O diferencial da tecnologia — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Tecnologia e inovação para
construção e mineração

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M&T nº 262Abril 2022 Matéria 5 de 12
Sumário
  1. EditorialAs transformações na força de trabalho
  2. Soluções Para ConcretoRetorno certeiro em lançamentos
  3. CustomizaçãoEngenharia para desafios especiais
  4. Especial InfraestruturaUrgência nas ruas
  5. RentalO diferencial da tecnologia
  6. Britagem E PeneiramentoAdaptação à demanda
  7. LançamentoExpansão de conceito
  8. Conteúdo De MarcaMelhorias em teleoperação, com foco em segurança
  9. A Era Das MáquinasA indústria britânica de guindastes no final do Século XIX
  10. ManutençãoCuidados com o combustível
  11. EntrevistasFumio Nakagawa
  12. Coluna Do YoshioO exercício da adaptação
  13. Painel19 notas e colunas
Rental

O diferencial da tecnologia

Saber o que acontece na ponta das operações faz toda a diferença para as empresas de rental, elevando os recursos tecnológicos à condição de ferramenta vital para a atividade

Exclusivo M&T 8 de abril de 2022 · Edição 262

Cada vez mais, o setor de rental vai ocupando o espaço que lhe é destinado no mercado brasileiro de equipamentos. Atualmente, o setor conta com mais de 30 mil empresas no país e fatura anualmente cerca de R$ 21 bilhões, o que representa 0,26% do PIB.

E uma das alavancas desse crescimento é a preocupação com a tecnologia, tanto embarcada nas máquinas quanto por trás dos processos de gestão, garantindo maior disponibilidade e confiabilidade da frota, além de redução de custos operacionais. “O rental é tendência no mundo todo”, diz José Geraldo Santana Franco Jr., diretor comercial da Vamos Locações, locadora com mais de 25 mil ativos, incluindo soluções de Linha Amarela, agrícolas, intralogística e caminhões.

Segundo ele, o rental vem avançando por constituir uma opção estratégica interessante. “Acredito muito nesse mercado, pois temos um ambiente financeiro favorável, com modalidades de crédito insuficientes para atender à demanda”, afirma. Não que isso seja uma condicionante. Em ambientes mais previsíveis, como Europa e EUA, a participação do rental já é de quase 30% e 25%, respectivamente. “Não há dúvida que, com todas as particularidades do Brasil, a locação vai ocupar um espaço cada vez maior”, projeta.


Cliente de locação busca informação personalizada para ter a frota sempre à mão

PERSONALIZAÇÃO

A estratégia para se sobressair está justamente no modelo de negócio, comenta o diretor, referindo-se a serviços customizados de gestão de manutenção e operação. “A meta é valorizar o investimento com um maior aproveitamento da frota, mais nova e disponível, que possa garantir a satisfação do cliente”, pontua.

Para tanto, o modelo da Vamos inclui serviços personalizados que cobrem desde o processo de contratação até a manutenção preventiva, passando pela parte administrativa e de gerenciamento de riscos. “É um trabalho completo e customizado”, diz Franco Jr.

Segundo ele, o produto “Vamos Mais” cuida da parte de custos administrativos e documentação, mas também oferece telemetria e partes inerentes à manutenção. Já o “Vamos Mais Longe” realiza a gestão automatizada completa dos ativos, com garantia de disponibilidade, gestão dedicada e sistema de leva-e-traz.

A plataforma também abrange check-list digital de entrada e saída, QR Code em todos os veículos, gestão de custos e avarias, dentre outros. Já a implantação de NPS (Net Promoter Score) permite entregar KPIs (Key Performance Indicators) estabelecidos pelo cliente. “Hoje, o cliente busca ter a frota na mão”, ressalta. “Mais que um sistema de telemetria robusto, ele precisa é de informação.”

O modelo é apoiado por uma ampla rede, com 2.300 oficinas credenciadas, inclusive móveis, para atendimento in loco. “A personalização do atendimento permite reduzir acidentes, deslocamentos desnecessários e tempo de correção preventiva e corretiva, inclusive com fornecimento de sistemas para controle da frota”, afirma Franco Jr. “É o melhor negócio para o nosso cliente e para o cliente do nosso cliente, pois traz uma experiência mais madura no que tange à gestão da frota.”

DIGITALIZAÇÃO

Uma experiência mais madura também é o que propõe a Loxam Degraus, notoriamente na gestão de relacionamento com o cliente. Com um parque de mais de 12 mil equipamentos, a locadora vê a tecnologia como fundamental para o rental. “Hoje, é impossível uma empresa de rental não contar com uma página on-line que explique quem é e o que faz”, diz Guilherme Faber Boog, presidente da locadora, destacando que ainda há empresas que operam na base de folheto e catálogo. “Os clientes atuais buscam soluções para suas demandas no Google, navegam pelas redes sociais, procuram ferramentas, equipamentos e máquinas na rede”, ressalta.

