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09 de junho de 2016
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Mineração

A conquista do oeste

Extração de calcário no Mato Grosso do Sul utiliza frota de equipamentos como escavadeiras, pás carregadeiras, caminhões e britadores, que são exigidos ao extremo
Por Evanildo da Silveira

Fundada há 43 anos, a Mineração Bodoquena soube aproveitar o aumento da cultura da soja no estado do Mato Grosso do Sul para também crescer na extração de minérios químicos e fertilizantes. E como cresceu, diga-se de passagem. No decorrer das décadas, o número de caminhões carregados com pedra calcária passou de três para 50 por dia, enquanto a produção saltou de oito mil para 1,2 milhão toneladas de calcário por ano, mas com capacidade total para dois milhões.

Evidentemente, esse crescimento levou à necessidade de modernização da empresa. No começo, os veículos eram carregados nos braços do próprio fundador, Antônio Aranha, como ele mesmo gosta de contar. Atualmente, a frota da mineradora – que se localiza em Bela Vista, na região de Bonito (MS) – é composta por 17 máquinas, entre escavadeiras e pás carregadeiras, além de diversos caminhões, britadores e moinhos. Neste hiato de tempo, no entanto, muita água (ou melhor, pedra) rolou.

PIONEIRISMO

A história da Mineração Bodoquena começou nos anos 1970, quando migrantes vindos dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná começaram a expandir a cultura da soja no Mato Grosso do Sul.

Inicialmente, o maior problema era o fato de as terras do estado serem ácidas, o que prejudicava o aproveitamento dos fertilizantes pelas plantas. Desse modo, até 40% dos produtos eram perdidos. A solução adotada pelos pioneiros foi usar o calcário para corrigir a acidez do solo, uma vez que o calcário extraído do local chega a 80% no fator de correção de acidez do solo (PRNT). E eis que Aranha viu ali uma oportunidade de ganhar dinheiro. “A possibilidade de o estado se tornar rico em lavoura fez-me interessar pelo negócio”, conta ele, que largou o emprego num escritório em São Paulo e foi percorrer o Mato Grosso do Sul em busca de uma mina.

Depois de muito andar, o pioneiro finalmente encontrou a lavra que explora até hoje. A área total da Bodoquena é de 700 hectares, dos quais 50 se encontram em uma área de reflorestamento com espécies nativas. Segundo o diretor de equipamentos da empresa, Frederico Aranha, filho do fundador, a exploração do calcário é feita na mesma lavra de 15 hectares, desde a fundação da mineradora. “Na área total da Bodoquena há reserva de calcário para muitas gerações, que pode ser explorada por mais 50 anos”, dimensiona. Mas seu pai lembra que, no


Fundada há 43 anos, a Mineração Bodoquena soube aproveitar o aumento da cultura da soja no estado do Mato Grosso do Sul para também crescer na extração de minérios químicos e fertilizantes. E como cresceu, diga-se de passagem. No decorrer das décadas, o número de caminhões carregados com pedra calcária passou de três para 50 por dia, enquanto a produção saltou de oito mil para 1,2 milhão toneladas de calcário por ano, mas com capacidade total para dois milhões.

Evidentemente, esse crescimento levou à necessidade de modernização da empresa. No começo, os veículos eram carregados nos braços do próprio fundador, Antônio Aranha, como ele mesmo gosta de contar. Atualmente, a frota da mineradora – que se localiza em Bela Vista, na região de Bonito (MS) – é composta por 17 máquinas, entre escavadeiras e pás carregadeiras, além de diversos caminhões, britadores e moinhos. Neste hiato de tempo, no entanto, muita água (ou melhor, pedra) rolou.

PIONEIRISMO

A história da Mineração Bodoquena começou nos anos 1970, quando migrantes vindos dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná começaram a expandir a cultura da soja no Mato Grosso do Sul.

