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16 de dezembro de 2016
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Bauma China 2016

Soluções sob medida

Público de 170 mil visitantes confere de perto os destaques de quase 3 mil expositores, que apresentam um portfólio de soluções específicas para o mercado asiático
Por Marcelo Januário (Editor)

Realizada entre os dias 22 e 25 de novembro no Shanghai New International Expo Centre (SNIEC), a 8a edição da bauma China (International Trade Fair for Construction Machinery, Building Material Machines, Mining Machines and Construction Vehicles) ocorre em um momento em que o setor de máquinas – assim como no Brasil – luta para recuperar a vitalidade de outrora (leia reportagem neste link).

Tal contexto inevitavelmente refletiu-se no evento, que recebeu aproximadamente 170 mil visitantes de 149 países, em uma redução de 10,5% em relação à edição recorde de 2014, que recebera um público de 190 mil visitantes. Isso, contudo, não ofuscou o brilho da feira, que novamente ocupou quase totalmente a área de 300 mil m² do centro de exposições da maior cidade do país e atraiu 2.953 expositores, sendo 70% deles da própria China, com os demais 30% provenientes de outros países e regiões. Um percentual significativo se deu em novos expositores, que nesta edição chegaram a 45% do total, denotando uma renovação acentuada dos estandes em relação à última edição.

Após a China, os países que mais enviaram visitantes foram a Coreia do Sul, Rússia, Malásia, Tailândia, Índia, Japão, Cingapura, Taiwan, Indonésia e Austrália, nesta ordem. O evento também apresentou sete pavilhões nacionais (Alemanha, Coreia do Sul, Espanha, EUA, Itália, Reino Unido e Turquia), garantindo sua abrangência internacional e diversidade tecnológica e conceitual.

Para os organizadores, a bauma China mais uma vez trouxe resultados satisfatórios, tanto em relação à resposta do público quanto à qualidade da exposição. Na abertura, o diretor da Messe München, Stefan Rummel, citou “tempos desafiadores” no mercado chinês, mas prometeu “desenvolver cada vez mais a plataforma da feira nos próximos anos”. “Com 14 anos de desenvolvimento, a bauma China mais uma vez sublinha seu papel de liderança na Ásia”, comentou. “A despeito da situação de incerteza atual, o evento tem trazido aos participantes da indústria boas oportunidades de divulgação e exploração das inovações tecnológicas, assim como das novas tendências de mercado.”

O chairman da Associação Chinesa de Equipamentos para Construção (CCM, da sigla em inglês), Jun Qi, também apontou a importância para a indústria global de equipamen


Realizada entre os dias 22 e 25 de novembro no Shanghai New International Expo Centre (SNIEC), a 8a edição da bauma China (International Trade Fair for Construction Machinery, Building Material Machines, Mining Machines and Construction Vehicles) ocorre em um momento em que o setor de máquinas – assim como no Brasil – luta para recuperar a vitalidade de outrora (leia reportagem neste link).

Tal contexto inevitavelmente refletiu-se no evento, que recebeu aproximadamente 170 mil visitantes de 149 países, em uma redução de 10,5% em relação à edição recorde de 2014, que recebera um público de 190 mil visitantes. Isso, contudo, não ofuscou o brilho da feira, que novamente ocupou quase totalmente a área de 300 mil m² do centro de exposições da maior cidade do país e atraiu 2.953 expositores, sendo 70% deles da própria China, com os demais 30% provenientes de outros países e regiões. Um percentual significativo se deu em novos expositores, que nesta edição chegaram a 45% do total, denotando uma renovação acentuada dos estandes em relação à última edição.

Após a China, os países que mais enviaram visitantes foram a Coreia do Sul, Rússia, Malásia, Tailândia, Índia, Japão, Cingapura, Taiwan, Indonésia e Austrália, nesta ordem. O evento também apresentou sete pavilhões nacionais (Alemanha, Coreia do Sul, Espanha, EUA, Itália, Reino Unido e Turquia), garantindo sua abrangência internacional e diversidade tecnológica e conceitual.

Para os organizadores, a bauma China mais uma vez trouxe resultados satisfatórios, tanto em relação à resposta do público quanto à qualidade da exposição. Na abertura, o diretor da Messe München, Stefan Rummel, citou “tempos desafiadores” no mercado chinês, mas prometeu “desenvolver cada vez mais a plataforma da feira nos próximos anos”. “Com 14 anos de desenvolvimento, a bauma China mais uma vez sublinha seu papel de liderança na Ásia”, comentou. “A despeito da situação de incerteza atual, o evento tem trazido aos participantes da indústria boas oportunidades de divulgação e exploração das inovações tecnológicas, assim como das novas tendências de mercado.”