O cliente já está pronto até mesmo para locar pelas redes. Há pouco mais de um ano, a Loxam modificou a página da internet, deixando abertos os preços de locação e implantando uma equipe de prospecção e atendimento. “Hoje, de 5% a 10% do faturamento vêm de clientes que entraram em contato pela internet, que não conheciam a empresa e tinham algum tipo de necessidade”, diz Boog.


Interface digital de relacionamento e gestão faz a diferença no mercado atual

De fato, um bom site e a presença nas redes são um começo, mas isso ainda é pouco. Na visão do executivo, as empresas da nova economia já vendem pela rede, enquanto o rental ainda está atrasado. “É importante ter loja, e-commerce, fechar negócios pela internet, assinar contratos eletronicamente”, indica. “Assim como uma área em que o cliente possa acessar informações, boletos, histórico de compras e faturas.”

Na gestão, especificamente, o executivo aponta o uso de softwares de CRM (Customer Relationship Management), responsável pelo registro de oportunidades, propostas e contratos. “Quando essa informação fica somente na cabeça do vendedor, é um perigo enorme”, diz.

Já a telemetria traz a possibilidade de reunir dados a distância sobre os produtos – período, forma e características de uso, por exemplo. “Essas informações podem trazer um aumento absurdo de produtividade, entendendo de que forma e com qual frequência cada equipamento é utilizado”, aponta o executivo.

Outro aspecto está na nova geração de produtos verdes, área em que – segundo Boog – o rental também está atrasado. A empresa já conta com um selo (Loxgreen) aplicado a equipamentos que não geram resíduos. “Esse é um grande desafio e uma enorme oportunidade para as empresas de locação, que precisam de avanços tecnológicos que permitam a oferta de equipamentos mais compatíveis com o ambiente”, delineia Boog, citando ainda a importância de soluções como ERP (Enterprise Resource Planning) e BI (Business Intelligence). “Softwares como esses fazem uma revolução dentro das empresas e, pelo benefício que trazem, são até baratos”, diz ele.

SERVIÇOS

O avanço do rental tem transformado até mesmo o perfil do mercado. É nisso que aposta a Ouro Verde, locadora controlada pelo Grupo Brookfield e que conta com 31 mil ativos sob gestão, atuando em áreas como mineração, construção, intralogística, florestal, agrícola e infraestrutura.

Segundo o líder de vendas e desenvolvimento de negócios da locadora, Marluz Cariani, nos últimos cinco anos foram investidos mais de R$ 3,5 bilhões na aquisição de bens de capital. “A meta é simplificar a vida do cliente por meio de serviços e áreas distintas para locação, gestão de manutenção, documentação e desmobilização dos ativos”, explica.

A empresa também compra o equipamento usado do cliente e oferece contratos de locação de um novo, tudo para furar a barreira da posse. “Existe um aspecto cultural em que os empresários ainda sentem a necessidade de possuir o equipamento”, avalia. “Mas acaba havendo dispêndio de capital, pois além da aquisição é necessário gerenciar itens como mobilização de capital, depreciação, manutenção, seguro, documentação e impostos. Ou seja, é uma dor de cabeça”, ele crava.


Locadoras buscam simplificar a vida do cliente por meio de serviços mais abrangentes

O uso, por sua vez, permite contar com as mesmas despesas, mas com equipamentos disponíveis e em ordem. “Com um parceiro cuidando do gerenciamento, é possível se ocupar única e exclusivamente com o que importa ao negócio, que é utilizar o equipamento”, ressalta.

Para impulsionar essa mudança, a Ouro Verde adota o conceito SaaS (Asset as a Service), no qual a utilização do ativo se reflete em redução de inconsistências no balanço patrimonial. “Tudo é serviço hoje”, acentua Cariani, citando plataformas como Netflix, Spotify e DocuSign. “São pacotes para facilitar a vida, pois permitem utilizar simplesmente, sem precisar comprar.”

Lá fora, a pandemia acelerou essa mudança, com o interesse em terceirizar frotas subindo de 30% a 50% na Europa e nos EUA. No Brasil, o setor ainda está caminhando nesse sentido, com um índice de caminhões locados, por exemplo, de apenas 1,5% da frota. “Ainda temos um desafio muito grande para sensibilizar os clientes sobre as vantagens do rental”, pondera.

Isso porque a primeira impressão é que vale a pena comprar, ao invés de locar. Porém, Cariani reitera que o valor da locação absorve as despesas financeiras, gastos com manutenção, custos fixos e residuais. Cálculos comparativos realizados pelo executivo mostram que o custo total da operação via rental pode apresentar uma economia financeira significativa. “Os clientes ainda têm dificuldade em entender essa conta, sem considerar todas as despesas envolvidas”, comenta. “Com o aumento dos juros, já não há tantas ferramentas financeiras disponíveis. Então, o pessoal tem feito mais conta e entendido as vantagens da locação."

