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Indústria espera recuperação lenta e gradual da economia

Empresas acompanham com cautela o desempenho econômico do país e adiam o investimento em maquinário e na ampliação da equipe

R7

19/11/2019 11h00 | Atualizada em 19/11/2019 11h14

A economia brasileira começou a dar sinais de recuperação, mas os resultados ainda não foram suficientes para o empresariado aumentar os investimentos em maquinário e no seu quadro de funcionários.

A constatação é de representantes de entidades de três setores da economia: CNI Confederação Nacional da Indústria (CNI), Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Associação Brasileira da Indústria Materiais de Construção (Abramat) e Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

“Os números nos autorizam a sermos cautelosos. Há uma expectativa otimista, mas os resultados ainda estão oscilando muito. A indústria deve produzir menos do que no ano passado. Aliás, o Brasil está produzindo menos do que em 2014”, diz o economista Mauro Rochlin, professor dos MBAs da FGV – Fundação Getulio Vargas.

Rochlin acredita que os investimentos devem demorar para serem efetivados porque “a indústria não vai comprar máquina para ficar parada”.

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A economia brasileira começou a dar sinais de recuperação, mas os resultados ainda não foram suficientes para o empresariado aumentar os investimentos em maquinário e no seu quadro de funcionários.

A constatação é de representantes de entidades de três setores da economia: CNI Confederação Nacional da Indústria (CNI), Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Associação Brasileira da Indústria Materiais de Construção (Abramat) e Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

“Os números nos autorizam a sermos cautelosos. Há uma expectativa otimista, mas os resultados ainda estão oscilando muito. A indústria deve produzir menos do que no ano passado. Aliás, o Brasil está produzindo menos do que em 2014”, diz o economista Mauro Rochlin, professor dos MBAs da FGV – Fundação Getulio Vargas.

Rochlin acredita que os investimentos devem demorar para serem efetivados porque “a indústria não vai comprar máquina para ficar parada”.

“Ainda há uma parte da indústria que está ociosa e que pode facilmente atender o aumento moderado da demanda que estamos sentindo, sem a necessidade de investimento em maquinário ou contratação de profissionais. O desemprego continua alto, o consumo continua pequeno, com isso o empresário não vai aumentar a sua produção.”

Marcelo Azevedo, economista da CNI, segue a mesma linha que Rochlin. Segundo ele, havia uma crença de que o ano iria começar com uma recuperação acelerada, o que não aconteceu e acabou frustrando todo mundo.

“Os empresários nunca deixaram de ser otimistas, mas estão avaliando o cenário com moderação em relação ao resultado que esperavam no fim do ano passado e no início de 2019”, afirma.
Para Azevedo, será uma recuperação lenta, porém consistente. “Durante o primeiro semestre inteiro, o resultado foi pequeno e interrompido diversas vezes. Nos últimos meses, observamos uma leve recuperação, no entanto, mais sustentável. Mesmo sabendo que não vamos descolar muito do desempenho do ano passado, é mais animador acompanhar esse cenário”, comenta o economista da CNI.

O crescimento em 2020, de acordo com Azevedo, não vai se descolar muito do de 2018, mesmo com a movimentação do Congresso Nacional para aprovação das reformas da Previdência, Tributária e Administrativa.

“A única reforma que daria um efeito imediato seria a tributária. As demais não têm efeito imediato, mas são importantes para o ajuste fiscal.”

Construção civil inicia recuperação
Rodrigo Navarro, presidente da Abramat, também espera uma retomada progressiva e sustentável.

“Ninguém está iludido que a retomada será de uma hora para outra. Temos um otimismo consciente e moderado”, diz Navarro.

Segundo ele, o setor acumula uma série de resultados negativos desde 2015 (-7,2%), 2016 (-13,5%) e 2017 (-3,1%). Somente a partir de 2018 foi apontado um leve crescimento (+1).

“Nossa previsão para 2019 é de um crescimento de 1,5%, podendo ser ultrapassado se considerarmos que no acumulado até outubro atingimos 1,9%”, pontua Navarro.

Na conjuntura macroeconomia, Navarro avalia que os juros baixos, o varejo aquecido e a retomada das obras de construção residencial e comercial devem propiciar um bom desempenho da economia até o fim do ano.

“O governo sinalizou a retomada de obras de infraestrutura assim que o quadro econômico melhorasse. Com a reforma da Previdência, já ganhamos um alento para viabilizar a retomada. Temos consciência de que não teremos um crescimento de 10% de um ano para o outro, mas esperamos uma recuperação constante e sustentável.”
Para José Carlos Martins, presidente da Cbic, o único setor da construção civil que tem mostrado melhoras é o do mercado imobiliário. As obras de infraestrutura, públicas, industriais e corporativas, continuam congeladas.

Dentro do mercado imobiliário, segundo ele, obras de programas sociais como o Minha Casa, Minha Vida também estão paralisadas.

“O que vem movimentando o setor são os financiamentos com recursos da caderneta de poupança”, sinaliza.

Na opinião dele, está faltando a criação de projetos de infraestrutura menores, que são mais rápidos de saírem do papel.

Entre eles, obras municipais em praças, parques, rodoviárias, estacionamentos, rede de água dentro da cidade, projetos de iluminação pública e de resíduos sólidos.

“Licitação para obras grandes demora entre 5 e 10 anos para ser aprovada e sair do papel. Precisamos de projetos que iniciem logo para gerar emprego e obras para o setor”, diz

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