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08 de junho de 2015
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Agrishow 2015

Retração controlada

Indutor da economia nacional, o agronegócio vem passando por um momento desafiador, abrindo espaço para soluções tecnológicas que aumentem a produtividade
Por Melina Fogaça

Apesar de ser um segmento que, ao longo do tempo, vem registrando alguns dos melhores resultados da indústria brasileira, as principais fabricantes esperam uma redução de 15% a 20% no volume de negócios de máquinas agrícolas neste ano.

A freada tornou-se perceptível durante a 22ª Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação), considerada a maior feira do agronegócio da América Latina. Segundo o balanço oficial divulgado pela organização, estima-se uma redução de 30% nos negócios realizados no evento. Em 2014, foram movimentados 2,7 bilhões de reais.

Dentre outros fatores, o ajuste realizado no Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota) – que no início de abril aumentou as taxas de juros de 4,5% para 7,5% – certamente contribuiu para o clima de cautela. De acordo com Alessandro Maritano, vice-presidente da New Holland Agriculture para a América Latina, o primeiro quadrimestre do ano realmente foi negativo, sendo que no início de maio (quando esta reportagem foi escrita) ainda não era possível fazer uma projeção para os próximos meses. “A situação não é favorável, mas a agricultura vive um período de retração controlada”, diz o executivo.

No geral, a expectativa dos players é de que o Plano Safra – cujo anúncio foi prorrogado para 3 de junho – possa fortalecer o setor, contribuindo para a retomada dos investimentos. De todo modo, o gerente de marketing da John Deere, Marcos Cassol, acredita que o setor do agronegócio se manterá como o mais positivo da indústria, mesmo em meio à crise.

O setor, diz ele, vem de quatros anos com bons resultados, especialmente em relação a grãos. “Nesse período, o produtor conseguiu investir em máquinas, comprando até mesmo equipamentos a mais para modernizar a frota, tornando-se um produtor capitalizado”, comenta. “Atualmente, o produtor está mais cauteloso, aguardando a estabilidade cambial para comprar os insumos para o próximo plantio.”

MECANIZAÇÃO

Mesmo neste cenário de precaução, há espaço para investimentos qualitativos no setor, tendo como bases a sustentabilidade e novas tecnologias. “A tecnologia é um dos pontos essenciais para o aumento da produtividade no agronegócio”, diz Fábio Meirelles, presidente da Agrishow.

De fato, para Francisco Matturro, vice-presidente da Associação Brasileira do Agronegócio


Apesar de ser um segmento que, ao longo do tempo, vem registrando alguns dos melhores resultados da indústria brasileira, as principais fabricantes esperam uma redução de 15% a 20% no volume de negócios de máquinas agrícolas neste ano.

A freada tornou-se perceptível durante a 22ª Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação), considerada a maior feira do agronegócio da América Latina. Segundo o balanço oficial divulgado pela organização, estima-se uma redução de 30% nos negócios realizados no evento. Em 2014, foram movimentados 2,7 bilhões de reais.

Dentre outros fatores, o ajuste realizado no Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota) – que no início de abril aumentou as taxas de juros de 4,5% para 7,5% – certamente contribuiu para o clima de cautela. De acordo com Alessandro Maritano, vice-presidente da New Holland Agriculture para a América Latina, o primeiro quadrimestre do ano realmente foi negativo, sendo que no início de maio (quando esta reportagem foi escrita) ainda não era possível fazer uma projeção para os próximos meses. “A situação não é favorável, mas a agricultura vive um período de retração controlada”, diz o executivo.

No geral, a expectativa dos players é de que o Plano Safra – cujo anúncio foi prorrogado para 3 de junho – possa fortalecer o setor, contribuindo para a retomada dos investimentos. De todo modo, o gerente de marketing da John Deere, Marcos Cassol, acredita que o setor do agronegócio se manterá como o mais positivo da indústria, mesmo em meio à crise.

O setor, diz ele, vem de quatros anos com bons resultados, especialmente em relação a grãos. “Nesse período, o produtor conseguiu investir em máquinas, comprando até mesmo equipamentos a mais para modernizar a frota, tornando-se um produtor capitalizado”, comenta. “Atualmente, o produtor está mais cauteloso, aguardando a estabilidade cambial para comprar os insumos para o próximo plantio.”

MECANIZAÇÃO

Mesmo neste cenário de precaução, há espaço para investimentos qualitativos no setor, tendo como bases a sustentabilidade e novas tecnologias. “A tecnologia é um dos pontos essenciais para o aumento da produtividade no agronegócio”, diz Fábio Meirelles, presidente da Agrishow.

