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16 de julho de 2021
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Sistemas de Perfuração

Hegemonia consolidada

Com maior produtividade e menor consumo, porém mais caros, modelos hidráulicos superam na demanda seus similares pneumáticos, que ainda mantêm nicho de uso no país
Por Antonio Santomauro

Diferenciais altamente favoráveis em quesitos muito relevantes – como produtividade, consumo de combustível e, mais recentemente, possibilidade de uso de eletrônica embarcada – consolidaram a hegemonia dos equipamentos hidráulicos no mercado de sistemas de perfuração. No Brasil, essas soluções já são demandadas em quantidades superiores às das perfuratrizes pneumáticas, que todavia – ao aliarem adequação a aplicações específicas a um custo mais acessível de aquisição – ainda mantêm seu nicho.

Como relata o gestor de vendas da Wolf, Paulo Hipólito, as perfuratrizes pneumáticas são utilizadas basicamente no desenvolvimento de lavra em terrenos mais acidentados, onde a movimentação de equipamentos hidráulicos é mais difícil. Nas demais aplicações, ele compara, “com uma carreta hidráulica consegue-se o dobro da produção (ou até mais), consumindo menos da metade de combustível”.

Além disso, ressalta Hipólito, a perfuratriz hidráulica precisa de apenas um operador, enquanto a versão pneumática normalmente requer operador e ajudante. Em seu portfólio de perfuratrizes – ou ‘carretas de perfuração’, segundo a denominação mais antiga utilizada no setor –, a Wolf disponibiliza tanto equipamentos hidráulicos quanto pneumáticos. “Hoje, contudo, a maior demanda de nossos clientes está claramente voltada para os hidráulicos”, reitera Hipólito.

Dentre outras características, modelos hidráulicos requerem apenas um operador

PRODUTIVIDADE

Ademais, há bons motivos para isso. De acordo com Rosana Rodrigues, gerente de desenvolvimento de negócios da Epiroc, as carretas hidráulicas apresentam uma relação de custo x benefício significativamente mais favorável. Além disso, propiciam melhor ergonomia e maior conforto para o operador. “Essas máquinas são a


Diferenciais altamente favoráveis em quesitos muito relevantes – como produtividade, consumo de combustível e, mais recentemente, possibilidade de uso de eletrônica embarcada – consolidaram a hegemonia dos equipamentos hidráulicos no mercado de sistemas de perfuração. No Brasil, essas soluções já são demandadas em quantidades superiores às das perfuratrizes pneumáticas, que todavia – ao aliarem adequação a aplicações específicas a um custo mais acessível de aquisição – ainda mantêm seu nicho.

Como relata o gestor de vendas da Wolf, Paulo Hipólito, as perfuratrizes pneumáticas são utilizadas basicamente no desenvolvimento de lavra em terrenos mais acidentados, onde a movimentação de equipamentos hidráulicos é mais difícil. Nas demais aplicações, ele compara, “com uma carreta hidráulica consegue-se o dobro da produção (ou até mais), consumindo menos da metade de combustível”.

Além disso, ressalta Hipólito, a perfuratriz hidráulica precisa de apenas um operador, enquanto a versão pneumática normalmente requer operador e ajudante. Em seu portfólio de perfuratrizes – ou ‘carretas de perfuração’, segundo a denominação mais antiga utilizada no setor –, a Wolf disponibiliza tanto equipamentos hidráulicos quanto pneumáticos. “Hoje, contudo, a maior demanda de nossos clientes está claramente voltada para os hidráulicos”, reitera Hipólito.

Dentre outras características, modelos hidráulicos requerem apenas um operador

PRODUTIVIDADE

Ademais, há bons motivos para isso. De acordo com Rosana Rodrigues, gerente de desenvolvimento de negócios da Epiroc, as carretas hidráulicas apresentam uma relação de custo x benefício significativamente mais favorável. Além disso, propiciam melhor ergonomia e maior conforto para o operador. “Essas máquinas são ainda mais seguras e permitem aos operadores trabalhar com maior qualidade – portanto, com maior produtividade”, ela complementa.

Sem falar que as carretas hidráulicas, como ressalta Edvaldo Santos, gerente de negócios da Epiroc, tornam-se a cada dia mais eficientes e precisas. Seu consumo de diesel, por exemplo, atualmente é menos da metade do que era há dez ou 15 anos. Por sua vez, os recursos de eletrônica – disponíveis em maior escala justamente para os equipamentos hidráulicos – ampliaram significativamente sua eficiência. “Com a tecnologia Hole Navigation System, por exemplo, já nem é necessário marcar os locais dos furos, pois a máquina recebe todas as instruções via rede sem fio ou pen drive, reduzindo para algo em torno de 5 a 10 cm os erros que antes podiam superar um metro”, diz Santos.

Não menos significativo, as carretas também podem ser controladas de dentro da cabine ou de forma remota, complementa o especialista. A Epiroc, que no Brasil só atua com as soluções hidráulicas, demonstrou recentemente esse recurso ao realizar uma perfuração controlada a 8.100 km de distância, operando um equipamento no estado norte-americano do Texas, nos EUA, desde Estocolmo, na Suécia, onde está sediada a empresa.

