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08 de março de 2018
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Empresa

Virando a página

Após obter avanço de 20% no segmento de caminhões em 2017, a Volvo Trucks reativa o segundo turno na fábrica Curitiba e projeta crescimento mais forte na demanda
Por Marcelo Januário (Editor)

Fábrica da Volvo em Curitiba (PR), que após três anos retomou a produção de caminhões em dois turnos

Para a Volvo Trucks, o ano de 2017 marcou uma virada mais consistente nos negócios, com o resultado de 20% de crescimento na demanda de veículos acima de 16 toneladas em relação ao ano anterior, saltando para 10.306 unidades comercializadas na América Latina no segmento. O resultado revitaliza a empresa e deixa para trás o cenário de cortes e contingenciamento vivido nos últimos anos, quando sua linha de produção operou com um terço da capacidade.

Do resultado total, o mercado interno absorveu 5.699 unidades (55%), enquanto 4.637 veículos (45%) foram exportados para outros países do continente. As exportações, aliás, registraram um aumento de 27% na região, com destaque para mercados como Argentina (1.825 unidades), Peru (1.450 unidades) e Chile (1.012 unidades). “Quebramos a barreira das dez mil unidades, o que mostra uma tendência que queremos consolidar”, comemora Wilson Lirmann, presidente do Grupo Volvo Latin America. “Isso representa um avanço importante, mas ainda está aquém do recorde de mais de 26 mil unidades vendidas em 2011.”

Segundo o executivo, neste ano o resultado pode ser ainda melhor, em uma projeção de 30% (ou mais) de avanço nas vendas, o que levou a empresa a reativar o segundo turno na fábrica de caminhões de Curitiba (PR), além de contratar mais 250 funcionários temporários. Atualmente, a empresa conta com 3.400 funcionários na operação local. “No Brasil, vivemos um momento de recuperação após dois anos de uma queda muito grande”, comenta o executivo, apontando avanços na condução da política macroeconômica e a importância das reformas para recolocar o país nos eixos. “Isso vem estabelecendo um ambiente de negócios um pouco mais previsível e de mais competitividade para o futuro.”

O executivo destaca que a retomada da produção em dois turnos, que havia sido interrompida em 2015, no auge da recessão econômica, já se faz necessária para a empresa fazer frente à demanda mais forte do mercado. “Interrompemos a sequência negativa e, embora começando com uma base baixa, isso traz um vento a favor para os negócios”, diz Lirmann, destacando como exemplo de confiança da empresa na recuperação o ciclo de investimentos de 1 bilhão de reais iniciado no ano passado e que va


Fábrica da Volvo em Curitiba (PR), que após três anos retomou a produção de caminhões em dois turnos

Para a Volvo Trucks, o ano de 2017 marcou uma virada mais consistente nos negócios, com o resultado de 20% de crescimento na demanda de veículos acima de 16 toneladas em relação ao ano anterior, saltando para 10.306 unidades comercializadas na América Latina no segmento. O resultado revitaliza a empresa e deixa para trás o cenário de cortes e contingenciamento vivido nos últimos anos, quando sua linha de produção operou com um terço da capacidade.

Do resultado total, o mercado interno absorveu 5.699 unidades (55%), enquanto 4.637 veículos (45%) foram exportados para outros países do continente. As exportações, aliás, registraram um aumento de 27% na região, com destaque para mercados como Argentina (1.825 unidades), Peru (1.450 unidades) e Chile (1.012 unidades). “Quebramos a barreira das dez mil unidades, o que mostra uma tendência que queremos consolidar”, comemora Wilson Lirmann, presidente do Grupo Volvo Latin America. “Isso representa um avanço importante, mas ainda está aquém do recorde de mais de 26 mil unidades vendidas em 2011.”

Segundo o executivo, neste ano o resultado pode ser ainda melhor, em uma projeção de 30% (ou mais) de avanço nas vendas, o que levou a empresa a reativar o segundo turno na fábrica de caminhões de Curitiba (PR), além de contratar mais 250 funcionários temporários. Atualmente, a empresa conta com 3.400 funcionários na operação local. “No Brasil, vivemos um momento de recuperação após dois anos de uma queda muito grande”, comenta o executivo, apontando avanços na condução da política macroeconômica e a importância das reformas para recolocar o país nos eixos. “Isso vem estabelecendo um ambiente de negócios um pouco mais previsível e de mais competitividade para o futuro.”