O chairman da Associação Chinesa de Equipamentos para Construção (CCM, da sigla em inglês), Jun Qi, também apontou a importância para a indústria global de equipamentos representada pelo evento, cuja próxima edição ocorre entre 27 e 30 de novembro de 2018. “O sucesso da feira reflete a confiança dos expositores de todo o mundo na economia chinesa, assim como na economia mundial”, disse. “E isto é benéfico para o crescimento mais rápido e saudável da indústria de máquinas para construção.”

PAVIMENTAÇÃO

Mesmo sob uma intensa pressão (ou talvez até por isso), a indústria trouxe ao pavilhão de exposições de Xangai o que de melhor produz para o mercado chinês e região da Ásia-Pacífico. De modo geral, privilegiam-se tecnologias que atendam às regulações menos rígidas da região, como é o caso da China, claro, em que a atual norma GOU III equivale ao Stage II / Tier 2. Mas nem sempre isso é a regra.

Desenvolvida para o mercado chinês, a nova fresadora W 215, por exemplo, foi apresentada como uma máquina de alto desempenho com design específico para o mercado local. Em edição limitada fabricada em Langfan, a solução de 2 m de largura promete produtividade 25% maior, comparada com a geração anterior usada na China. “Antes de projetar este produto, fizemos visitas aos canteiros, pesquisas e consultas para saber o que o cliente realmente precisa aqui”, contou Boris Galic, especialista de produto da Wirtgen. “É um mercado de 250 unidades ao ano.”

A marca também destacou a fresadora de pequeno porte W 55 H e duas recicladoras/estabilizadoras de solo, WR 200 e WR 240. Das demais marcas que compõem o grupo, a Vögele mostrou produtos da geração Dash 3 como a pavimentadora de rodas Super 1603-3 com mesa extensível, a pavimentadora Super 1880 L (com largura de 9,5 m) e a minipavimentadora Super 700-3 (larguras de trabalho de 0,5 a 3,2 m). Da série “made in Langfang”, a Hamm mostrou o rolo de pneus HD14 TT (de 3,5 ton), o rolo tandem HD O 138V (de 13 ton) com cilindro vibratório e oscilatório e o compactador heavy-duty 3625 HT VC, que realiza duas tarefas simultaneamente: tritura e compacta. A Kleemann exibiu a nova peneira classificadora móvel Mobiscreen MS 953 EVO, enquanto a Benninghoven divulgou a misturadora de asfalto poroso GKL, além de tecnologias para queimadores, um dos componentes mais importantes do mercado de reforma de usinas misturadoras.

Também com produção local, a Bomag ressaltou a pavimentadora de asfalto BF 800 C com mesa fixa, apresentada pela marca como “um dos produtos mais importantes para a marca neste ano”. “Não é exatamente o mesmo produto comercializado no Ocidente, porém atende aos requisitos locais e não têm diferenças substanciais em qualidade. E qualidade é o argumento mais importante para nós, seja aqui, nos EUA, no Brasil ou em qualquer outro mercado”, comentou Tim Eisfeld, gerente de produto da Bomag para a Ásia, explicando que o mercado chinês absorve 10 mil rolos de asfalto por ano e tem características próprias. “Claro que certos produtos não têm produção na Alemanha, como alguns rolos compactadores, mas porque não são necessários na Europa nesta configuração.”

Também marca do Grupo Fayat, a Marini expôs uma nova usina de asfalto com capacidade de 320 a 360 t/h e tecnologia de reciclagem. De acordo com a empresa, a solução apresenta até 70% em taxa de RAP. Já o modelo MAT440 alcança 440 t/h e traz opções em espuma, reciclagem a frio e reciclagem a quente.

A Ammann marcou presença com tecnologias que dão suporte às operações de usinas de asfalto e concreto, como o sistema de proteção Amdurit e o sistema de controle as1, o “cérebro” das plantas que se propõe a reduzir a perda de material e o consumo de energia. “Disponível para usinas novas e retrofit, o sistema monitora consumo de energia, uso de materiais, fluxo e outros fatores”, disse Massimo Mezzofanti, diretor de marketing global da Ammann, que também mostrou rolos compactadores compactos e pesados, pavimentadoras e as próprias usinas misturadoras de asfalto, como a SCC 400 (mistura a frio) e a ABP 320 HRT, que – segundo a empresa – incorpora altas proporções de asfalto reciclado (RAP). “Isso sem comprometer a capacidade de produção e a qualidade final do produto”, complementa.

