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08 de abril de 2010
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Obras rodoviárias

Concessionárias privadas impulsionam novas tecnologias

Microfresadora de concreto e recicladoras de pavimento figuram entre as soluções adotadas pelas empresas para a otimização da obra e a maior rentabilidade da operação

Somente 10% da malha pavimentada brasileira opera sob concessão à iniciativa privada, mas são nessas estradas que a maioria das inovações tecnológicas são postas à prova para a maior eficiência em obras de construção, recuperação e manutenção do pavimento. O número 10, aliás, é simbólico para a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), que representa as empresas do setor: nove das 10 melhores estradas brasileiras eleitas pela revista Quatro Rodas são administradas por empresas privadas.

Para Moacyr Servilha Duarte, presidente da ABCR, esse resultado não é fruto de mágica. Essas estradas lideram o ranking porque as empresas precisam atingir indicadores de qualidade estabelecidos pelos órgãos concedentes e, para cumprir essa tarefa com eficiência e rentabilidade às operações, elas investem em tecnologia e novos processos. Muitas dessas inovações puderam ser constatadas no Congresso Brasileiro de Rodovias & Concessões (CBC&R 2009), realizado em setembro, pela ABCR.

Um exemplo interessante nessa área vem do grupo CCR, o maior do setor, que reúne oito concessionárias. A empresa vem adotando um novo processo de manutenção de pavimentos rígidos em rodovias brasileiras, antes utilizado apenas na recuperação de pistas de aeroportos. Segundo Francisco Mendes de Moraes Neto, diretor da CCR, a tecnologia empregada em trechos de pavimento de concreto do Rodoanel Mário Covas e da rodovia Castelo Branco, ambos em São Paulo, consiste numa modalidade de microfresagem à base de discos diamantados (cepilhado).

“O equipamento utilizado é semelhante às fresadoras de asfalto, mas dotado de discos diamantados que realizam o corte do pavimento como uma serra”, explica Ismael Mendes Alvim, diretor da Pavisan. Segundo ele, esses discos substituem os bits tradicionais das fresadoras que executam cortes diagonais nos pavimentos.

Moraes Neto, da CCR, destaca que uma das principais características do processo de microfresagem é que ele não produz danos no concreto, particularmente nas juntas. Nesse ponto, o equipamento se diferencia das fresadoras de asfalto tradicionais, que promovem a remoção do material por meio de marteladas desferidas pelas pontas de metal duro dos bits ou brocas. “Os discos diamantados cortam o pavimento sem provocar fissuras ou o desprendimento de agregados, evitando danos às juntas e às bordas das placas de concreto.”