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03 de maio de 2019
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Pneus

Vertente avançada de gestão

Sistemas capazes de medir e informar em tempo real a pressão e a temperatura constituem uma das vertentes mais modernas da oferta de ferramentas para gestão de pneus

Segundo maior custo variável das transportadoras, os pneus também impactam diretamente o item líder desse ranking: o consumo de combustível, que pode ser significativamente reduzido se esses componentes forem mantidos devidamente calibrados, alinhados e em bom estado de conservação.

Até porque pneus em mau estado podem acarretar custos ainda mais consideráveis, no caso de acidentes, por exemplo, com indenizações e danos à imagem da empresa. Portanto, é extremamente importante para uma transportadora – assim como outras empresas que detêm grandes frotas de veículos –, manter uma gestão eficaz de seus rodantes.

No Brasil, onde os veículos pesados frequentemente rodam por estradas precárias, essa gestão torna-se ainda mais imperiosa. Todavia, nem sempre é algo simples, especialmente quando isso envolve centenas de veículos de diversos portes, que consomem milhares de pneus.

Para facilitá-la – e também otimizar o uso desse valioso ativo –, o mercado conta com um diversificado arsenal de ferramentas para gestão dos pneus, no qual há desde seções específicas de softwares de administração até soluções vinculadas à chamada Internet das Coisas (IoT), fundamentadas em sensores e sistemas para comunicação em tempo real (no jargão desse mercado, esses sensores capazes de transmitir informações são denominados chips, o que leva os pneus nos quais eles são inseridos a serem chamados de “pneus chipados”).

ALGORITMO

Algumas dessas tecnologias são desenvolvidas pelos próprios fabricantes de pneus – que em futuro não muito distante podem até se valer delas para oferecer pneus não mais como produto, mas como uma modalidade de serviço. Um desses fabricantes é a Prometeon, que produz sob licença pneus da marca Pirelli para caminhões, ônibus, equipamentos agrícolas e equipamentos OTR.

O portfólio da empresa comporta soluções como o sistema CyberFleet, capaz de monitorar em tempo real a pressão e a temperatura dos pneus. “O veículo pode ser calibrado com os pneus frios ou quentes, pois o algoritmo faz o cálculo


Segundo maior custo variável das transportadoras, os pneus também impactam diretamente o item líder desse ranking: o consumo de combustível, que pode ser significativamente reduzido se esses componentes forem mantidos devidamente calibrados, alinhados e em bom estado de conservação.

Até porque pneus em mau estado podem acarretar custos ainda mais consideráveis, no caso de acidentes, por exemplo, com indenizações e danos à imagem da empresa. Portanto, é extremamente importante para uma transportadora – assim como outras empresas que detêm grandes frotas de veículos –, manter uma gestão eficaz de seus rodantes.

No Brasil, onde os veículos pesados frequentemente rodam por estradas precárias, essa gestão torna-se ainda mais imperiosa. Todavia, nem sempre é algo simples, especialmente quando isso envolve centenas de veículos de diversos portes, que consomem milhares de pneus.

Lançada no ano passado, versão mais recente do sistema CyberFleet utiliza tecnologia Bluetooth em substituição ao RFID

Para facilitá-la – e também otimizar o uso desse valioso ativo –, o mercado conta com um diversificado arsenal de ferramentas para gestão dos pneus, no qual há desde seções específicas de softwares de administração até soluções vinculadas à chamada Internet das Coisas (IoT), fundamentadas em sensores e sistemas para comunicação em tempo real (no jargão desse mercado, esses sensores capazes de transmitir informações são denominados chips, o que leva os pneus nos quais eles são inseridos a serem chamados de “pneus chipados”).

ALGORITMO

Algumas dessas tecnologias são desenvolvidas pelos próprios fabricantes de pneus – que em futuro não muito distante podem até se valer delas para oferecer pneus não mais como produto, mas como uma modalidade de serviço. Um desses fabricantes é a Prometeon, que produz sob licença pneus da marca Pirelli para caminhões, ônibus, equipamentos agrícolas e equipamentos OTR.

O portfólio da empresa comporta soluções como o sistema CyberFleet, capaz de monitorar em tempo real a pressão e a temperatura dos pneus. “O veículo pode ser calibrado com os pneus frios ou quentes, pois o algoritmo faz o cálculo de compensação da pressão adequada”, destaca Marcos Gali, gerente de serviços da Prometeon para a América Latina.

