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19 de março de 2014
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Manutenção

Quando o problema está na embreagem

Motoristas mal treinados utilizam o sistema de forma inadequada, gerando avarias; Mas falta de manutenção e lubrificação incorreta também causam danos

Já sentiu trepidações, falha e ruídos ao trocar de marcha? Todos esses sintomas são indicadores de alguma avaria na embreagem. Sem ela, o caminhão não consegue fazer a mudança de marchas e sequer sair do lugar. Isso porque a função dela é justamente conectar e desconectar, de forma suave, a rotação contínua do motor com a transmissão e as rodas do equipamento, que não possuem geração própria de força e dependem dessa ligação para funcionar. É por isso que esse componente é tão vital e exige cuidados operacionais e de manutenção específicos.

Para entender melhor como a embreagem funciona, é interessante conhecer um pouco mais sobre “atrito”. A dificuldade com que uma superfície desliza sobre outra é determinada pelo atrito, que são os picos e vales de ambas as faces que se encostam. Quanto maiores, mais difícil será o deslizamento dos objetos um contra o outro, até mesmo em escala microscópica. Nos veículos, além de auxiliar na aderência das rodas contra o solo, o atrito também serve para pressionar o volante do motor contra o disco da embreagem, que possui uma superfície projetada para gerar atrito suficiente para travar de forma suave e transmitir a rotação do volante de forma integral.

Com esse propósito, aliás, é que os discos de embreagem possuem revestimentos especiais que fornecem melhor atrito. Segundo especialistas, os revestimentos orgânicos são mais comuns no mercado atual, sendo constituídos basicamente de fibras estruturais impregnadas com soluções de resina sintética, borracha, cargas orgânicas e minerais, entre outros materiais e aditivos. Já para aplicações fora de estrada, que exigem maior torque e durabilidade, o mercado disponibiliza opções cerametálicas e com Kevlar, uma fibra sintética cinco vezes mais resistente que o aço.

Esses modelos de embreagem se encaixam tanto em transmissões mecânicas quanto automatizadas. Diferentemente da transmissão automática – que utiliza conversor de torque no lugar da embreagem –, o sistema automatizado se assemelha ao manual, porém com uma embreagem automática. Ou seja, as trocas de marcha são feitas de forma suave e precisa, diminuindo o consumo de combustível e aumentando a durabilidade do conjunto em até quatro vezes, quando comparada a uma transmissão mecânica convencional.

Para fazer essa mudança de marchas, o sistema automatizado conta com acionamento eletro-hidráulico, em que um módulo eletrônico de


Já sentiu trepidações, falha e ruídos ao trocar de marcha? Todos esses sintomas são indicadores de alguma avaria na embreagem. Sem ela, o caminhão não consegue fazer a mudança de marchas e sequer sair do lugar. Isso porque a função dela é justamente conectar e desconectar, de forma suave, a rotação contínua do motor com a transmissão e as rodas do equipamento, que não possuem geração própria de força e dependem dessa ligação para funcionar. É por isso que esse componente é tão vital e exige cuidados operacionais e de manutenção específicos.

Para entender melhor como a embreagem funciona, é interessante conhecer um pouco mais sobre “atrito”. A dificuldade com que uma superfície desliza sobre outra é determinada pelo atrito, que são os picos e vales de ambas as faces que se encostam. Quanto maiores, mais difícil será o deslizamento dos objetos um contra o outro, até mesmo em escala microscópica. Nos veículos, além de auxiliar na aderência das rodas contra o solo, o atrito também serve para pressionar o volante do motor contra o disco da embreagem, que possui uma superfície projetada para gerar atrito suficiente para travar de forma suave e transmitir a rotação do volante de forma integral.

Com esse propósito, aliás, é que os discos de embreagem possuem revestimentos especiais que fornecem melhor atrito. Segundo especialistas, os revestimentos orgânicos são mais comuns no mercado atual, sendo constituídos basicamente de fibras estruturais impregnadas com soluções de resina sintética, borracha, cargas orgânicas e minerais, entre outros materiais e aditivos. Já para aplicações fora de estrada, que exigem maior torque e durabilidade, o mercado disponibiliza opções cerametálicas e com Kevlar, uma fibra sintética cinco vezes mais resistente que o aço.

Esses modelos de embreagem se encaixam tanto em transmissões mecânicas quanto automatizadas. Diferentemente da transmissão automática – que utiliza conversor de torque no lugar da embreagem –, o sistema automatizado se assemelha ao manual, porém com uma embreagem automática. Ou seja, as trocas de marcha são feitas de forma suave e precisa, diminuindo o consumo de combustível e aumentando a durabilidade do conjunto em até quatro vezes, quando comparada a uma transmissão mecânica convencional.

