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05 de dezembro de 2012
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Tendências

O caminhão do futuro

Núcleo de design da Volvo Trucks propõe ideias que podem transformar o segmento de veículos pesados de transporte de longa distância nas próximas duas décadas
Por Marcelo Januário (Editor)

Imagine um futuro em que os caminhões parecidos com comboios articulados ou trens espaciais são movidos por energia gerada pela própria tração, mudam sua estrutura física conforme a carga transportada e não possuem condutor ao volante. Parece enredo de ficção científica, mas na verdade trata-se de um cenário traçado por um dos maiores especialistas mundiais em design de caminhões e que pode tornar-se realidade nos próximos 20 anos.

É em uma tela de realidade virtual com 5 por 7 metros na Suécia que o diretor de design da Volvo Trucks, Rikard Orell, projeta a concretização dessas tendências revolucionárias que mudarão completamente o que vimos até hoje no segmento. O Volvo Truck Concept 2030, concebido e liderado por ele, prevê mudanças radicais na forma, design e tecnologia dos equipamentos de transporte pesado de longa distância, incluindo desde a reinvenção completa dos equipamentos até a criação de pistas especiais chamadas “corredores verdes”.

Trabalhando com seus modelos em argila de tamanho real, softwares de 3D e até mesmo tradicionais esboços feitos à mão, Orell quer superar o atraso histórico do design no setor de caminhões, imprimindo uma aceleração vertiginosa nesse processo. “Foi só nos últimos 10 anos que se começou a fazer perguntas e a contestar ideias no setor, com as poucas intervenções resumindo-se à cabine do motorista”, diz ele. “Agora, no entanto, a evolução será inevitável, completa e irreversível.”

Futuro Desejável

Responsável na Volvo Trucks Corporation pela visão e estratégias de design de longo prazo para o programa de veículos da marca, Orell estabelece uma “retroprevisão” desde 2030 para delinear o futuro dos equipamentos de transporte. Segundo ele, as linhas evolutivas de um futuro desejável (“back casting”) serão baseadas principalmente no modo como os materiais se comportam, ajudando a mitigar as mudanças climáticas, e no menor uso de combustíveis fósseis, buscando criar alternativas energéticas ao petróleo.

Nesse sentido, a primeira e clara tendência está na energia obtida pela tração, aumentando a eficiência por meio de novas técnicas de propulsão. Uma das maneiras de se obter isso, conforme apontam as pesquisas do designer escandinavo, é com a instalação de motores elétricos nas rodas.  “O desenvolvimento passou para a parte traseira, para a superestrutura, pois na parte externa o potencial é limitado, uma vez que o desenvolvimento foi rápido e já não há muito que fazer”, opina.