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14 de janeiro de 2013
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Fora de Estrada

Vocação para o pesado

Com uma frota composta totalmente por caminhões off-road da Scania, a transportadora TSL obtém resultados expressivos no transporte de minério bruto
Por Marcelo Januário (Editor)

Fundada por José Donizete de Sousa Maia, conhecido como Zé Tita, a Transportes Sarzedo (TSL) é um case de sucesso na área de transporte de apoio à mineração. A empresa, que começou sua trajetória em 1997 com um único caminhão, possui atualmente uma frota com 130 pesados off-road da Scania, incluindo os modelos P420 8x4 e 6x4, além de dois G440 CB 6x4 da Nova Linha Off-Road Euro V da montadora.

Só na operação da Mina do Carrapato, controlada pela Itaminas, em Sarzedo (MG), a transportadora trabalha com 45 caminhões, que atuam na coleta e transferência de material bruto por rotas curtas fora de estrada e outras funções de apoio. Os demais pesados da empresa também são utilizados em outras três minas a céu aberto: uma da Vale, em Brumadinho, uma da MMX, em Igarapé, e uma da V&M, em Nova Lima, todas em Minas Gerais.

Além dos caminhões off-road, a TSL possui um braço logístico para transferências rodoviárias, que inclui 37 semipesados P250 (sendo 28 unidades 6x2 e nove unidades 4x2), adquiridos recentemente. Os equipamentos atuam em funções de apoio para transferência de resíduos com poliguindaste (simples e duplo), munck e roll on/off. A frota da transportadora inclui ainda oito pesados rodoviários G420 6x2 em semirreboque basculante, para a transferência de resíduos, e um ônibus K230, para o transporte de funcionários. Hoje, a empresa conta com 476 funcionários.

Parceria

Nada mau para quem começou dirigindo um único caminhão com as próprias mãos. “No começo, a TSL não tinha expressão comercial alguma, era uma coisinha mínima, mesmo assim a Itaipu me deu uma importância muito grande”, recorda Zé Tita. “Nem sei como isso aconteceu, pois já havia muitas transportadoras com frotas grandes e prontas.” Ele se refere à concessionária em Contagem que fornece os pesados para a TSL e pertence ao grupo carioca Lemos de Moraes, presente no mercado de transportes há mais de 38 anos.

Em 1999, a TSL comprou o primeiro caminhão Scania 224 e, a partir de então, iniciou uma intensa relação de apoio mútuo com a montadora. “Quando peguei para trabalhar, vi que era o caminhão da minha vida”, rememora Zé Tita. Com o tempo, o negócio prosperou e, devido ao seu profundo conhecimento prático da atividade, o empresário passou a orientar a fabricante sobre as adequações dos caminhões ao serviço


Fundada por José Donizete de Sousa Maia, conhecido como Zé Tita, a Transportes Sarzedo (TSL) é um case de sucesso na área de transporte de apoio à mineração. A empresa, que começou sua trajetória em 1997 com um único caminhão, possui atualmente uma frota com 130 pesados off-road da Scania, incluindo os modelos P420 8x4 e 6x4, além de dois G440 CB 6x4 da Nova Linha Off-Road Euro V da montadora.

Só na operação da Mina do Carrapato, controlada pela Itaminas, em Sarzedo (MG), a transportadora trabalha com 45 caminhões, que atuam na coleta e transferência de material bruto por rotas curtas fora de estrada e outras funções de apoio. Os demais pesados da empresa também são utilizados em outras três minas a céu aberto: uma da Vale, em Brumadinho, uma da MMX, em Igarapé, e uma da V&M, em Nova Lima, todas em Minas Gerais.

Além dos caminhões off-road, a TSL possui um braço logístico para transferências rodoviárias, que inclui 37 semipesados P250 (sendo 28 unidades 6x2 e nove unidades 4x2), adquiridos recentemente. Os equipamentos atuam em funções de apoio para transferência de resíduos com poliguindaste (simples e duplo), munck e roll on/off. A frota da transportadora inclui ainda oito pesados rodoviários G420 6x2 em semirreboque basculante, para a transferência de resíduos, e um ônibus K230, para o transporte de funcionários. Hoje, a empresa conta com 476 funcionários.

Parceria

Nada mau para quem começou dirigindo um único caminhão com as próprias mãos. “No começo, a TSL não tinha expressão comercial alguma, era uma coisinha mínima, mesmo assim a Itaipu me deu uma importância muito grande”, recorda Zé Tita. “Nem sei como isso aconteceu, pois já havia muitas transportadoras com frotas grandes e prontas.” Ele se refere à concessionária em Contagem que fornece os pesados para a TSL e pertence ao grupo carioca Lemos de Moraes, presente no mercado de transportes há mais de 38 anos.

Em 1999, a TSL comprou o primeiro caminhão Scania 224 e, a partir de então, iniciou uma intensa relação de apoio mútuo com a montadora. “Quando peguei para trabalhar, vi que era o caminhão da minha vida”, rememora Zé Tita. Com o tempo, o negócio prosperou e, devido ao seu profundo conhecimento prático da atividade, o empresário passou a orientar a fabricante sobre as adequações dos caminhões ao serviço pesado no campo. “Eu testo os caminhões, os conceitos de serviços e as peças”, explica o diretor da TSL. “E a Scania sempre ouve minhas dicas.”

Operação

Na Itaminas, que terceiriza toda a operação de produção para a TSL, os veículos Scania rodam 24 horas por dia, em três turnos. A uma velocidade média definida de 45 km/h, os veículos realizam cerca de 40 viagens por turno, transportando quatro mil toneladas/dia de minério bruto por caminhão. A cada três anos, a frota é renovada.