Inicialmente, o maior problema era o fato de as terras do estado serem ácidas, o que prejudicava o aproveitamento dos fertilizantes pelas plantas. Desse modo, até 40% dos produtos eram perdidos. A solução adotada pelos pioneiros foi usar o calcário para corrigir a acidez do solo, uma vez que o calcário extraído do local chega a 80% no fator de correção de acidez do solo (PRNT). E eis que Aranha viu ali uma oportunidade de ganhar dinheiro. “A possibilidade de o estado se tornar rico em lavoura fez-me interessar pelo negócio”, conta ele, que largou o emprego num escritório em São Paulo e foi percorrer o Mato Grosso do Sul em busca de uma mina.

Depois de muito andar, o pioneiro finalmente encontrou a lavra que explora até hoje. A área total da Bodoquena é de 700 hectares, dos quais 50 se encontram em uma área de reflorestamento com espécies nativas. Segundo o diretor de equipamentos da empresa, Frederico Aranha, filho do fundador, a exploração do calcário é feita na mesma lavra de 15 hectares, desde a fundação da mineradora. “Na área total da Bodoquena há reserva de calcário para muitas gerações, que pode ser explorada por mais 50 anos”, dimensiona. Mas seu pai lembra que, no começo, tudo foi muito difícil. “Eu não tinha experiência e tive de aprender na prática para ensinar os meus funcionários, que vinham majoritariamente do Paraguai”, rememora. “E eles não falavam sequer espanhol, só guarani. Então, eu tinha de adivinhar o que eles estavam querendo dizer. Mas com o tempo aprendi, e comecei a ter sucesso no negócio.”

Hoje, a Mineração Bodoquena emprega 90 pessoas. Para extrair o calcário da mina e realizar as outras atividades do processo produtivo, a empresa conta com uma frota de máquinas da marca Case CE, que começaram a ser adquiridas em 1984. Ao todo, são 14 pás carregadeiras, sendo quatro unidades do modelo 821E, quatro 721E e seis W20E, além de três escavadeiras hidráulicas, incluindo duas unidades CX470B e uma CX350E. Completam a frota quatro caminhões basculantes Mercedes-Benz, com capacidade de carga de 27 toneladas, e um de 35 toneladas, da mesma marca. “Para o processo, escolhemos as máquinas da Case por serem rápidas e bem adequadas aos nossos serviços”, garante Aranha. “O atendimento da concessionária Tork também é próximo e oportuno. Sempre que precisamos, eles estão aqui.”

PROCESSO

Como se sabe, o primeiro passo para a produção do calcário é detonar pequenas partes da pedreira – a média é de duas a três explosões por semana. Depois disso, uma pá carregadeira 821E com peso operacional de 18 toneladas e 227 hp de potência – ou mesmo uma 721E (com 14 t e 195 hp) – faz a limpeza do local, juntando as pedras e abrindo espaço para a entrada dos caminhões e da escavadeira hidráulica CX470B (ou da CX350B), que sobe no desmonte para carregar os veículos.

A primeira, de 47 toneladas de peso operacional e 362 hp de potência, carrega em torno de oito caminhões de 27 toneladas por hora. Mas nem sempre foi assim. “Até 2013, usávamos duas pás carregadeiras para carregar os veículos”, conta Frederico Aranha. “Mas, naquele ano, trocamos o trabalho das duas pelo de uma escavadeira, que realmente é mais rápida e eficiente. Com isso, conseguimos reduzir o custo de produção em 20%.”

Do local de detonação, as pedras são levadas para os britadores primário e secundário. A empresa possui seis desses equipamentos, dos quais cinco operam simultaneamente, enquanto um fica de reserva. Depois do último britador – no caso, um modelo cônico –, as pedras já cominuídas caem em correias, que as transportam para os moinhos, onde são transformadas em pó, de textura semelhante a um “talco”, que é o calcário propriamente dito. E as pedras menores que sobram neste processo são comercializadas como brita para a construção.

