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20 de dezembro de 2011
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Estudo do Mercado

Venda de equipamentos cresce 18% em 2011

Pesquisa divulgada pela Sobratema revela ainda o forte avanço dos modelos importados, que já respondem por quase um terço do consumo do mercado brasileiro

Após quatro anos de crescimento em ritmo forte, com um pico de expansão de 72% em 2010, o mercado brasileiro de equipamentos para construção deve encerrar este ano com um aumento de 18% nas vendas, totalizando quase 85 mil unidades comercializadas em todo o País. A informação foi divulgada pela Sobratema, no final de novembro, ao apresentar o resultado da pesquisa que a entidade realiza anualmente para contabilizar a demanda do setor e analisar as tendências de consumo.

Na avaliação de Brian Nicholson, consultor da Sobratema, boa parte dessa expansão deve ser creditada à antecipação de compra de caminhões por parte das construtoras. “Elas adiantaram parte das aquisições previstas no próximo ano para escapar do aumento de preço previsto para a linha 2012, que vai incorporar a nova tecnologia de controle de emissões (Proconve7)”. Quando se considera apenas o consumo de máquinas da linha amarela, como escavadeiras hidráulicas, pás-carregadeiras, retroescavadeiras, rolos compactadores, tratores de esteiras e demais equipamentos de movimentação de terra, o crescimento do setor foi de 9%, totalizando quase 30 mil unidades vendidas (veja quadro na página 42).

A diferença em relação às 85 mil unidades contabilizadas na pesquisa corresponde aos demais tipos de equipamentos considerados, como os modelos para elevação de cargas (gruas, guindastes e manipuladores telescópicos), serviços de apoio (compressores de ar e plataformas elevatórias) e transporte de materiais (caminhões basculantes). Para Nicholson, “o ano de 2011 não ficará na memória dos profissionais do setor como algo espetacular, mas deixa um saldo razoavelmente bom diante do atual cenário econômico.”

Novos protagonistas

Com o consumo em lenta recuperação nos mercados da Europa e América do Norte, ainda impactados pelos reflexos da crise financeira internacional, o crescimento do setor vem sendo impulsionado pela demanda dos países em desenvolvimento. Desde que foi atingida pelo furacão resultante da quebra do banco Lehman Brothers, em 2008, a indústria global de equipamentos para construção ainda não recuperou seu recorde histórico de vendas (1 milhão de unidades), registrado no ano anterior, considerando apenas  as máquinas da linha amarela. Neste ano, a previsão é de que serão comercializadas cerca de 70


Após quatro anos de crescimento em ritmo forte, com um pico de expansão de 72% em 2010, o mercado brasileiro de equipamentos para construção deve encerrar este ano com um aumento de 18% nas vendas, totalizando quase 85 mil unidades comercializadas em todo o País. A informação foi divulgada pela Sobratema, no final de novembro, ao apresentar o resultado da pesquisa que a entidade realiza anualmente para contabilizar a demanda do setor e analisar as tendências de consumo.

Na avaliação de Brian Nicholson, consultor da Sobratema, boa parte dessa expansão deve ser creditada à antecipação de compra de caminhões por parte das construtoras. “Elas adiantaram parte das aquisições previstas no próximo ano para escapar do aumento de preço previsto para a linha 2012, que vai incorporar a nova tecnologia de controle de emissões (Proconve7)”. Quando se considera apenas o consumo de máquinas da linha amarela, como escavadeiras hidráulicas, pás-carregadeiras, retroescavadeiras, rolos compactadores, tratores de esteiras e demais equipamentos de movimentação de terra, o crescimento do setor foi de 9%, totalizando quase 30 mil unidades vendidas (veja quadro na página 42).

A diferença em relação às 85 mil unidades contabilizadas na pesquisa corresponde aos demais tipos de equipamentos considerados, como os modelos para elevação de cargas (gruas, guindastes e manipuladores telescópicos), serviços de apoio (compressores de ar e plataformas elevatórias) e transporte de materiais (caminhões basculantes). Para Nicholson, “o ano de 2011 não ficará na memória dos profissionais do setor como algo espetacular, mas deixa um saldo razoavelmente bom diante do atual cenário econômico.”

Novos protagonistas

Com o consumo em lenta recuperação nos mercados da Europa e América do Norte, ainda impactados pelos reflexos da crise financeira internacional, o crescimento do setor vem sendo impulsionado pela demanda dos países em desenvolvimento. Desde que foi atingida pelo furacão resultante da quebra do banco Lehman Brothers, em 2008, a indústria global de equipamentos para construção ainda não recuperou seu recorde histórico de vendas (1 milhão de unidades), registrado no ano anterior, considerando apenas  as máquinas da linha amarela. Neste ano, a previsão é de que serão comercializadas cerca de 700 mil unidades.

Na visão de Nicholson, o que vivenciamos no atual momento é a “consolidação de uma nova era”, na qual Brasil, China e Índia deverão responder por cerca de 60% da demanda mundial de equipamentos para construção. “Até 2005, os três países consumiam 23% de toda a produção mundial, enquanto a América do Norte ficava com 29% e a Europa com 22%”, ele pondera. A crise econômica internacional inverteu esse quadro e, a partir de 2009, os países do Bric (Brasil, China, Rússia e Índia) passaram a assumir um papel cada vez mais importante no cenário internacional, paralelamente à desaceleração do consumo de máquinas nas nações industrializadas.