Quando surgiu, o CyberFleet utilizava a tecnologia RFID (Radio-Frequency IDentification, ou Identificação por Radiofrequência) para enviar a uma rede as informações provenientes dos sensores. Lançada na Europa no ano passado, a versão mais recente do sistema está chegando agora ao Brasil, utilizando a tecnologia Bluetooth como substituta do RFID. “Assim, as informações podem seguir diretamente para um celular, com o gerenciamento sendo realizado por meio de um aplicativo”, complementa Gali.

Nova versão do Savetyre possibilita leitura de dados diretamente dos gates por onde passam os veículos

De fato, o CyberFleet pode constituir-se em um instrumento bastante efetivo de redução dos custos com pneus. É o que reitera Márcio Toscano, diretor de marketing, comercial e de pós-venda da Autotrac, empresa que inclui essa tecnologia em um portfólio de soluções para operadores de transporte que também conta com recursos de telemetria e rastreamento. “Estudos mostram que apenas com o controle correto de pressão e temperatura é possível aumentar em mais de 20% a vida útil do pneu”, afirma o especialista.

Vulcanizado por dentro dos pneus, o chip utilizado pelo CyberFleet inclui bateria com vida útil de cinco anos e mantém-se intacto mesmo em pneus submetidos a reforma. Ao menos por enquanto, todavia, essa tecnologia ainda não é utilizada em larga escala no Brasil, até porque o mercado nacional precisa conhecê-la melhor. “A necessidade de conhecimento é comum a toda nova tecnologia”, pondera o profissional da Autotrac, empresa sediada em Brasília e cuja carteira de clientes já abrange cerca de 20 mil empresas de logística e 25 mil caminhoneiros autônomos. “Até mesmo o rastreamento era olhado com ceticismo quando chegou, mas agora ninguém mais vive sem ele.”

GANHOS

Sediada em Campinas (SP), a empresa Saveway disponibiliza um sistema de gestão de pneus denominado Savetyre, que também requer chips nos pneus. Atualmente, a leitura das informações captadas por esses sensores é feita nos locais em que os veículos estão estacionados, por meio de leitores ali fixados ou manuseados por operadores. “Contudo, no segundo semestre deste ano lançaremos a nova geração dessa tecnologia, que entre outras novidades trará a possibilidade de leitura das informações de pressão e temperatura dos pneus em gates (portões), por onde passam os veículos”, adianta José Caruso Gomes, diretor da Saveway.

Além das informações relativas à pressão enviadas pelos chips, o sistema Savetyre integra dados de leituras realizadas por outros equipamentos, como os que gerenciam a profundidade dos sulcos. Assim, além de comparar desempenhos e custos – e, consequentemente, subsidiar negociações com fornecedores –, o sistema também permite indicar a necessidade de reforma do pneu ou, em casos extremos, seu envio ao sucateamento, dentre outras possibilidades.

Para endossar a visão de que uma gestão acurada dos pneus gera benefícios bastante palpáveis, Gomes cita o caso de um transportador de cana que reduziu a média em sua frota de 19 paradas por semana para apenas duas por semana, após passar a usar o sistema Savetyre, que já faz a gestão de um volume entre 25 mil e 30 mil pneus. E, com isso, na safra seguinte foi possível utilizar um caminhão a menos. “Em uma safra, o custo de um caminhão é de aproximadamente R$ 800 mil”, ressalta o diretor da Saveway, referindo-se especificamente ao caminhão canavieiro, incluindo nesse cálculo também a mão de obra, o combustível e a manutenção, dentre outros itens.

VERTENTES

A gestão das informações em pneus também pode ser feita por meio de um módulo específico que integra o Gestran, um sistema de ERP para atividades logísticas de transporte criado pela empresa de mesmo nome. Já utilizado por cerca de 400 empresas, totalizando 30 mil veículos e 600 mil pneus, o módulo trabalha com informações como quilometragem, rodízio de pneus e necessidades de calibragem e recapagem, podendo tanto emitir alertas sobre a conveniência de atenção mais específica a algum desses parâmetros quanto gerar avaliações sobre características relevantes do uso dos pneus, como CPK (Custo por km) e número de vidas, entre outras.

No ano passado foi lançada uma nova versão do sistema (que, além do módulo para pneus, também inclui funcionalidades para gestão de pessoal, compras e suprimentos, dentre outras). Com isso, o sistema passou a receber informações diretamente de tablets e outros equipamentos operados nos pátios dos veículos, além de considerar diferentes tipos de terreno nas análises – rodar em serras, por exemplo, desgasta os pneus mais rapidamente que andar apenas em terrenos planos. “É preciso observar que uma boa gestão dos pneus garante ao menos 5% de redução no consumo de combustível”, afirma o CEO da Gestran, Paulo Raymundi.

