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12 de maio de 2017
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Serviços

O desafio da excelência

Ao lado da atualização tecnológica, a terceirização de serviços entra na pauta dos assuntos mais candentes na área de gerenciamento de equipamentos pesados
Por Marcelo Januário (Editor)

No lastro da Lei nº 13.429, a chamada Lei da Terceirização, sancionada pelo governo no último dia de março, volta à tona um debate que há tempos mobiliza os gestores de frotas no país, especificamente no que tange às estratégias relacionadas a atividades-meio e atividades-fim nas empresas. Afinal, em um quadro de baixa renovação das frotas, necessidade de alta disponibilização dos equipamentos, redução de custos e maximização de produção, como decidir-se pelo que terceirizar, levando-se em conta ainda a realidade – em qualidade e preço – dos serviços oferecidos no país?

Para vislumbrar os impactos deste cenário de mudanças, a distribuidora Tracbel encomendou uma pesquisa à Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP) que mapeou os atributos mais valorizados, o comportamento das empresas e as tendências de mercado na atualidade. Fundamentada no método de posição competitiva, a pesquisa ouviu 350 usuários de equipamentos da Linha Amarela nos segmentos de infraestrutura, agronegócio, mineração e florestal, totalizando um parque de 6 mil máquinas e caminhões, em seis regiões do país.

Os resultados deixaram claro algumas realidades. A primeira é que há uma tendência crescente de reforma de máquinas, que ganham uma segunda ou terceira vida, muito em função da falta de capital ou crédito no mercado para renovação. “Nesses casos, a primeira alternativa é usar o próprio mecânico, pois a frota geralmente tem máquinas multimarcas”, contextualiza Afonso Mamede, presidente da Sobratema. “A segunda é utilizar o dealer, que sempre será mais baixa, pois a tendência é de utilizar a estrutura que se tem à mão.”

Além disso, nos países latinos, como destaca David Rodrigues, CEO da Makro Engenharia de Movimento, há ainda uma “questão de mentalidade”, no sentido de se prolongar em demasia o tempo de uso do ativo. “Máquina que vive muito também tem muito problema, sendo que a estrutura acaba ficando gigantesca”, diz ele. “Com ciclos menores, a máquina quebra menos e demanda menor necessidade de serviço, podendo se usar pontualmente o dealer.”

Corroborando tal visão, a pesquisa também mostra que a maioria dos entrevistados (85%) faz as reformas com mecânicos próprios ou com terceiros, sendo que uma parcela reduzida (15%) opta por concessionárias. “Para os dealers, esses resultados representam uma oportunidade e, ao mesmo tempo, um alerta, principalmente em questões como durabilidade e confiabilidade de peças de reposição”, argumenta Luiz Gustavo Pereira, CEO do Grupo Tracbel.