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08 de junho de 2015
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Mineração

Voando alto

Inédita no Brasil, tecnologia de correias aéreas transportará calcário a uma altura de 40 m do chão, percorrendo uma distância de 7,2 km no interior de Minas Gerais
Por Evanildo da Silveira

Apesar da crise econômica que o país atravessa, com previsão de estagnação ou mesmo queda do PIB em 2015, a Holcim Brasil está investindo 1,7 bilhão de reais na expansão de sua fábrica em Barroso (MG), a 192 km de Belo Horizonte. Com as obras, que começaram em abril de 2012 e deverão ser concluídas no segundo semestre deste ano, a empresa vai aumentar sua capacidade de produção de cimento para 3,6 milhões de toneladas por ano (atualmente é de 1,3 t/ano). Para isso, a planta ampliada conta com algumas inovações importantes, dentre as quais uma correia transportadora suspensa, que levará o calcário da britagem primária, na mina, até a secundária, na fábrica, percorrendo uma distância de 7,2 km.

Chamada tecnicamente de flyingbelt (correia voadora, em tradução literal), a tecnologia foi fornecida pela empresa italiana Agudio, que começou a instalá-la no local em abril de 2013 e deverá entregá-la em funcionamento para a Holcim em novembro próximo. “É a primeira solução deste tipo instalada no Brasil”, garante Lucio Davide Cologna, gerente de projeto da Agudio, que está no país coordenando os dez funcionários da empresa responsáveis pela instalação do equipamento. “Aliás, só existe outra similar na França.”

No entanto, o especialista ressalta que a tecnologia em si não é nova. O que a empresa faz é integrar duas tecnologias já existentes, a das correias convencionais, que são instaladas na superfície do solo, e a dos teleféricos, que – como se sabe – são suspensos, como o do bondinho do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro, por exemplo.

OPERAÇÃO

A correia voadora da Holcim em Barroso possui 18 torres de sustentação ao longo de sua extensão, com intervalos que variam em torno de 700 m. Essas torres, que têm de 35 m a 40 m de altura, sustentam cabos de aço, que, por sua vez, sustêm suportes – um a cada dois metros – também de aço, em formato de um “U” aberto e com roletes, pelos quais desliza a correia, uma cinta côncava (como uma calha) cujo formato acompanha os suportes em “U”.

Como a correia volta vazia, há suportes com roletes – não os mesmos – dispostos a uma distância de seis metros um do outro. Parra a sua montagem, foram trazidos da Itália 200 contêineres de componentes e equipamentos. Quando montada, a tecnologia será capaz de transportar até 1.500 toneladas de calcário por hora entre a mina Mata do Ribeirão, em Prados (MG), até a Capoeira Grande, em Barroso, adjacente à fábrica.