06 de dezembro de 2017 - 08h53

Otimismo das empresas aumenta

Atividade da construção começou a dar sinais de reação

Fonte: Valor Econômico

Ao longo dos próximos meses, o crescimento gradual da economia deve manter positiva a trajetória dos indicadores de confiança do setor privado.

Em novembro, o Índice de Confiança Empresarial (ICE), da Fundação Getulio Vargas, aumentou 1,5 ponto, para 91,8 pontos.

A alta foi menos intensa que a de outubro (2,6 pontos), mas não deve alterar a direção do indicador, diz Aloisio Campelo Jr., do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV).

A média móvel de três meses do ICE, mais apropriada para indicar tendências, avançou 1,9 ponto no período.

O índice agrega a confiança da indústria, do comércio, dos serviços e da construção. Os dois componentes do indicador de confiança subiram.

O índice de expectativas (IE) aumentou 1,1 ponto, mais que o de situação atual (ISA) mantendo a distância próxima dos 12 pontos e indicando que as expectativas continuam melhores que a realidade.

"Considerando que as expectativas melhoraram, em condições normais o índice pode continuar crescendo por alguns meses diante da recuperação da economia", afirmou Campelo, para quem essa melhora deve ocorrer independentemente de turbulências políticas.

A partir de julho, segundo ele, os índices começaram a se recuperar e continuaram assim a despeito do cenário político.

Campelo diz que, nos últimos meses, ruídos políticos não têm afetado tanto a condução da política econômica. Houve margem para trabalhar temas importantes, como o programa de concessões, além de a inflação continuar sob controle e os juros baixos "Teria que ser um choque muito grande para a economia não continuar em recuperação", disse.

Em novembro, a atividade industrial foi o principal segmento a impulsionar o aumento da confiança empresarial, devido aos sinais de melhora na demanda e na atividade.

A atividade da construção começou a dar sinais de reação, o que também contribuiu para a trajetória positiva da confiança empresarial, observou Campelo.

"A economia começou a se mexer", resume. A confiança da indústria tem crescido ao longo de todo o segundo semestre e se aproxima do ponto de virada, 100 pontos, linha que divide otimismo de pessimismo.

Em novembro, o indicador medido pela FGV atingiu 98,3 pontos, o maior nível desde janeiro de 2014, antes do início da recessão, quando marcou 100,1 pontos.

Esse aumento de confiança é marcado pela a melhora expressiva das avaliações do setor sobre situação atual, indicando que os empresários estão, de fato, sentindo uma recuperação em seus negócios.

De julho a novembro, o índice de situação atual da indústria subiu 10,2 pontos, enquanto o índice de expectativas aumentou 7,3 pontos. É também na indústria que esses dois indicadores estão mais próximos.

A diferença entre eles é de apenas 2,2. O ISA está em 97,2 e o IE e 99,4. Nos outros setores, esses dois indicadores seguem distantes, com os de expectativas bem acima dos de situação atual, mostrando que a esperança de dias melhores ainda precisa se traduzir em realidade.

No setor de construção, enquanto as expectativas estão em 89,4 pontos, a avaliação do presente está num distante 69,2 pontos, diferença de 20,2 pontos.

Em novembro, entre as empresas, apenas na indústria (2,9 pontos) e na construção (1,1 ponto) houve aumento de confiança, com serviços e comércio caindo 0,1 ponto cada. A média móvel trimestral, no entanto, foi positiva em todos.

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