FERRAMENTA

Vantagens que vão ao encontro de um mercado em ascensão. De acordo com Amadeu Martinelli, diretor de operações e novos negócios da WPX Locação e Logística, a demanda está extremamente aquecida, principalmente em infraestrutura e mineração.

Isso implica a utilização de máquinas e equipamentos, fazendo do rental um importante player para o “core business” dos clientes, o que atrai novos entrantes. “Hoje, é possível ver uma gama muito grande de novos players querendo entrar nesse mercado ou já estabelecidos”, afirma o executivo da WPX, que conta com mais de 500 máquinas para locação nos setores florestal e de mineração, além de atividades em logística.

Obviamente, esse quadro traz maior competitividade, com acentuada variação nos preços, o que – segundo Martinelli – é positivo, pois tira o mercado da zona de conforto. “Faz pensar diferente e não deixa o segmento virar uma commodity de locação de máquinas”, avalia.

Em termos de tecnologia, a WPX utiliza ferramentas como o sistema de gestão de manutenção e telemetria Datafleet. Ainda mais importante, na visão do executivo, é que as máquinas novas já vêm com tecnologia embarcada ou pré-disposta à otimização, trazendo oportunidades de desenvolvimento da produtividade e da gestão de processos na frente de serviço. “É a ferramenta mais importante não só do rental, mas também de proprietários”, diz ele, acrescentando que pensar a tecnologia como fator de competitividade é incontornável para o setor. “Isto permite uma decisão mais rápida na execução das atividades e uma manutenção mais just in time”, aponta.


Valor da atividade reside na redução de custos na ponta e ganhos de escala no longo prazo

Para Martinelli, competitividade não significa menor preço de tarifa, mas mostrar valor para o cliente, oferecendo uma máquina que gere redução de custo na ponta e ganhos de escala no longo prazo. “A grande questão é o cliente enxergar que a tecnologia está sendo agregada ao processo e, automaticamente, ao preço da locação, mas que também vai trazer ganho de produtividade lá na frente”, sublinha.

O especialista refere-se ao fato de que comprar uma máquina com tecnologia embarcada resulta em um custo maior na locação. “Mas o cliente precisa enxergar que pode reduzir o prazo de execução de um projeto por meio de uma máquina com manutenção autônoma ou de um técnico que sabe o que está acontecendo em campo em tempo real”, frisa.

A boa notícia é que isso já começa a ocorrer, ao menos em alguns clientes. “Saber o que está acontecendo na ponta não tem preço”, afirma Martinelli, destacando que já há um movimento no sentido de enxergar a disponibilidade da tecnologia como um facilitador. “O rental precisa estar sempre à frente, mostrando o valor agregado ao processo”, destaca. “Sabendo utilizar, as máquinas produzem muito mais, pois a tecnologia mostra o que pode ser feito.”

WEBINAR
Evento destaca avanços do rental no Brasil


Webinar abre o ano de eventos digitais da Sobratema

Transmitido pelo Canal da Sobratema no Youtube no dia 24 de março, o 8º Webinar Sobratema tratou do ‘valor da tecnologia para o rental’, debatendo como os investimentos na qualidade não só das frotas, mas também em gestão e manutenção, fazem a diferença em um mercado cada vez mais competitivo. “O mercado passou a atuar com novos parâmetros, mais transparentes, produtivos, econômicos e desafiadores”, comentou Afonso Mamede, presidente da Sobratema. “Essa evolução, somada ao momento econômico, fortaleceu o rental, que passou a contar com grandes frotistas.”

Na visão do vice-presidente da Sobratema, Eurimilson Daniel, a locadora que não absorver a tecnologia em sua estrutura e atuação já ficou para trás. “O cliente exige uma máquina com tecnologia embarcada e a indústria traz, mas é desafiador acompanhar todas essas modificações”, observou. “Se você traz uma tecnologia, precisa explicar o que está agregando ao cliente, que há benefícios na produção e na legislação.”

Para Alexandre Forjaz, presidente da Alec (Associação dos Locadores de Equipamentos e Bens Móveis), chegará o momento em que a tecnologia será algo comum, com as empresas niveladas nesse aspecto. “O diferencial vai ser o pós-venda, com a tecnologia presente e o capital humano em paralelo”, disse.

Já o especialista da CKN Consultoria, Celso Navarro, ressaltou que o Brasil está começando a se alinhar ao mercado mundial de locação, sendo a internet a responsável direta por esse movimento. “Essa filosofia de se mostrar ao mercado já existe há algum tempo na Europa e nos EUA, especialmente nas empresas de rental”, afirmou. “Aqui, as empresas começam a perceber a importância de ser mais atrativas, mas precisamos ser mais práticos também, pois se não houver interação eletrônica e digital com o mercado, você está morto.”

Confira abaixo a íntegra do evento.

Saiba mais:
Webinar Sobratema:
www.youtube.com/user/sobratema

Uma publicação Sobratema

A Revista M&T é editada pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos.

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