Para fazer essa mudança de marchas, o sistema automatizado conta com acionamento eletro-hidráulico, em que um módulo eletrônico de controle aciona a embreagem para fazer a troca quando o veículo exigir. No caso do manual, esse acionamento é mecânico e feito pelo motorista por meio do pedal, podendo ser assistido por um sistema hidráulico ou pneumático.

SINTOMAS

Como o sistema de acionamento está interligado ao conjunto de embreagem, falhas no funcionamento podem ser identificadas de forma semelhante. Da mesma forma, um componente danificado do conjunto pode levar outras peças a sofrer avarias, motivo pelo qual fabricantes e oficinas autorizadas vendem kits completos de embreagem, com platô, rolamento e disco.

Isso também se aplica às peças periféricas, como garfo, volante do motor e rolamento da ponta do eixo piloto. Sendo assim, vazamentos de óleo do motor ou do câmbio, dois conjuntos próximos à embreagem e que utilizam lubrificação, podem contaminar a embreagem e danificá-la seriamente (veja mais sobre cuidados de lubrificação no Box da pág. 77).

Para quem já conhece o veículo e sente uma mudança de peso ao pressionar o pedal da embreagem, bem como na altura em que começa o acionamento (variação do curso livre do pedal), já identificou uma necessidade de parada para vistoria do conjunto. Outras características do fim do processo de desgaste natural do sistema incluem patinação – em casos críticos acompanhado de fumaça, trepidação do veículo e do pedal durante a partida, além da dificuldade de engatar a marcha. Esses problemas geralmente vêm acompanhados de ruídos e chiados ao utilizar a embreagem.

Ao identificar qualquer um desses indicadores, é necessário levar o caminhão a uma oficina autorizada para inspeção em ambiente limpo e fechado, já que qualquer contaminação de poeira nas peças da embreagem pode danificá-la logo após a troca. Em outras palavras, o erro humano pode se repetir se o técnico de manutenção não tiver conhecimento dos cuidados e procedimentos de avaliação e montagem desses componentes. Inclusive, muitos erros de vibração ou quebra de componentes fazem parte do rol de problemas causados por erros de instalação nas oficinas, assim como conexões desalinhadas e parafusos frouxos.

PROCESSOS

O primeiro passo de troca da embreagem danificada é a remoção da caixa de câmbio para ter acesso ao conjunto e desmontá-lo, removendo o platô e o disco da embreagem, bem como as peças periféricas. Vale lembrar que, como esses componentes atingem temperaturas elevadas durante o uso, podem provocar queimaduras se o tempo de resfriamento não for respeitado. Por isso, o uso de luvas também é imprescindível, assim como óculos de segurança, outro EPI essencial que protege o contato dos olhos com a fuligem gerada pelo desgaste das peças.

Em seguida, deve-se verificar se os componentes da embreagem estão gastos ou danificados. Isso pode ser feito avaliando as superfícies do disco e do volante, ambos componentes de atrito. Um disco novo possui aproximadamente 10 mm de espessura, enquanto um que necessita de troca apresenta 7 mm ou menos. No volante e outras superfícies de atrito, deve-se procurar por trincas e rachaduras, geralmente causadas por superaquecimento da peça ou, em outras palavras, uso irregular da embreagem. Da mesma forma, os danos por calor excessivo podem ser vistos nas placas de pressão.

Para definir se a embreagem sofreu desgaste natural ou foi submetida a “maus tratos” é preciso antes avaliar se houve excesso de patinação entre as superfícies do disco e do volante. Quando isso ocorre, o técnico identifica a avaria por duas causas. A primeira é revelada pelo tom azulado que se forma após o superaquecimento nas superfícies de atrito do volante ou da placa de pressão do platô da embreagem. Já a segunda é reconhecida pelo desgaste prematuro e irregular no revestimento do disco e componentes interligados, podendo até ser identificada por rachaduras ou quebra total, o que geralmente ocorre quando a embreagem é exposta a altas rotações com desalinhamento.

É claro que peças menores, como garfo, cabo, rolamento e linguetas da mola membrana, também precisam ser vistoriados, pois sofrem igualmente com desgaste e quebra. Muitos desses componentes são sensíveis ainda a vibrações irregulares do motor, causadas por irregularidades no sistema de injeção ou utilização de combustíveis inadequados.