No Brasil, relata Santos, uma mineradora já utiliza a tecnologia de controle remoto das carretas de perfuração em uma de suas plantas. “O operador fica em uma cabine remota, a distância segura – de até 200 m –, de onde pode controlar até três máquinas”, descreve o gerente de negócios.

FUNCIONALIDADES

Outra gigante escandinava, a Sandvik disponibiliza soluções para perfuração e desmonte com diâmetros que variam entre 22 mm e 406 mm, destinadas a setores como mineração, pedreiras de agregados e obras de infraestrutura, entre outros.

Como destaque, o gerente de desenvolvimento de negócios da empresa, Daniel Corrêa, cita o modelo Leopard DI650i, versão iSeries, lançado há cerca de três anos e dotado de funcionalidades que, segundo ele, incrementam significativamente a produtividade e a eficiência.

Isso inclui escalonamento para automação, sistema de gestão do compressor para otimizar o consumo de combustível, perfuração automática com ciclo completo de adição e retirada dos tubos na profundidade requerida, assim como sistema automático de alinhamento da lança – que permite melhor paralelismo entre furos – e alinhamento automático do ângulo. “O equipamento também traz interface touch screen e possibilidade de salvar os ajustes de perfuração em um pré-set, que pode ser selecionado na tela e utilizado de forma imediata, inclusive como padrão para cada condição de rocha existente no site de perfuração”, complementa Corrêa.

Além disso, a empresa também já disponibiliza soluções que possibilitam a operação remota de suas carretas de perfuração. “Em outros países já temos carretas operadas remotamente, principalmente na mineração”, destaca o gerente. “As soluções utilizam o sistema de telemetria SanRemo, que permite obter dados do equipamento tanto através da internet quanto de nosso aplicativo.”

Além da telemetria, as carretas da Sandvik contam com recursos operacionais como martelo hidráulico (redesenhado para intervalos maiores de manutenção preventiva), sistema de absorção de choque de ondas (que contribui para maior vida útil das ferramentas de perfuração) e sistema de perfuração automática (que pode ser implementado por meio de operação remota), dentre outros. “Definitivamente, as carretas hidráulicas oferecem uma relação de custo x benefício superior à das pneumáticas, principalmente se considerarmos fatores como produtividade, furos mais retilíneos e custos inerentes ao processo, incluindo as ferramentas de perfuração”, concorda Corrêa.

CONTROLE

Talvez isso explique por que, mesmo exigindo um investimento maior, as carretas hidráulicas tenham demanda crescente, como aponta Gilwanne de Souza Júnior, consultor comercial da PW Hidro, cujo portfólio inclui perfuratrizes hidráulicas e pneumáticas. “Hoje, os clientes maiores ou mesmo de médio porte pedem logo uma máquina hidráulica, pois sabem que propicia uma condição de TCO (Total Cost of Ownership) mais favorável”, relata.

Opcionais como inclinômetro e horímetro têm alta demanda em máquinas hidráulicas

A empresa fornece equipamentos com diâmetros entre 28 e 205 mm, o que inclui desde equipamentos manuais com 5 kg até carretas de 16 ton. Como opcionais, os equipamentos incluem profundímetro, inclinômetro, horímetro, sistema de injeção de água, sistema antiencravamento, cabine ROPS/FOPS e outros. “São opcionais bastante demandados, mas basicamente para máquinas hidráulicas”, diz.

O consultor destaca que as carretas da marca também podem incluir sistemas de telemetria e localização via GPS, que permitem controlar tanto a posicionamento do equipamento quanto os pontos de início e fim do furo. “Mas essa é uma tecnologia ainda cara para a realidade brasileira”, reconhece.

Sem pestanejar, o especialista também avalia que as carretas pneumáticas ainda mantêm seu nicho de aplicação, principalmente por agregarem características como versatilidade, confiabilidade e preço. “Juntamente com as máquinas hidráulicas, muitas plantas de grande produtividade também têm uma máquina pneumática para operar nos locais onde o acesso é mais difícil”, diz o profissional da PW Hidro, destacando ainda um uso recorrente de modelos pneumáticos em serviços de geotecnia, valas para oleodutos e minerodutos e pedreiras com volumes menores de produção (até aproximadamente 20 mil t/mês), “nas quais seu desempenho e produtividade são mais que suficientes”, como ele assegura.

INTEGRAÇÃO

Notoriamente, a evolução da tecnologia em carretas de perfuração – especialmente dos modelos hidráulicos – já provocou profundas mudanças também nas formas como são comandadas.

Todas as carretas da Epiroc, por exemplo, atualmente são comandadas eletronicamente, por meio de joysticks. “Alguns equipamentos ainda têm os chamados ‘comandos diretos’, ou comandos hidráulicos pilotados, mas nada mais de alavancas”, acentua Santos. “E todas as perfuratrizes disponibilizam as mais diversas informações da operação em uma tela voltada para o operador.”

