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11 de maio de 2015
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Entrevista

"O Brasil não vai quebrar"

Entrevista com o economista Antônio Delfim Netto

O economista Antônio Delfim Netto é daquelas personalidades públicas respeitadas por onde passa. Professor da FEA/USP, o ex-ministro e ex-deputado federal pode despertar raiva ou admiração, mas nunca indiferença. Aos 85 anos de idade, ele despensa apresentações detalhadas de suas extensas atividades dentro e fora do governo. Assumiu o Ministério da Fazenda em 1967, aos 39 anos, e ainda comandaria a pasta de Agricultura, em 1979, e a de Planejamento, de 1979 a 1985. Esteve à frente da fase mais longa e de maior crescimento da economia brasileira, mas ficou marcado na História como o homem que deu um choque no câmbio e congelou salários. Hoje, segue influente por suas ideias, tornando-se para muitos empresários uma espécie de guru com suas análises cortantes em relação ao governo e ao mercado.

Sobre a conjuntura atual, por exemplo, o eminente economista crava que o atual time de ministros – com Joaquim Levy na Fazenda, Katia Abreu na Agricultura, Nelson Barbosa no Planejamento e Armando Monteiro à frente do MDIC – conduzirá com tranquilidade o processo de ajustes para a volta do crescimento econômico. “No máximo, em 15 meses o Brasil volta a crescer e os investimentos em infraestrutura aos poucos também voltarão a acontecer”, frisa o economista. Nesta entrevista exclusiva à M&T, realizada em seu escritório em São Paulo, Delfim Netto avalia em detalhes a estratégia do governo para superar a crise e recolocar o país nos eixos. “Não temos competência para destruir o Brasil”, dispara. Acompanhe.

M&T – Como avalia o atual momento do Brasil?

Delfim Netto – É um momento delicado, mas não estamos à beira do apocalipse. Em 2014, produzimos um grande desequilíbrio fiscal. Se olharmos para dezembro de 2013, veremos que não tínhamos nenhum desequilíbrio importante e as coisas estavam mais organizadas. E como o governo precisa fazer revisões de receita e despesas a cada dois meses, durante esse período nunca reconheceu que o crescimento seria muito baixo. Ou seja, a Dilma provocou um desarranjo fiscal para se reeleger. Por isso, não fez as correções e nem controlou as despesas que, obviamente, iriam crescer em ano eleitoral. Assim, o ano encerrou com déficit fiscal de 6,7%, um número muito alto. Além de déficit primário de 0,6%, o que só ocorreu no primeiro ano de governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, quando o Brasil quebrou e teve de recorrer ao FMI. Com isto, criou-se um estado de apreensão muito grande nos mercados. Mas o crescimento não diminuiu por conta disso, mas porque não conseguimos estimular a volta da produção industrial.