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11 de maio de 2015
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Motoniveladoras

Volta à normalidade

Excluindo as compras do MDA, que inflaram o mercado nos últimos anos, fabricantes de motoniveladoras esperam obter um volume de vendas semelhante ao de 2014

Inflacionado pela compra de 5.060 equipamentos realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) entre os anos de 2011 e 2014 (leia Box na pág. 40), o mercado de motoniveladoras comercializou um volume atípico (para não dizer anômalo) no período. Agora, definitivamente sem poder contar com uma nova ação de compra do governo, as empresas do setor demonstram maior cautela e já falam em investimentos de longo prazo para manter a margem de lucro neste nicho.

A Caterpillar, por exemplo, olha com bastante atenção o volume de vendas obtido no ano passado. O gerente comercial do segmento de construção da empresa, José Eduardo Fonseca, confirma que em 2014 o potencial do mercado acabou distorcido pelas compras realizadas via MDA. Excluindo isso, como ele acentua, as vendas do último ano já se mostraram abaixo do registrado em 2013, denotando a interferência direta do programa. “Por participarmos com sucesso do leilão do MDA, entre 2013 e 2014 pudemos entregar um pacote grande de equipamentos”, explica. “Neste período, foram fornecidas mais de três mil unidades, o que nos garantiu um volume significativo de produção até o primeiro semestre do ano passado.”

Fonseca concorda que o incentivo do MDA foi um ponto fora da curva que a Caterpillar soube aproveitar. Porém, mesmo sem essa variável, 2014 se mostrou interessante e muito similar aos últimos anos, fazendo com que a empresa trabalhe forte para repetir os resultados em um novo contexto. “Sabemos que nosso o negócio é feito de altos e baixos”, sublinha. “Mas também sabemos que o setor de equipamentos como um todo deve ter dificuldades em 2015, o que nos força a manter um plano de longo prazo, para atender à demanda quando retornar em massa.”

De acordo com Thiago Cibim, gerente de suporte ao produto da divisão da construção e florestal da John Deere, a empresa vai pelo mesmo caminho. “O ano passado registrou um recorde histórico nas vendas, mas agora o mercado está se comportando como o previsto, considerando que os primeiros meses normalmente compõem um período de menor volume”, afirma, acrescentando que a companhia confia na retomada do mercado e na concretização de investimentos de longo prazo realizados no país.

Para a Case CE, o mercado de motoniveladoras deve refletir a situação econômica atual do próprio país, mantendo estabilidade ou mesmo leve retração nas vendas. De acordo com o gerente de marketing da empresa, Carlos França, desprezando-se os números do MDA o ano deve ser igual ao anterior. Ele comenta que, em linha com os demais fabricantes (e que M&T registrou em reportagem de capa da edição anterior), o mercado de máquinas de construção deverá sofrer uma desaceleração entre 5% e 10% em 2015. “Estima-se uma retomada do setor de máquinas em 2016”, afirma França. “Para que isso ocorra, no entanto, é necessário um aumento do investimento em infraestrutura, um fator crucial para a geração de crescimento.”