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08 de junho de 2015
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Comércio Exterior

Alternativa contra a desvalorização

Independentemente do valor da mercadoria, ao realizar compras no exterior o importador teme a flutuação do dólar, mas há alternativas para prevenir perdas
Por Walter Thomaz Junior e Marcos Andrade

Frente à flutuação do dólar, é importante ter acesso a algumas formas de proteção para diminuir o risco das oscilações. Nesse sentido, uma das principais alternativas disponíveis é o hedge (“cerca”, em tradução livre) cambial, uma ferramenta que permite proteção contra a desvalorização da moeda.

Trata-se de uma forma de fixação do custo final das importações. Na prática, é uma ação realizada por meio de aquisição de lotes (contratos) futuros de moeda estrangeira, negociados junto à BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros).

No mercado, esse movimento é conhecido como “hedgiar”. Ao utilizar esta ferramenta, diminui-se o risco de desvalorização do real na contratação de uma operação que inclua o pagamento em moeda estrangeira.

Por exemplo, uma empresa que atua no segmento de máquinas e equipamentos tem um fluxo de importação em que, a cada 90 dias, realiza compras no exterior no valor de 300 mil dólares. Com a instabilidade do mercado, é previsível que esse importador encontre dificuldades em definir quanto vai dispor em reais para pagar a dívida, o que acontecerá em três meses.

Para evitar perdas com a desvalorização, esse importador pode optar pela compra futura de contratos em dólar equivalentes à sua dívida, com vencimento na mesma data. Considerando que o preço do dólar no mercado futuro com vencimento para 90 dias seja negociado na BM&F a 3 reais, a dívida do importador será de 900 mil reais.

Após 90 dias, ao procurar o banco para pagar, o importador é informado que o preço do câmbio é negociado a 3,20 reais, o que implica no pagamento de 960 mil reais. Como já possui a quantia negociada antecipadamente, o importador desembolsará o equivalente a 900 mil reais, com a diferença coberta pela BM&F.

Caso o câmbio esteja mais baixo, a 2,95 reais, por exemplo, o importador deverá desembolsar os mesmos 900 mil reais. Desse total, 885 mil reais serão destinados ao pagamento e os restantes 5 mil, para cobrir os contratos adquiridos em dólar. Neste exemplo, o contrato futuro pode não ter sido financeiramente favorável, mas ainda assim permitiu fixar a dívida em reais durante o período.

Em suma, a ferramenta faz a prefixação e define antecipadamente a margem sobre a aquisição de produtos importados. No entanto, o hedge cambial não deve ser utilizado para obter ganhos financeiros nas importações.

*Walter Thomaz Junior é sócio da Portorium e consultor das Comissões de Direito Aduaneiro, Portuário e Marítimo da OAB/SP. Marcos Andrade é professor titular do curso de Comércio Exterior da Universidade Presbiteriana Mackenzie.