VISTORIA

Aliás, a vistoria de alguns itens varia conforme o tipo de acionamento da embreagem. No caso do acionamento mecânico, o conjunto formado por rolamento, cabo e garfo sofre desgaste natural ou acelerado por conta da perda de lubrificação. Já no caso de acionamento eletro-hidráulico e hidráulico, além dos componentes mecânicos, há peças que podem sofrer com vazamentos de óleo, como cilindros de pedal e atuador de embreagem.

Se houver necessidade de troca desses componentes, os especialistas recomendam a substituição por peças novas e, possivelmente, do conjunto completo de desgaste da embreagem. É importante ressaltar a escolha correta das peças por meio do manual do fabricante, pois a qualidade e adequação do produto são essenciais para garantir seu bom funcionamento. Já a reutilização do disco, opção empregada em alguns casos, depende de condições específicas: primeiramente, o revestimento não pode apresentar qualquer tipo de contaminação por elementos graxos, assim como não deve mostrar desgaste irregular pela superfície.

Durante a remontagem do conjunto, é importante verificar se a tampa da embreagem assentou-se de forma plana e uniforme contra a superfície de contato do volante. Essa mesma atenção deve ser dada ao aperto de parafusos na instalação do disco, platô e outros componentes, garantindo o total assentamento das fases e torque correto nos parafusos. Para isso, os especialistas recomendam o uso de torquímetros, ferramentas que garantem o aperto uniforme dos parafusos.

Por fim, antes de instalar a caixa de câmbio, o mecânico deve verificar o funcionamento de todo o conjunto da embreagem, inclusive dos sistemas de acionamento eletro-hidráulico, elemento vital da transmissão automatizada. Nesse quesito, a recomendação é examinar todas as mangueiras, tubulações e servos do sistema, buscando eventuais vazamentos.

CALIBRAÇÃO E LUBRIFICAÇÃO

Exceto a atenção com as mangueiras e óleo hidráulico, a manutenção de um sistema de embreagem automatizado é bem similar ao sistema convencional. Vazamentos do fluído podem ser identificados por meio da falta de resposta na mudança de marchas, permanecendo em posição neutra.

Em relação ao atuador de embreagem, que é uma peça-chave, mesmo que não apresente vazamento recomenda-se sua substituição junto com o kit da embreagem, pois pode apresentar desgaste interno, causando dificuldade de engate das marchas. Após a troca de peças gastas da embreagem, o principal zelo deve ser direcionado à integridade do óleo hidráulico do atuador.

Para evitar que o óleo hidráulico fique contaminado por bolhas de ar, é comum a prática de “sangria”, ou limpeza do fluído. É recomendado que esse processo seja efetuado com uma máquina específica que circula e filtra o óleo. No caso da sangria manual, especialistas advertem que a embreagem pode apresentar trepidação, dificuldade de engate e até patinação após poucas horas de uso. Ou seja, pode voltar a apresentar os mesmos problemas em ciclos muito reduzidos.

Segundo os especialistas, outro ponto de atenção é a calibração da nova espessura e posicionamento do disco pelo sistema, feita eletronicamente com auxílio de softwares específicos. Aliás, a correta parametrização do sistema é essencial para o bom funcionamento e durabilidade da transmissão automatizada. A solução tecnológica consiste em zerar os parâmetros por meio de um scanner de diagnose, que por sua vez é conectado aos diversos sensores de avaria e armazena todos os dados de operação do veículo.

Lubrificação descuidada pode danificar a embreagem

Independentemente do material utilizado no revestimento, a infiltração de óleo lubrificante deve ser evitada a todo custo, pois inviabiliza a força de atrito gerada pelo conjunto da embreagem, podendo causar danos irreversíveis ao sistema. Por essa razão, é sempre recomendado inspecionar os retentores de óleo do motor e da caixa de câmbio. Se isso não for feito, o vazamento não detectado poderá vir a contaminar todo o conjunto novo de embreagem.

Sendo assim, deve-se evitar o uso de lubrificantes nas regiões periféricas e de atrito do conjunto da embreagem e eliminar qualquer tipo de vazamento de óleo no interior da capa seca. Para componentes que necessitam de graxa, como rolamentos, garfo e cabo, o uso excessivo também pode resultar em contaminação da embreagem. No caso dos rolamentos, o mercado está adotando cada vez mais o tipo blindado, que não necessita da aplicação de lubrificantes, sendo sujeito apenas à substituição pós-desgaste.

Todas as peças dependentes de lubrificação devem ser periodicamente vistoriadas, pois – principalmente em operações fora de estrada – a falta de graxa pode resultar até no “travamento” do veículo. Em situações como essa, o excesso de vibrações, por conta da irregularidade do terreno, e a contaminação de água na embreagem também podem causar avarias.