A eletrificação do fora de estrada — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

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M&T nº 250Dez/Jan 2021 Matéria 1 de 14
Sumário
  1. EditorialA eletrificação do fora de estrada
  2. Estudo De MercadoResiliência na pandemia
  3. Especial InfraestruturaOnda de obras
  4. Bw Expo Summit Digital 2020A virada verde da tecnologia
  5. Bw Expo Summit Digital 2020A urgência global dos resíduos
  6. Bw Expo Summit Digital 2020Por uma cadeia sustentável de valor
  7. Bw Expo Summit Digital 2020A realidade do estresse hídrico
  8. ConcretoDiferencial de peso na betonagem
  9. Implementos HidráulicosFrente de ataque
  10. FabricantePortfólio local
  11. A Era Das MáquinasA Caterpillar no Brasil
  12. ManutençãoTecnologia sem medo de máquina parada
  13. EntrevistaEMIR CADAR FILHO
  14. Coluna Do YoshioO outro lado da moeda
  15. Painel16 notas e colunas
Editorial

A eletrificação do fora de estrada

“A atualização das normas de controle de emissões e a recuperação dos setores de utilização final devem estimular o crescimento do mercado de máquinas elétricas nos próximos anos.”

Exclusivo M&T 16 de dezembro de 2020 · Edição 250

Ainda no período pré-pandemia, artigo da agência de pesquisas Markets and Markets (M&M) projetava um salto do mercado global de veículos OTR elétricos de US$ 6,3 bilhões em 2020 para US$ 17,5 bilhões em 2025. Com a covid-19, as OEMs provavelmente atrasaram o desenvolvimento e o lançamento de novos produtos eletrificados, mas os números evidenciam o tamanho do negócio.

O artigo ressalta que a atualização progressiva das normas de controle de emissões para equipamentos pesados fora de estrada – junto à recuperação econômica dos setores de utilização final no pós-pandemia – deve estimular o crescimento desse mercado nos próximos anos. “Considerando tais fatores, as vendas globais de veículos OTR elétricos devem crescer a uma taxa de 22,8% entre 2020 e 2025”, reitera a agência.

Sabe-se que veículos a diesel como caminhões basculantes e carregadeiras LHD emitem quantidades maciças de gases. Além de questões ambientais e de saúde, as emissões também aumentam o calor gerado em minas subterrâneas. De acordo com o International Council on Mining and Metals (ICMM), 40% do gasto energético de uma mina subterrânea decorrem de sistemas de ventilação para remover poluentes e calor dos túneis. “Tais fatores aumentam o custo operacional da mina, enquanto diminuem sua eficiência”, aponta a M&M.

O setor está ciente disso. Segundo dados da MEDATech (Mobile Equipment Design and Automation Technology), a substituição de equipamentos de mineração movidos a diesel por similares elétricos pode reduzir as emissões anuais de CO2 em aproximadamente 7.500 toneladas, poupando ainda 3 milhões de litros de combustível e 1 milhão de litros de propano por ano. Um avanço e tanto, sem dúvida.

Mas ainda há contrapontos. A perda de produtividade com o elevado tempo de carregamento é um dos fatores que impede uma maior adoção dos veículos OTR elétricos em canteiros e minas. Afinal, a maioria dos modelos demora entre 4 e 8 horas para recarregar completamente, diminuindo assim a produtividade.

Em termos de tecnologia, os veículos OTR elétricos em geral utilizam baterias de íons de lítio, devido às vantagens sobre as soluções de chumbo-ácido ou níquel-hidreto metálico, por exemplo. No entanto, essas baterias também têm limitações. Isso inclui questões relacionadas à robustez (requerem proteção contra sobrecarga e descarga excessiva), durabilidade (de 500 a 1.000 ciclos antes de degradar a capacidade), flutuações de desempenho (por variação de temperatura), densidade limitada de potência, alta rigidez e custo elevado. Também são apontadas restrições quanto à compatibilidade (limitada) e à falta de permutabilidade e padronização de sistemas de recarga.

Eventualmente, todos esses fatores serão contemplados pela área de P&D das fabricantes, pois, além de sustentabilidade, também se trata de uma equação econômica fazer a tecnologia avançar. Ao que parece, é uma questão de tempo para que a substituição seja completa. Boa leitura.

Permínio Alves Maia de Amorim Neto
Presidente do Conselho Editorial

Uma publicação Sobratema

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