De fato, para Francisco Matturro, vice-presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), o produtor rural não troca de máquinas em busca apenas de novidade, mas principalmente para reduzir perdas no plantio e obter ganhos de competitividade na produção agrícola, que pode ter acréscimo de até 25% com o uso de equipamentos mais modernos. “Se o produtor desistir de investir em tecnologia, teremos um retrocesso no setor e a produção certamente cairá em algum momento”, afirma.

Até por isso, as empresas que marcaram presença na Agrishow fizeram questão de mostrar que não deixam de investir em inovação. A John Deere, por exemplo, apostou em equipamentos voltados para a colheita de grãos e cana de açúcar, embarcados com tecnologias que contribuem para a mecanização do setor e, de quebra, reduzem o consumo de combustível.

Um dos destaques da marca, como aponta Cassol, é a nova colheitadeira S690, com plataforma de 45 pés, e as colhedoras de cana de açúcar CH570 e CH670, com o novo sistema de alimentação EconoFlow, que – segundo a empresa – reduz o consumo de combustível em até 8%. “Outro lançamento importante, especialmente para a área de pulverização, é a barra de fibra de carbono com 36 m como opcional para o pulverizador 4730 versão canavieira”, explica o gerente. “Por ser mais leve e maior do que a versão anterior, a barra garante maior precisão no trabalho em campo, resultando em economia nos custos da operação.”

Ainda na linha de colheitadeiras, a New Holland Agriculture apresenta modelos como o CR5.85 e o CR8090. O diferencial do primeiro, como explica o diretor de marketing da fabricante na América Latina, Carlos d’Arce, é a mesa autonivelante, um sistema de compensação de desnível que permite que a máquina percorra qualquer tipo de terreno, sem ter que reduzir a velocidade. “A máquina mantém automaticamente o sistema de limpeza dos grãos na horizontal, em superfícies de até 17% de declividade”, frisa d’Arce.

Já o modelo CR8090 tem como destaque o tanque graneleiro com capacidade para 14.500 l, considerado um dos maiores do mercado. O equipamento não exige a interrupção da colheita para a descarga, pois conta com um tubo exclusivo que mede até 8,9 m, garantindo segurança ao trabalho de descarga em movimento. “O equipamento também possui um sistema de discos com motor hidráulico localizado após a saída do picador, denominado Opti-Spread, que distribui a palha uniformemente por até 45 pés, ajudando no plantio direto e garantindo a cobertura total do solo”, explica o diretor.

OPÇÕES

A Case IH aposta na tecnologia com o lançamento da plantadeira Easy Riser, a primeira plantadeira da marca com reservatório central de semente. Segundo Christian Gonzalez, diretor de marketing da empresa para a América Latina, o modelo possui sistema de reservatórios com capacidade de até 2,1 t para sementes e de 6 t para adubo.

O equipamento é capaz de plantar até 36 hectares de soja por carga. “O plantio é a parte fundamental da agricultura, representando cerca de 60% do custo total da produção”, afirma Gonzalez. “Por isso, a escolha certa do maquinário para esse processo é muito importante.”

Estagnado nos últimos anos, o setor sucroalcooleiro também tem boas perspectivas de crescimento da safra nos próximos dois anos. E isso tem levado as empresas a realizar investimentos no segmento. Como a Valtra, que apresenta sua primeira colhedora de cana, a BE1035. Produzida na fábrica Ribeirão Preto, a máquina é equipada com motor AGCO Power 9.8L de 350 cv.

De acordo com Jak Torretta Jr., diretor de produto para América do Sul da AGCO (controladora da Valtra), com o novo produto a empresa passa a contar com um portfólio completo para atender ao setor canavieiro no Brasil. “A colhedora que conta com um sistema de telemetria que permite o monitoramento de 25 funções da máquina em qualquer lugar”, afirma. “Por meio do sinal de celular, a máquina emite informações em tempo real sobre suas condições de funcionamento, o que permite que seja constantemente monitorada.”

Massey Ferguson vence “Trator do Ano”

O vencedor da edição de 2015 do prêmio – que contou com 31 modelos inscritos – foi o trator 6711R Dyna-4. Segundo Bernhard Kiep, vice-presidente de marketing, gestão de produtos e desenvolvimento de concessionárias AGCO para a América do Sul, o modelo foi lançado no final de 2014. “Este trator conta com 16x16 velocidades totalmente robotizadas, além de dispensar o uso da embreagem para as trocas de marchas”, comenta.

 

 

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