ELEVAÇÃO

Além das plataformas 100 VJR, 170 AETJL e 200 ATJ, a Manitou mostrou na China o manipulador telescópico rotativo MRT-X2150+ Privilège, um equipamento que oferece 21 m de altura de trabalho e 5 toneladas de capacidade de elevação. Produzida em Castelfranco, a solução oferece transmissão hidrostática e é equipada motor Mercedes-Benz de 150 hp, com torque máximo de 580 Nm (1200 a 1600 rpm). “Trata-se de uma máquina muita bem-sucedida em nosso portfólio na Europa”, frisou Cédric Augereau, gerente de vendas global da Manitou. “É um conceito adaptado especialmente para o mercado chinês, onde é desafiador competir, pois requer encarar os fabricantes locais, especialmente em relação à tabela de preços.”

Marcas-irmãs, a Gehl e a Mustang exibiram as minicarregadeiras R165 e 4000V, respectivamente. Já a Haulotte lançou sua linha Star de mastros verticais e divulgou a nova lança telescópica HT28, projetada para se movimentar com mais facilidade em qualquer terreno. Segundo a fabricante, a plataforma é equipada com eixo oscilatório para maior adesão ao terreno, com diferencial que distribui potência para as rodas e permite uma escalabilidade de até 45%. Equipada com motor Kubota, a PTA produz até 20% a menos de ruído, permitindo trabalhar em áreas mais sensíveis como hospitais, escolas e escritórios. “O mercado asiático está crescendo de forma interessante, principalmente no segmento de locação”, disse à M&T o diretor da Haulotte, Alexandre Saubot. “Mas definitivamente está mais desafiador nos últimos anos, com mais e mais máquinas a serem vendidas, mais e mais competição.”

BRITAGEM

Apostando em equipamentos diesel-elétricos, a Keestrack introduziu sua classificadora C6, com capacidade de até 400 ton/h. Destinada a trabalhos com areia e cascalho, separação de agregados, demolição, carvão e peneiras pós-britagem, dentre outros, a solução possui alimentador de 8 m³ e peneira (de duplo ou triplo deck) de 4.500 x 1.800 mm. Fabricado na China, o produto promete um aumento de 60% na eficiência energética, o que representa 80 mil dólares por ano de economia com combustível. “O mercado é de 500 unidades por ano para esta categoria, sendo que estamos com 9% de market share”, destacou Paul Fox, gerente de vendas da Keestrack. “Enquanto o mercado geral caiu, de fato nós crescemos.”

Novata no evento, a Powerscreen fez sua estreia no mercado chinês justamente na bauma China 2016. “Trazemos nossa ponderosa reputação global e expertise para ingressar no mercado chinês”, avisou Colin Clements, diretor global de linha de produtos da Powerscreen, representada por vários equipamentos de britagem e peneiramento.

RECICLAGEM

A caçamba trituradora BF 120.4 S2 foi a vedete do estande da italiana MB Crusher. Ao lado dos modelos BF90.3 e BF135.10, as soluções refletem o mais atualizado conceito para canteiros de demolição e reciclagem em países em desenvolvimento como a China, como garantiu o gerente regional de vendas da MB Crusher para o mercado internacional, Carlo Vincenzi. Segundo ele, as caçambas trituradoras representam o produto número 1 da gama da marca, sendo que a BF 120.4 S2 é a mais vendida e com melhor desempenho. “Podemos dizer que somos líderes mundiais nesse nicho”, aventou, complementando que o mercado mundial gira em torno de mil máquinas/ano.

Dois modelos de peneiras, a MB-S14 e a MB-S18, também foram exibidos no estande, ambos equipados com caçambas formadas por painéis modulares intercambiáveis, além do cortador de tambor MB-R800, para concreto, perfilamento, escavação e demolição em espaços restritos. “São soluções que prometem mudar radicalmente os métodos de trabalho nos canteiros na China”, enfatizou o executivo. “Afinal, em termos de tecnologia, a diferença ainda é muito grande. Na Europa, as pessoas não aceitam maquinários que ofereçam pouco tempo de uso. Os equipamentos têm de durar 10, 20 anos, e continuar trabalhando.”

Guindastes ganham destaque

Um dos segmentos mais servidos de opções na bauma China 2016 sem dúvida foi o de guindastes. A Sany, por exemplo, perfilou modelos como o SCC6500A (Foto 1), um gigante de 650 t e motor de 1.800 kW, com torque com superlift de 8.600 Nm.m. A Potain mostrou o guindaste MCR295 (Foto 2), disponível em três versões (H16, H20 e H25). Segundo a empresa, a extensão de jib pode ser de 30 a 60 m (com intervalos de 5 m), com altura livre de içamento de 52,5 m, jib de 30 m em ângulos fixos e 2 m de mastros. Com sistema modular e em duas versões (12 e 18 ton), o guindaste de torre Comansa CML190 (Foto 3) traz luffing-jib com alcance de 60 m e permite diferentes configurações de jib a cada 5 m. A solução integra a nova série CML da marca, que será completada nos próximos meses com mais modelos, como antecipa a fabricante.

