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08 de abril de 2010
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Em foco

SAE Brasil debate o controle de emissão para off-roads no país

A adoção de normas para o controle de emissão de poluentes em equipamentos pesados fora-de-estrada figurou como o principal debate no painel do Congresso SAE Brasil 2009 dedicado à área de máquinas agrícolas e de construção. Realizado entre 6 e 8 de outubro, no Expo Center Norte, em São Paulo, o evento se debruçou sobre a viabilidade, a necessidade e o custo dessa iniciativa.

Diferentemente da área automotiva e de veículos comerciais, o segmento de máquinas pesadas não dispõe de uma norma para controlar a emissão de poluentes. Nessa área, os parâmetros estabelecidos em âmbito global se baseiam nas normas norte-americana (EPA Tier) e européia (Euro/Stage). Mas como não há uma exigência legal no Brasil, a adoção desses padrões fica por conta do fabricante, que opta ou não por seguir tais parâmetros de acordo com o mercado ao qual se destina o equipamento produzido.

Para alguns especialistas, a ausência de norma nessa área pode transformar o Brasil em depósito de máquinas defasadas tecnologicamente, com alto impacto ao meio ambiente. Vicente Pimenta, da Delphi Automotive, por sua vez, avalia o assunto como “complexo” e diz que ele merece uma reflexão mais profunda. “É preciso debater qual o real ganho ambiental dessa iniciativa, seu custo e se a sociedade está disposta a pagar por ela”, diz o especialista.

Segundo ele, as normas no mercado norte-americano foram criadas em função da grande quantidade de equipamentos fora-de-estrada em operação naquele país e do seu impacto ambiental . No Brasil, entretanto, ele avalia que a quantidade de equipamentos a diesel chega a ser irrelevante em comparação com a frota automotiva no que se refere à necessidade de controle de emissões.

Para Fábio Ferreira, diretor do Comitê de Veículos de Passeio do Congresso e gerente de engenharia da Unidade Sistema a Gasolina da Robert Bosch, o país já deu um grande salto em prol do meio ambiente com a implantação do programa Controlar, na cidade de São Paulo, para veículos de passeio fabricados a partir de 2003. Segundo ele, o próximo estágio será a introdução do OBDBr-2, que determina a obrigatoriedade da produção de veículos com sistemas embarcados de monitoramento de emissões. “Até janeiro de 2010, todos os novos veículos deverão atender a esta norma”, diz ele.

Ferreira destaca que, recentemente, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, enviou proposta de resolução ao Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) prevendo a obrigatoriedade de execução dos testes em todos os estados brasileiros, com base no sistema adotado em São Paulo. O assunto está em discussão nos grupos técnicos desse órgão. “Depois de 17 anos, quando a primeira resolução foi publicada pelo Conama, a inspeção veicular deixa de ser um compromisso no papel para se materializar em benefício real para a sociedade”, ele avalia.