLink, ensinando como fazer”, conta. “Informado sobre a localização, o cliente então levou a polícia até o local.”

Informações de localização georreferenciada contribuem para reduzir as possibilidades de furto e roubo

Segundo Carlos Nakawaga, engenheiro de serviços da Komatsu Brasil, também há relatos de distribuidores sobre equipamentos recuperados com o suporte das informações de localização georreferenciada. No caso, fornecidas pelo sistema Komtrax. “Embora essa tecnologia não tenha sido projetada com o objetivo de ser um sistema antifurto, a utilização desses recursos em conjunto permite atuar tanto na redução da possibilidade de roubo quanto no aumento da chance de recuperação da máquina, caso o sinistro ocorra”, esclarece.

Contudo, para Cristiano, da Saluter, nem todos os finais foram felizes. Ele conta que já teve diversas máquinas com rastreadores roubadas, sem conseguir recuperá-las, pois os ladrões utilizam uma espécie de interruptor “chupa-cabra”, capaz de cortar o sinal do rastreador dos equipamentos no momento do sinistro.

Por isso, há transportadoras que usam alguns tipos de rastreadores móveis escondidos, em diversos pontos do equipamento, tanto nas carretas-prancha quanto nos equipamentos transportados.

VANTAGENS

O fato é que, enquanto as empresas se previnem contra roubos, as quadrilhas se articulam para roubar. Por isso, a eficácia da telemetria está diretamente relacionada à velocidade de identificação do sinistro, que deve ser próxima do momento da ocorrência.

O uso de cercas eletrônicas, por exemplo, permite identificar desvio de trajeto e cortar rapidamente o combustível, além de serem cada vez mais comuns aparatos como botões de pânico e teclados para comunicação constante com a base operacional, dentre outros. Seja como for, o tempo de resposta tem de ser rápido, para não permitir que se leve a máquina para “zonas de sombra”, cortando assim a comunicação. No caso de roubo, também é necessário considerar risco de sequestro do operador.

Menos mal que a telemetria permite identificar o uso não autorizado e, até mesmo, impedir o funcionamento do motor durante essas ocorrências. Essa identificação pode ocorrer por meio de reconhecimento por biometria, leitura facial, digitação de senhas e uso de cartão RFID, dentre outras.

Dessa forma, impede-se a operação por pessoas não autorizadas, com documentação vencida ou não capacitadas para operar a máquina. “A maior parte dos fabricantes possui sistemas de rastreamento como item padrão, porém o mais importante é que todos os operadores possuam senhas pessoais e as máquinas tenham chips e módulos codificados, que possam ser alterados quando necessário, assim como já acontece em equipamentos da Komatsu, Bobcat e nos novos modelos da Caterpillar”, sugere Cristiano. A propósito, como a Revista M&T reportou na sua edição no 225, a nova linha de escavadeiras hidráulicas da Caterpillar traz modelos equipados com botão de partida que dispensa a chave, além de chaves para controle do tipo jog dial. E isso não tem volta.

Na gestão de frotas, a tecnologia de segurança deve atuar forte pela conservação patrimonial

TENDÊNCIA

Até por isso, na JCB cerca de 50% dos clientes continuam optando pelo atendimento pós-venda fornecido pela concessionária, mesmo após o término da garantia, por adquirirem confiança na cobertura proporcionada pelo sistema LiveLink, padrão nos equipamentos da marca. “A tecnologia tem propiciado bom retorno para os departamentos de serviços nas concessionárias e gerado satisfação aos clientes”, diz Guimarães.

Ele explica ainda que, embora esses sistemas sejam itens de série em máquinas de grande porte, como escavadeiras e pás carregadeiras acima de 20 toneladas, a JCB é uma das poucas fabricantes a fornecer telemetria em retroescavadeiras e miniequipamentos, o que considera um importante avanço para o setor. “Acreditamos que essa tecnologia em breve se estenderá a todas as linhas de máquinas, devido à grande utilidade para a segurança na conservação patrimonial, economia e gestão de frota”, avalia. “A partir de um código enviado pelo sistema, é possível impedir que uma máquina volte a funcionar após ela ser desligada.”

