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17 de agosto de 2015
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Entrevista

"O Brasil tem demanda reprimida de equipamentos"

No mundo automotivo, Orlando Merluzzi é o guru da atualidade. Após atuar por 30 anos em companhias como Volvo, Ford, Volkswagen e Iveco, há três anos o especialista fundou a empresa MA8 Management Consulting Group, que presta serviços de consultoria para planejamento, gestão e governança no Brasil. Seu principal desafio é dar suporte e orientar empresas e investidores a decidirem pela melhor estratégia para seus negócios no país.

Aliando profissionais experientes com sólidas carreiras em áreas estratégicas como operações comerciais, redes de concessionárias, pós-venda, finanças corporativas, assuntos jurídicos, logística, engenharia e manufatura, a MA8 atua em forma de conselho gestor, em partnership ou por demanda de projeto. Com um diferencial importante: possui um braço de negócios na China, a partir de Pequim, Xangai e Chengdu.

Na bagagem profissional, o engenheiro industrial, administrador de empresas e especialista em marketing foi responsável – dentre tantas outras façanhas – pela ampliação da rede de concessionários da Iveco Latin America, braço da CNH Industrial para a fabricação de caminhões. Em 2012, ao lado do ex-presidente do BNDES, Luiz Carlos Mendonça de Barros, Merluzzi encarou o ousado plano de trazer ao Brasil uma das maiores montadoras de caminhões no mundo, a Foton Motor Group. O projeto foi carregado de responsabilidades e o tornou ainda mais conhecido como um dos principais especialistas brasileiros em gestão.

Toda esta trajetória garantiu-lhe gabarito para hoje atuar nos segmentos de carros, caminhões, máquinas de construção e agrícolas, equipamentos de mineração e no mercado de peças de reposição. Versátil e com senso crítico aguçado, Merluzzi fala com exclusividade à M&T, revelando como os maiores players do setor sobreviverão à crise econômica brasileira. Acompanhe.

M&T – Como avalia a nova rodada do Programa de Investimentos em Logística (PIL)?

Orlando Merluzzi – Há muita chance de dar certo e estou torcendo por isso. Dos investimentos logísticos de 198 bilhões de reais, a maior parte está destinada às ferrovias (43%). Sabemos das dificuldades para construir essas ferrovias e que há muitos interesses envolvidos nessa área, inclusive em questões ambientais. Para o setor agrícola, o que mais importa de imediato é eliminar os gargalos logísticos de transporte rodoviário e escoamento pelos portos. Os itens rodovias e portos possuem modelos diferentes das ferrovias e aeroportos, com modernização prevista em estradas no Centro-Oeste, Norte e Nordeste e ampla demanda por equipamentos de construção e caminhões.