No entanto, sistemas capazes de medir e informar em tempo real a pressão e a temperatura constituem apenas uma das vertentes mais modernas da oferta atual de ferramentas para gestão e otimização de pneus, que pode inclusive aproveitar uma tecnologia já mais consolidada como a telemetria (cf. Box na pág. 21).

Na Prometeon, por exemplo, o serviço FleetCheck averigua aspectos como profundidade dos sulcos, desgaste irregular, geometria, alinhamento, necessidade de reformas e até mesmo – por meio do estudo das sucatas – se os pneus foram utilizados corretamente ou se problemas acarretaram seu fim prematuro. “Com visitas técnicas periódicas, podemos inclusive calcular o CPK”, destaca Francisco Madeira, gerente de reforma e serviços da Prometeon para a América Latina. “Podemos ainda avaliar a qualidade do centro de manutenção do local, verificando, entre outras coisas, se o compressor está funcionando bem ou não.”

Para tanto, a Prometeon mantém uma rede com mais de 150 pontos, distribuídos pelas várias regiões brasileiras, onde também é possível realizar a reforma dos pneus. “Podemos estender a garantia de nossos pneus até a terceira reforma”, assegura Antonio Refundini, gerente de reforma da empresa para a América Latina.

Já a Saveway, além de instalar os chips e fornecer os demais componentes de hardware necessários ao seu sistema, também avalia processos e rotinas da borracharia e de coleta de dados, oferecendo treinamento aos clientes para melhorar esses quesitos.

CUSTOS

Com tantos recursos, resta saber mais sobre o custo-benefício das tecnologias. O investimento para adoção do Savetyre, como estima Gomes, da Saveway, equivale a algo entre 3% e 4% do custo de um pneu novo, sendo que essa tecnologia pode reduzir em até 30% os custos totais com esse ativo. E isso considerando apenas os custos dos próprios pneus. “Sem dúvida, pode-se conseguir ganhos também no consumo de combustível e na escolha do pneu mais adequado para aplicações específicas”, ele ressalta. “Ou seja, o payback é certeiro e rápido.”

Módulo de gestão do EPR da Gestran agora recebe informações de tablets

Por estratégia, a Saveway comercializa o hardware necessário à utilização do Savetyre, recebendo um valor mensal por pneu rastreado. “Nossa tecnologia já está testada e aprovada para pneus de até 35 polegadas de diâmetro, podendo ser utilizada tanto no transporte rodoviário quanto em equipamentos de construção, agronegócio e mineração”, ressalta o diretor da empresa.

Porém, a tecnologia focada na otimização do uso de pneus segue em contínua evolução, sendo que uma das próximas etapas de seu desenvolvimento, como projeta Raymundi, da Gestran, será a venda de pneus que já sairão de fábrica com os chips instalados – o que, pelos cálculos do executivo, representaria menos de R$ 10 de custo adicional em cada pneu. “Essa tecnologia irá expandir-se inevitavelmente, até porque os fabricantes atuais querem vender o serviço, com os usuários pagando pelo uso dos pneus, ao invés de comprá-los”, atesta Raymundi, destacando que nos EUA já há veículos que emitem alertas nos painéis sobre a necessidade de calibragem dos pneus. “Ou seja, é preciso ter informações sobre o uso para saber como cobrar por ele”, conclui o diretor.

SOLUÇÃO DISPENSA O USO DE CHIP

Fornecendo informações relacionadas a acelerações e freadas bruscas, velocidade e curvas acentuadas, entre outras, a telemetria também ajuda a otimizar o uso de pneus, reduzindo o consumo de combustível e os acidentes.

Segundo Renato Calil Jorge, diretor da Kontrow, alguns clientes relatam economia de até 33% com os pneus a partir do uso da telemetria.

Atuando por meio de câmeras, o sistema Neomatix dispensa o uso de chips

No entanto, o executivo – cuja empresa monitora informações de aproximadamente 12 mil veículos, entre caminhões e ônibus – considera “desinteressantes” as tecnologias dependentes da instalação de chips, que, segundo ele, reduzem a vida útil de pneus e são ineficazes em determinadas condições, como em temperaturas mais elevadas. “Há algum tempo, desenvolvi com pesquisadores de Israel uma tecnologia – batizada de Neomatix – que identifica e informa as condições de temperatura e pressão por meio de imagens de câmeras, dispensando a necessidade de chips”, ele interpõe. “Vendida para um fabricante de pneus, a tecnologia não está sendo utilizada, mas daqui a três anos posso voltar a trabalhar com esse tipo de produto, e pretendo fazer isso.”

Saiba mais:

Autotrac: www.autotrac.com.br

Gestran: www.gestran.com.br

Kontrow: kontrow.com.br

Prometeon: www.prometeon.com

Saveway: www.saveway.com.br