Já a Zoomlion expôs equipamentos como os guindastes ZTC800V (Foto 4), ZTF550V, ZCC2600CR, ZAT1500 e ZTC250V (todo terreno de três eixos, com lança principal de 42 m em “U”), além de revelar detalhes sobre o novo LCL700, que será lançado no mercado mundial em março, com duas capacidades (50 e 64 ton).

Oportunidades da China

No setor de plataformas de trabalho aéreo, o crescimento do mercado chinês vinha a um ritmo de 35% por ano, com 200 fabricantes estimados no país. E o potencial continua grande. “Na China, segundo estimativas, há apenas uma unidade para cada grupo de 100 mil pessoas, enquanto nos EUA essa proporção é de 165 máquinas para cada 100 mil”, destacou a Messe München em comunicado à imprensa antes da feira.

TENDÊNCIAS NO IMPÉRIO DO MEIO

Confira mais lançamentos realizados na feira

A joint venture Deutz Dalian promoveu o lançamento mundial de seu novo motor TCD 9.0 (foto), um propulsor de quatro cilindros com capacidade de 9 l, o primeiro da nova geração que integra a parceria com a Liebherr, que prevê ainda o desenvolvimento de motores de seis cilindros. O propulsor tem potência de 300 kW com torque de 1.700 Nm e traz design compacto que – segundo a empresa – facilita a instalação em uma série de aplicações com escavadeiras e pás carregadeiras de rodas. Os novos motores atendem aos padrões Tier 4 e estarão prontos para comercialização a partir de 2019. “Aperfeiçoamos nosso portfólio, passando a cobrir um espectro maior de faixas de potência e aplicações”, disse o gerente de vendas, marketing e serviços Michael Wellenzohn. “Vemos um grande potencial de crescimento neste mercado, desde que se entregue uma tecnologia cada vez mais avançada.”

A Liebherr deu destaque à carregadeira de rodas L 550 (foto), um dos cinco modelos para o mercado chinês produzidos em Dalian. Equipada com motor de 200 hp, a máquina traz caçamba de 3 a 5 m³ e obtém carga de basculamento de 12,3 t, com peso operacional de 17,3 t. Com driveline hidrostático, o modelo promete entregar maior eficiência, consumindo até 25% menos de combustível, em comparação aos equipamentos convencionais nas mesmas condições. As caçambas maiores podem ser usadas para manusear mais material em cada ciclo, garante a empresa, que destacou ainda o guindaste LTM 1300-6.2 (de 300 ton), um gigante de seis eixos com lança telescópica de 78 m, indicado para elevar guindastes de torre, e a bomba média de pressão LH30VO, de 45 cm³ e pressão máxima de 320 bar. “Ao lado de componentes, as escavadeiras de esteira R 966 e R 920 também integraram a lista de produtos mostrados pela marca no evento chinês”, disse a empresa.

Marca da Terex, a Genie exibiu três plataformas tesoura (GS-1932, GS-4047 e GS-5390RT), duas telescópicas (SX-135XC e SX-150) e uma articulada (Z-6037DC), além do manipulador telescópico GTH 844. Equipada com motor a diesel Deutz TD2.9 L4v (Tier 4), de 74 hp, a plataforma telescópica de longo alcance SX-135XC (foto) oferece altura de trabalho de até 43,15 m, com extensão horizontal de 27,4 m, raio de giro de 1,14 m e capacidade de carga irrestrita de 300 kg. “O equipamento é ultra-compacto, com apenas 3,9 m por 4,1 m”, descreveu o diretor de produto Adam Hailey. “Ela traz um novo design, com capacidade de carga 32% maior, ideal para clientes de locação que enfrentam condições difíceis de operação na construção.”

Em um estande de 4 mil m2, a Zoomlion mostrou 20 produtos da nova linha 4.0 da marca, divididos em oito categorias, muitos produzidos em Hangzhou. Dentre as estreias, a bomba de concreto ZLJ5440THBB 56X-6RZ, de 56 m, e o caminhão betoneira de quatro eixos ZLJ5318GJBLE, com 8 m3 (foto). No extenso portfólio, destaque também para a pavimentadora ZPS3880RE, o dozer de esteiras ZD220-6, a escavadeira hidráulica ZE230E-9 e a escavadeira hidráulica de esteiras ZE360E-9.

A Himoinsa China celebrou na bauma o 10o aniversario da fábrica em Changzhou, que atende a 22 países da região Ásia-Pacífico. No estande, destaques para a nova linha de torres de iluminação LPG e geradores (foto) a diesel e a gás. “Esta região está se desenvolvendo muito rápido e a demanda por grupos geradores é crescente”, comentou Marco Perillo, gerente geral da Himoinsa para o Extremo Oriente. “Nossa fábrica na China produz equipamentos adequados às necessidades de cada mercado e que consolidam nossa posição como fabricantes.”