O produto acabado é então estocado no pátio da mineradora, em grandes montes. Para expedição, o produto é carregado dessas pequenas montanhas diretamente para os caminhões dos clientes. Para isso, são usadas as pás carregadeiras 821E e 721E, só que equipadas com balanças no sistema hidráulico. “Elas dão mais precisão ao trabalho de carregamento, eliminando o retrabalho e reduzindo custos”, explica Frederico Aranha. “Isso porque evita que a carga ultrapasse ou não atinja a capacidade do veículo ou o pedido do cliente.”

CUIDADOS

Neste trabalho pesado, em que as máquinas são exigidas ao extremo, é necessário contar com uma rotina adequada de manutenção. Segundo Frederico Aranha, na Mineração Bodoquena a preventiva é diária. “Toda vez que pega o equipamento, o operador cria um mapa, no qual indica o dia, a hora e o local em que vai operar com ela, além do trabalho que irá realizar”, explica o diretor de equipamentos. “Quando termina de trabalhar, ele fecha o mapa registrando para quem vai passar a máquina, verificando os filtros e outras peças, mas também se encheu o tanque, enfim, tudo o que requer inspeção. Se tiver algum problema na parte elétrica, por exemplo, o operador lança nesse mapa e entrega no escritório, avisando o responsável.”

Além disso, uma atenção especial é reservada ao óleo. A revisão atende a um ciclo de 250 horas, quando é trocado o óleo e o sistema de ar, tanto interno como externo. A cada 500 horas, além da revisão, é trocado o óleo do sistema hidráulico e de rodagem, o que também se repete a cada 1.000 horas, de acordo com a especificação da máquina. Além disso, desde o ano passado os óleos do motor, do diferencial e do sistema hidráulico são coletados e analisados. “O objetivo é verificar se há contaminação com terra e a presença de limalha de ferro ou outros metais”, explica Frederico Aranha. “Isso indica o desgaste de rolamentos, por exemplo, ou de outras peças. Com isso, é possível trocá-las antes que quebrem.”

Mineradoras adiam renovação da frota no MS, diz diretor

O Brasil consome 33 milhões de toneladas de calcário por ano, volume totalmente produzido no país. Apesar de ter crescido nos últimos anos, esse montante ainda é menor do que a metade recomendada por pesquisadores do setor, segundo dados da Associação Brasileira dos Produtores de Calcário Agrícola (Abracal). Além disso, por causa da crise econômica, as vendas do produto caíram no ano passado em relação ao anterior. “Em 2014, nós vendemos 1,1 milhão de toneladas e, em 2015, apenas 850 mil”, informa Frederico Aranha, diretor de equipamentos da Mineração Bodoquena. “O preço também caiu, mas não só para nós. Para a concorrência também, de modo que a queda foi geral.”

Apesar disso, a perspectiva para 2016 é de crescimento, recuperando parte das perdas de 2015, mas ainda sem atingir os níveis obtidos em 2014. “Nossa expectativa é de comercializar um milhão de toneladas neste ano”, diz o especialista. “Os agricultores tiveram uma safra boa, pois colheram em torno de 60 ou 70 sacos de soja por hectare. Poderia ter sido melhor, uma vez que choveu acima do normal e muita soja estragou na lavoura. É nesta hora, quando chove muito, que o agricultor percebe a falta que o calcário faz. Quem usou o produto colhe 60 ou 70 sacos, enquanto aquele que não colocou calcário colhe só 45.”

Aranha conta que, até abril, a empresa já havia vendido 110 mil toneladas de calcário. No ano passado, nesse mesmo período, foram movimentadas 150 mil toneladas. “Mas cada ano é cada ano, às vezes começa comprador e não vai adiante, ao passo que em outros momentos inicia ruim e, no final, atropela”, diz ele, revelando que as empresas da região estão protelando a renovação das frotas. “Todo mundo está com medo, seguramos investimentos e gastos. Em 2015, não compramos máquinas, mas se 2016 for bom, no ano que vem vamos adquirir mais.”