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30 de abril de 2010 - 16h13

Rapidez no posicionamento do bate-estacas flutuante

Com o uso de tecnologia baseada em GPS, bate-estacas flutuante vence o desafio de se posicionar com rapidez e precisão para a cravação de estacas inclinadas

A implantação do Tecon Santa Catarina, um terminal de contêineres privado localizado em Itapoá (SC), está sendo realizada pela Construtora Andrade Gutierrez e envolve a execução de um píer marítimo de 600 m de comprimento por 40 m de largura. A estrutura desse píer é formada por peças de concreto pré-moldado apoiadas sobre 700 estacas de concreto, muitas delas inclinadas para a maior resistência aos movimentos das marés.

A produção e cravação dessas estacas vêm exigindo um planejamento logístico apurado, que começa na fabricação dos pré-moldados. Nesse processo são utilizadas formas fixas para a concretagem das peças e pórticos rolantes para o seu transporte até os pátios de armazenamento. Quando o concreto atinge a dureza adequada, as estacas são descarregadas sobre bóias metálicas e rebocadas até o bate-estacas flutuante, onde são elevadas por um guincho que as repousa no martelo.

Nesse momento, as estacas estão prontas para cravação até a cota de arrasamento. Entretanto, durante esse processo é fundamental que o bata-estacas permaneça imóvel em uma posição específica e, para isso, o flutuante conta com oito âncoras. O posicionamento do flutuante costuma consumir horas de topografia convencional e é particularmente delicado no caso das estacas inclinadas. Para posicioná-lo, os cabos das ancoras são tracionados e/ou afrouxados sob orientação da topografia, até que seu martelo esteja exatamente sobre o ponto de cravação.

Na cravação de uma estaca vertical, esse ponto independe de o flutuante estar orientado para uma direção exata, pois a estaca será cravada verticalmente até a nega e arrasada na cota determinada. Já no caso das estacas inclinadas, como o martelo pende para uma direção fixa, o desafio é posicionar o flutuante voltado para a direção da cravação, de forma que o eixo da estaca passe pelo ponto exato de arrasamento ao longo da cravação.

Essa dificuldade de posicionar o flutuante está sendo solucionada com rapidez e precisão pelo sistema Hydro, que elimina as muitas horas antes consumidas pelo processo tradicional. Em cerca de 10 minutos, ele possibilita que a embarcação seja posicionada na direção exata, com precisão de alguns centímetros, evitando ainda o inconveniente da topografia convencional de não funcionar à noite e nem sob neblina.

O sistema é composto por um computador de bordo, equipado com o software Hydro Pro Construction, e por dois receptores GNSS (GPS+Glonass) embarcados, que estabelecem o vetor que orienta a direção do flutuante. Ele também conta com um clinômetro digital que analisa a atitude da embarcação e utiliza esse dado nos cálculos de posicionamento, determinando os valores de “banda” e “trim” (as inclinações nos sentidos transversal e longitudinal). Além disso, um receptor GNSS fica instalado em terra, sobre um marco topográfico e a uma distância de 400 m, para transmitir as correções diferenciais em tempo real.

Quando o sistema foi instalado na obra, a fundação do píer já contava com 100 estacas verticais executadas e a construtora estava iniciando a cravação das estacas inclinadas com o uso de topografia convencional. Para isso, a obra mobilizava um bate- estacas com capacidade de inclinação, chamado de Rainha do São Francisco, e outro específico para a cravação de estacas verticais, o Van Helsing. O Rainha do São Francisco possui guincho próprio, que iça estacas para colocá-las no martelo, e o Van Helsing depende de um guindaste flutuante que o acompanhe.

Desde a adoção do sistema Hydro, a rapidez obtida na operação do Rainha do São Francisco possibilitou que somente ele – e seu guincho – passassem a executar toda a cravação de estacas, tanto verticais quanto inclinadas. Dessa forma, a obra pode desmobilizar o flutuante Van Helsing e o guindaste adicional.

Com esse exemplo de economia e ganho de produtividade, a nossa coluna “Geotecnologia”, cujos primeiros artigos mostraram o uso de GPS em topografia e no controle de máquinas de terraplenagem, apresenta agora a sua aplicação em construção marítima. Para os profissionais do setor, fica a constatação de que essa tecnologia já não representa uma simples tendência, mas uma solução que veio para ficar.
(*) Franco Brazílio Ramos é engenheiro engenheiro civil e gerente de produto da área Machine Control da empresa Santiago & Cintra.

SÁBADO - 26 de JUNHO de 2014
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