FECHAR
FECHAR
15 de agosto de 2019
Voltar
Obras Rodoviárias

Logística na floresta

Utilizado pela 1ª vez no Brasil, Cable Crane soluciona dificuldade de acesso em trecho de serra na obra da Rodovia dos Tamoios; duplicação já está com mais de 50% de conclusão
Por Santelmo Camilo

Como todos que atuam no setor sabem bem, obter licenças ambientais é uma das etapas mais difíceis para a realização de uma obra. Imagine então quando a construção acontece em um ecossistema frágil, com mata nativa. Nesse caso, é preciso ainda mais empenho para que o projeto da obra atenda às inúmeras condicionantes, priorizando questões de conservação ambiental com igual – ou até maior – importância que as técnicas de engenharia.

Enfrentando o desafio, uma tecnologia utilizada pela Construtora Queiroz Galvão em uma obra realizada em pleno Parque Estadual da Serra do Mar, em São Paulo, chama a atenção não apenas por reduzir o impacto no entorno, mas também pelo ineditismo, permitindo manter o cronograma em dia e solucionar um problema logístico em um trecho difícil de túnel e viaduto, na obra de duplicação da Rodovia dos Tamoios (SP-099), em Caraguatatuba (SP).

Equipamento já completou 3 mil viagens transportando insumos na obra

Lançando mão da técnica, a empresa instalou um equipamento chamado Cable Crane, composto por torres e um guincho teleférico que possibilita a logística de movimentação de equipes, de material e até mesmo de máquinas pesadas acima da floresta.

SOLUÇÃO

Movido por motores, elétrico e hidráulico, o guincho iça as cargas e as transporta por cabo de aço por um trecho de 394 m de vão entre duas torres, uma delas com 42 m e a outra com 35 m de altura. A capacidade do sistema é de até 20 t, torando-se crucial para a obra. No final do mês de julho, quando a Revista M&T visitou as operações, o equipamento havia completado cerca de 3 mil viagens transportando concreto, material removido dos túneis e máquinas como bombas de concreto projetado, escavadeiras, tratores de esteiras, pás carregadeiras, jumbos, autobetoneiras, aço, fôrmas e demais insumos utilizados na obra.

Originalmente, o Cable Crane foi concebido para iniciar o emboque e as escavações do Túnel 3, além de dar apoio à construção do Viaduto V3, que terá 310 m de extensão. O engenheiro Euzair Rodrigues Siqueira Jr., gerente de equipamentos da obra, conta que havia dificuldade de acesso ao local, imposta pelas condições naturais e geotécnicas do terreno no trecho de serra, o que exigiu uma solução específica – e inédita. “Não havia outro método”, diz o gerente. “Sem esse equipamento, seria necessário abrir um caminho de serviço complexo, suprimindo uma área de 41 mil m2 de mata nativa.”