Com mão inglesa em alguns pontos e placas de instrução afixadas na estrada para orientar sobre qual marcha usar em cada trecho, as angulosas rotas da mina exigem muito dos veículos e dos próprios condutores, por conta do peso dos veículos carregados e da instabilidade do terreno. Nesse ponto, a tecnologia da Scania tem ajudado a aumentar a segurança nas operações. “Na Itaminas, a descida é bem íngreme e os freios podem esquentar”, frisa Zé Tita. “Mas não arrisco a vida dos motoristas.”

Para isso, diz ele, toda a frota é equipada com recursos tecnológicos como o Opticruise, a caixa de câmbio automatizada da montadora sueca. “Com ela, praticamente nem é preciso usar o pedal da embreagem, só para arrancar e parar”, diz à reportagem o motorista Gilson de Oliveira Campos, há três anos na TSL. “Desse modo, é possível obter uma força incrível na tração e, de quebra, economizar lona.”

Manutenção

Em relação à manutenção da frota, a TSL atua com extremo pragmatismo. Na lubrificação, por exemplo, Zé Tita escolheu realizá-la nos 38 pontos dos veículos de uma forma heterodoxa: nem por hora ou quilometragem, como é praxe no mercado, mas por dias. “Costumo fazer a cada 45 dias, podendo ir a 60 dias”, afirma.

Mas não é só com intuição apurada que a TSL trabalha. Também parceira de longa data, a concessionária Itaipu montou uma oficina na própria sede da transportadora para otimizar a assistência remota e a operação dos equipamentos. Isso porque, em relação ao monitoramento de peças, nem sempre é possível levar o caminhão à distribuidora, como explica o diretor da concessionária, Eugênio Costa. “O grande crescimento de vendas de caminhões e ônibus nos últimos anos e a consequente necessidade de manutenções periódicas aumentaram a demanda por serviços”, sublinha.

A sistemática de rotina utilizada na frota inclui itens como abastecimento a cada 24 horas, sendo que os veículos consomem, em média, de 12 a 16 l/h. Já a troca de óleo é feita a cada 45 horas de trabalho, intervalo que, dependendo das condições de uso, pode chegar a 60 horas. Quanto aos caminhões com a nova tecnologia euro V, apesar de ainda representarem uma parcela minoritária nas operações, já permitem conclusões sobre seu desempenho. “A marca obtida até agora é de 10% de economia em combustível”, revela Flávio Coimbra, gerente de vendas de caminhões para aplicações severas da Scania.

Contêiner

Outro recurso recentemente disponibilizado na mina é o Contêiner de Peças Scania, um dos novos serviços que integram as soluções de atendimento remoto da fabricante. A TSL, aliás, é a primeira transportadora brasileira a receber tal recurso genérico de manutenção, que é adaptado à operação e pode atender uma frota de até 40 equipamentos. “Nosso esforço é por fazer o concessionário, que tinha uma visão rodoviária, a ter uma visão mais off-road, atendendo no local de trabalho”, acentua Marcos Cesar Arantes, gerente-executivo de serviços para o segmento off-road da Scania.

Segundo ele, o contêiner pode ser tripulado pela concessionária ou pelo cliente, incluindo kits de reposição de peças (consignadas ou não) que atendem os planos de manutenção, de acordo com a necessidade. Também é equipado com gerador de energia agregado, compressores de ar e outros itens customizáveis. “Trata-se de um segmento muito severo, que depende de treinamento, preparação da pista etc., sendo que um pequeno desvio pode acarretar uma corretiva”, afirma Arantes. “Por isso, só de estarmos próximos já é uma vantagem”, complementa.

Calejado, o diretor Zé Tita concorda totalmente com ele. “Para nós, o que importa muito é a pós-venda, pois, se não for satisfatória, não vai dar certo”, avalia. “Novos, todos os caminhões são bons, mas é o dia a dia que vai falar a verdade.”

Mineração cresce em Sarzedo

Localizada em uma pequena cidade de 26 mil habitantes, a operação da Itaminas possui reservas estimadas em 1,3 bilhão de toneladas de minério de ferro. A mineração é uma das principais atividades da cidade, que na última década viveu um boom econômico por conta da extração mineral. Além de empresas do mercado guzeiro local, a operação da Mina do Carrapato fornece minério de ferro para a Vale, sendo que sua produção chega a 6 milhões de toneladas por ano.

Scania renova linha de off-road

Representando 15% do total de vendas da companhia, em sua nova versão a linha de caminhões fora de estrada da Scania incorporou uma série de aperfeiçoamentos. Para aumentar a adaptação dos veículos à severidade das operações no segmento, o departamento de pesquisa da montadora desenvolveu novas cabines P e G (que ganharam grade frontal em peça única), motores (com torque aprimorado), embreagem (com 3 mm a mais de área de desgaste), suspensão, trem de força, faróis auxiliares e outros itens, além de trazer a terceira geração da caixa automatizada Opticruise e a segunda do sistema hidráulico de freio auxiliar Retarder.

Disponível nas configurações de roda 6x4, 6x6, 8x4 e 10x4, a linha 2012 também chegou ao mercado com novo ângulo de ataque de 25º, resultado da elevação do chassi e do para-choque. Outro reforço é o escudo protetor, localizado logo abaixo do para-choque e construído com chapa reforçada, para proteger o carter e o motor.

A reformulação do portfólio é uma estratégia da Scania para crescer no segmento fora de estrada. “Queremos chegar a 10% de participação na linha de caminhões de apoio em mineração, que até então era praticamente nula”, projeta Victor José Carvalho, gerente executivo de vendas da Scania. “Com essa nova linha, a Scania vai brigar de fato pela liderança deste mercado a partir de 2013”, concorda Silvio Renan de Souza, gerente de vendas de caminhões off-road da montadora no Brasil.