Novos sistemas permitem alinhamento automático do ângulo da lança

Embasada em uma integração completa de sistemas e processos, essa evolução vem inclusive proporcionando autonomia aos equipamentos. A própria Epiroc já implementou uma perfuratriz de superfície – modelo SmartROC D65 – com operação totalmente autônoma no Canadá, onde a Vale também já conta com equipamentos elétricos da marca para escavação subterrânea, cabendo à fabricante fazer a gestão, manuseio e descarte das baterias. “Até 2030, a empresa pretende oferecer versões a bateria para todos os seus modelos de equipamentos”, antecipa Santos.

No portfólio atual, a Epiroc disponibiliza perfuratrizes para diversas aplicações em mineração de superfície, exploração mineral, pedreiras, construção civil e perfuração de poços. Os equipamentos são agrupados em seis famílias, com destaque para carretas de perfuração roto-percussivas a céu aberto, sondas rotativas de exploração mineral com recuperação de testemunhos e plataformas de perfuração para óleo e gás.

Já a linha de perfuratrizes da Joy Global – adquirida em 2017 pela Komatsu, que em breve deve anunciar novidades para a marca –, inclui equipamentos para furos com diâmetros entre 4,5” e 17”, em versões diesel e elétricas, além de roto-percussivas (no caso de máquinas com porte até 11”) e rotativas (nos demais casos).

Todas essas máquinas, afirma Paulo Torres, diretor de desenvolvimento de negócios da empresa, trazem diversas funções automáticas e podem, inclusive, ser operadas remotamente. “Uma de nossas perfuratrizes de médio porte – a 77XR – tem a função para troca de bits totalmente automatizada, eliminando assim o risco de acidentes e reduzindo consideravelmente o tempo gasto na substituição”, ele detalha.

Possibilidade de operação remota é outro atrativo dos modelos mais recentes

Esse modelo, prossegue Torres, também é equipado com compressores inteligentes, que regulam a pressão de acordo com a dureza da rocha que está sendo perfurada, evitando o desgaste prematuro do componente. “Atualizamos nosso portfólio de perfuratrizes por se tratar de um mercado no qual apostamos bastante”, destaca o profissional da Komatsu. “Afinal, as perfuratrizes são fundamentais para todas as companhias mineradoras, principalmente de ferro, cobre e ouro.”

RECURSOS

Na Wolf, Hipólito relata que as carretas hidráulicas atuais trazem recursos de série como inclinômetro digital – que confere maior precisão na angulação dos furos – e ‘stop inteligente’, que coloca as máquinas automaticamente em ‘stand-by’ após alguns minutos sem operação.

Também como padrão, as perfuratrizes da marca disponibilizam um painel digital com informações relacionadas a temperatura, pressão e consumo de combustível, dentre outros parâmetros, além de informar sobre falhas e possíveis soluções. “Essa tecnologia pode ser integrada a equipamentos anteriores da marca, sem custos para o cliente, durante as revisões na fábrica”, diz Hipólito, destacando a possibilidade de retrofit.

Algumas perfuratrizes da Wolf também emitem relatórios de produção e consumo médio de combustível. “O próximo passo será integrar essa tecnologia a redes que permitam a gestão remota das operações”, adianta o executivo.

Sistemas hidráulicos têm custo maior de manutenção

De maneira categórica, o gestor de vendas da Wolf, Paulo Hipólito, afirma que uma per-furatriz hidráulica de perfuração faz o trabalho de duas pneumáticas. Essa comparação, é legítimo concluir, não abrange apenas o desempenho, mas também a manutenção.

Implementos para perfuração de rocha também podem ser acoplados a escavadeiras

Ou seja: é possível contrapor o custo de manutenção de um modelo hidráulico com o de duas pneumáticas. “No caso das carretas pneumáticas, há dois motores diesel, duas tro-cas de óleo, filtros e dois martelos, entre outros itens”, comenta o profissional da Wolf, que também disponibiliza implementos hidráulicos para perfuração de rocha da linha ‘Sonic’, que podem ser acoplados a escavadeiras.

Sandvik apresenta novas ferramentas de perfuração da linha PowerCarbide

Específicas para aplicações DTH, ferramentas prometem aumentar em até 45% a vida útil dos bits

Indicadas para rochas duras e abrasivas, as novas ferramentas SH69 foram desenvolvidas especificamente para aplicações down-the-hole, prometendo aumentar a vida útil dos bits em até 45%.

Com propriedades homogêneas em todo o material, as classes “self-hardening” (SH) se tornam mais duras e resistentes ao desgaste à medida que a perfuração ocorre, assegura a empresa.

“Agora podemos oferecer aos nossos clientes uma classe de carbeto cimentado, que pode fazer uma grande diferença em suas operações em termos de desempenho, produtividade e sustentabilidade”, diz Xueying Hai, gerente de produto Down-The-Hole Bits da Sandvik Mining and Rock Solutions. “Com menos consumo de bits, há uma clara melhora na pegada de CO2 envolvendo fabricação e logística.”

Saiba mais:
Epiroc: www.epiroc.com/pt-br
Komatsu: www.komatsu.com.br
PW Hidro: www.pwhidro.com.br
Sandvik: www.rocktechnology.sandvik
Wolf: www.wolf.com.br

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