O executivo destaca que a retomada da produção em dois turnos, que havia sido interrompida em 2015, no auge da recessão econômica, já se faz necessária para a empresa fazer frente à demanda mais forte do mercado. “Interrompemos a sequência negativa e, embora começando com uma base baixa, isso traz um vento a favor para os negócios”, diz Lirmann, destacando como exemplo de confiança da empresa na recuperação o ciclo de investimentos de 1 bilhão de reais iniciado no ano passado e que vai até 2019. “Claro que algumas questões permanecem pendentes, mas já existe uma recuperação cíclica e todo mundo sabe do enorme potencial do país”, diz ele. “Mas também temos grandes desafios pela frente, como a questão fiscal, que é mais urgente.”

COMPETITIVIDADE

Neste cenário de retomada das vendas, alguns fatos pontuais marcam o bom momento vivido pela fabricante sueca. Em 2017, a empresa teve o caminhão pesado mais vendido do ano. Somadas todas as categorias, o modelo FH liderou os emplacamentos no país com 4.505 unidades (+27%).

O resultado ajudou a empresa a obter a liderança no segmento pela quarta vez consecutiva, abocanhando 26,9% deste mercado no país, ainda o maior da América Latina, mesmo após ter retraído 70% durante a crise. “Nos últimos sete anos, só não lideramos o segmento em 2013, no pico do mercado, quando faltou caminhão para atender à demanda”, sublinha Bernardo Fedalto, diretor comercial de caminhões da Volvo no Brasil.

O executivo aponta que neste ano pode-se esperar uma continuidade da “virada do mercado”, principalmente na categoria acima de 40 t, puxada por setores como agribusiness e indústria. No entanto, para os setores de construção e mineração a recuperação deve ser bem mais lenta. “Vemos uma grande potencial nesses segmentos, pois o desenvolvimento do país está diretamente ligado à infraestrutura e, cedo ou tarde, vamos precisar resolver essa equação”, avalia Fedalto. “Mas ainda não verificamos uma retomada consistente da demanda nesses setores, que segue estável, mas sem viés de alta. Isso deve acontecer a partir de 2019.”

ESTRATÉGIAS

Além do cenário econômico, o que também vem ajudando a empresa a se destacar no setor de transportes pesados é o esforço realizado para acompanhar as novas tendências. Segundo Fedalto, nos últimos 15 anos o país vem assistindo a uma mudança de comportamento do transportador brasileiro em relação aos serviços, principalmente. “Ou seja, cuidar do transporte e deixar a manutenção com o fabricante”, diz ele.

No ano passado, como afirma o executivo, 67% dos caminhões da marca saíram da fábrica com planos de manutenção. Baseada na conectividade, a chamada “manutenção inteligente” adotada pela marca coleta dados dos veículos para programar as intervenções e possibilita ganhos de produtividade ao transportador. Hoje, já são monitorados 3 mil caminhões. “Isso representa uma mudança de mercado, que está se acostumando a fazer agendamentos de paradas”, relata.

Outro ponto destacado pela empresa é o canal on-line de peças da marca, lançado durante a Fenatran do ano passado e que – segundo o diretor – já obtém 40 mil acessos por mês. “Trata-se do primeiro canal on-line do país para venda de peças, pois este tipo de oferta não existia em um conceito amplo”, afirma Fedalto, destacando que 60% das vendas são realizadas para clientes novos. “Esse número de acessos ainda é pouco para a internet, mas apresenta três vezes mais conversões em negócios que os serviços de e-commerce normais do mercado.”

Mais acessado é o serviço de comercialização de caminhões seminovos, ponta de lança uma rede nacional e que computou um fluxo mensal de 100 mil visitantes em 2017. “No ano passado, cerca 12% das vendas mensais de seminovos foram iniciadas no site”, conta o executivo, ressaltando que a empresa comercializou aproximadamente 1.000 veículos no período. “O mais importante é criar condições que nossa rede comercialize por meio de um sistema único de gestão. É nisso que temos trabalhado.”

GRUPO OBTÉM RESULTADO RECORDE EM 2017

Se no Brasil o cenário é de recuperação ainda lenta, em âmbito internacional a Volvo comemora o melhor ano de sua história. Em 2017, o grupo obteve um avanço global de 11% no faturamento, com um nível de vendas de 335 bilhões de coroas suecas e resultado operacional de 30 milhões de coroas suecas. O resultado recorde foi puxado principalmente por caminhões e equipamentos para construção, com destaque para o mercado europeu. “Em caminhões, que é o principal produto do nosso portfólio, vendemos 112 mil unidades ao redor do mundo durante o ano”, frisa Wilson Lirmann, presidente do Grupo Volvo Latin America.

Saiba mais:

Volvo: www.volvogroup.com.br