Na Komatsu, o Komtrax também dispõe de diversos recursos voltados para a segurança do equipamento. No caso de grandes deslocamentos, por exemplo, as informações de localização são transmitidas em intervalos mais curtos, já ao se colocar a máquina em uma prancha para transporte. “Qualquer tentativa de dar a partida na máquina durante o período de bloqueio fica registrada no sistema”, explica Nakawaga. “Adicionalmente, é possível criar uma notificação por e-mail. quando a máquina entra ou sai de cada região de trabalho.”

O especialista acrescenta que a Komatsu possui uma empresa – a Modular Mining – específica para o desenvolvimento de soluções para prevenção de colisões e monitoramento de fadiga do operador. “O sono e a não visualização de obstáculos são causas muito comuns de acidentes, sendo que já existem no mercado diversas soluções para tentar evitá-las”, conclui Nakawaga.

TELEMETRIA PRECISA SER MAIS

BEM ASSIMILADA, DIZEM ESPECIALISTAS

Integração tecnológica ainda é um desafio no país, que não aproveita plenamente os recursos fornecidos

Embora a telemetria tenha uso muito amplo e precise ser entendida como investimento, a integração tecnológica ainda é um verdadeiro desafio no Brasil. Para André Guimarães, gerente de serviços da JCB, muitos usuários ainda não utilizam os dados fornecidos pelo sistema de monitoramento, tornando essa tecnologia subaproveitada. “Contudo, o fabricante tem um melhor controle sobre a situação do equipamento e pode disponibilizar as informações ao cliente, a quem cabe a decisão final sobre executar ou não o serviço”, explica.

Também nesse aspecto, uma das missões das equipes de suporte ao produto da Komatsu é utilizar todas as oportunidades de contato com o cliente para mostrar esses benefícios, passando recomendações com base na análise das informações e contatando-o no momento certo, quando a máquina está próxima de uma manutenção preventiva ou alguma falha é detectada. “A Komatsu disponibiliza o Komtrax gratuitamente pelos primeiros dez anos como parte essencial de uma estratégia para disseminar a utilização do sistema entre nossa base de clientes”, reforça Carlos Nakawaga, engenheiro de serviços da empresa no Brasil. “Isso abre múltiplas oportunidades de contato pelo distribuidor que, aos poucos, vai conscientizando os clientes sobre as vantagens do sistema.”

Também o diretor da TMD Group, Silvimar Reis, recomenda que as pessoas vejam a telemetria de forma integral, de modo a extrair proveito de todas as possibilidades e obter retorno sobre o investimento na máquina. “Ainda teremos um extenso caminho pela frente até que as empresas tirem melhor proveito da telemetria, evitando perdas e danos e, sobretudo, maximizando os ganhos”, avalia.

CONFIRA 11 BENEFÍCIOS OBTIDOS COM O USO DA TELEMETRIA
1 Melhoria na produtividade
2 Segurança com redução nos indicadores de acidentes
3 Menor custo – FAP (Fator Acidentário de Prevenção)
4 Menor custo com seguros
5 Possibilita treinamento assertivo – integração com RH
6 Documentação de erros de operadores (integração com RH e jurídico)
7 Documentação de solicitação de garantia (integração com jurídico)
8 Melhores indicadores de desempenho e operação
9 Redução significativa no consumo de combustível
10 Redução no custo de manutenção
11 Alimentação confiável e rápida dos softwares e ERPs da empresas

Nos últimos anos, o uso da telemetria vem se estendendo para todos os tipos de máquinas

Saiba mais:

JCB: www.jcb.com/pt-br

Komatsu: www.komatsu.com.br

Saluter Terraplenagem: www.saluter.com.br

Sobratema: www.sobratema.org.br