Diante dos números apresentados pela China, que consome praticamente metade de toda a produção mundial do setor, a demanda brasileira pode ser considerada pequena – cerca de 4% do consumo global. Mas as expectativas no País são positivas em função dos investimentos previstos em obras de infraestrutura. Além disso, para sediar a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, o Brasil deve implementar uma carteira de projetos – desde a reforma de estádios até a melhoria nas condições de mobilidade urbana, entre outros itens – que continuarão impulsionando a construção civil e, por consequência, o setor de equipamentos.

Tendências de consumo

Prova disso é que, apesar dos sinais de desaceleração no crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), o País continua investindo no setor de construção, o que ajuda a minimizar impactos negativos sobre a economia. Pelas projeções de Nicholson, em 2012 o mercado brasileiro deverá registrar um aumento de 5% na demanda de equipamentos, totalizando cerca de 88 mil unidades consumidas.

Vale ressaltar que, nos últimos cinco anos, enquanto a indústria de máquinas vem patinando para recuperar suas vendas em âmbito global, o mercado brasileiro praticamente triplicou de tamanho. O consumo anual de equipamentos de terraplenagem saltou da faixa de 12 mil unidades, em 2007, para as 30 mil unidades previstas este ano. A demanda total, por sua vez, incluindo os demais equipamentos de apoio, cresceu de 34 mil para 85 mil unidades no mesmo período.

A evolução do mercado também pode ser aferida pela popularização de equipamentos antes inexistentes nos canteiros de obras do País. É o caso das plataformas elevatórias e manipuladores telescópicos, cuja demanda vem sendo impulsionada por obras industriais e do programa “Minha Casa Minha Vida”, respectivamente. O mesmo ocorre com o consumo de máquinas compactas, como minicarregadeiras e miniescavadeiras, que já atinge o mesmo patamar registrado quatro anos atrás pelas tradicionais retroescavadeiras: mais de 4.200 unidades por ano.

Mercado atrativo

Segundo avaliações de Mário Humberto Marques, vice-presidente da Sobratema, a indústria de equipamentos deve encerrar 2011 com um volume de negócios em torno de R$ 8 bilhões em vendas. Somando os outros R$ 8 bilhões relacionados às vendas de caminhões para a construção e os cerca de R$ 3,6 bilhões movimentados pela locação de máquinas, o setor começa a apresentar musculatura compatível com o porte do Brasil.

Para o professor de economia Rubens Sawaya, da Pontifícia Universidade Católica (PUC), a demanda de equipamentos deve continuar em rota de crescimento nos próximos cinco anos, impulsionada pelos investimentos em infraestrutura e por uma economia fortemente baseada nas exportações de commodities. “Mas existem alguns desafios para que isto se cumpra, como a elevada frota de equipamentos novos em operação no País, a necessidade de uma correção cambial e na taxa de juros e incentivos à produção industrial, que estimula o emprego e renda”, completa Sawaya, que também presta consultoria à Sobratema na análise do mercado de equipamentos.

Esse cenário, combinado com a queda do ritmo de atividade da indústria mundial, vem estimulando o ingresso de novos competidores no mercado brasileiro, oriundos principalmente da Ásia. Ao se instalar no Brasil, esses players não vislumbram apenas uma participação no atrativo mercado local, mas também uma ponte para as operações nos demais países da América Latina

Avanço dos importados

O avanço dos novos competidores, aliás, já provocou uma mudança no perfil do mercado brasileiro. Este ano, por exemplo, os importados deverão responder por 29% de todo o consumo de máquinas da linha amarela, incluindo não apenas os modelos vendidos pelos novos competidores, mas também alguns equipamentos dos players estabelecidos no País, que complementam a linha oferecida aos clientes com produção oriunda de outras fábricas no exterior.

As máquinas importadas, que tradicionalmente supriam entre 15% e 20% do consumo nesse setor, avançaram até mesmo em segmentos nos quais o País dispõe de base de produção sólida, inclusive para exportação, como o de escavadeiras hidráulicas (crescimento de 46%) e rolos compactadores (32%). Apesar desse movimento ser impulsionado pelos fabricantes orientais, principalmente chineses e coreanos, o setor vem registrando a chegada de marcas provenientes da Turquia, Índia, Leste europeu e outros destinos menos tradicionais.

Para Brian Nicholson, entretanto, esse acirramento da competição não significa que o Brasil deixará de manter seu perfil exportador. “O País serve de plataforma de produção para os grandes fabricantes globais com vistas ao atendimento aos mercados da América Latina”, diz ele. Prova disso é que 44% das exportações brasileiras de manufaturados – nos quais se incluem as máquinas para construção – têm como destino a Argentina.

Nicholson avalia que a participação dos importados no consumo de equipamentos deverá diminuir a partir de 2012, já que muitos dos novos competidores anunciaram a instalação de fábricas no Brasil. É o caso das coreanas Hyundai e Doosan e das chinesas Sany e XCMG. “Eles aproveitaram o ambiente favorável às importações para testar o comportamento do mercado brasileiro, mas para estabelecer um plano de longo prazo no País não podem prescindir de uma unidade com produção local”, conclui o consultor.

 

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