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15 de fevereiro de 2016
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Entrevista

"As emissões englobam muito mais que a causa ambiental"

Gestora global de sustentabilidade da Atlas Copco desde 2013, a executiva Mala Chakraborti veio ao Brasil no final do ano para falar sobre os projetos da empresa nesta área cada vez mais importante para o setor. Durante palestra realizada na Câmara Sueca, em São Paulo, a especialista detalhou as principais iniciativas da fabricante para reduzir o impacto ambiental nas unidades produtivas, além do desenvolvimento de tecnologias mais eficientes e dos projetos sociais que a empresa apoia pelo mundo.

De origem indiana, Chakraborti é bacharel em biotecnologia pela Faculdade de Medicina de Kasturba, em seu país, além de possuir mestrados em bioquímica na Faculdade de Dartmouth (EUA) e em administração pela Stockholm School of Economics (Suécia). A executiva ingressou na Atlas Copco em 2012 na posição de coordenadora de responsabilidade corporativa, com a incumbência de realizar treinamentos, elaborar relatórios de acordo com as diretrizes de GRI (Global Reporting Initiative) e ainda atuar com gerenciamento de conflitos.

Durante esta entrevista exclusiva, Chakraborti destaca as estratégias utilizadas para tornar os produtos da marca mais eficientes, principalmente em relação ao consumo energético. Para a executiva, as metas ambientais são fundamentais para os negócios da empresa, que em 2015 galgou a 11ª posição (a mais alta no segmento industrial) no ranking das empresas mais sustentáveis do mundo elaborado anualmente pela revista norte-americana Newsweek. Acompanhe.

Em termos globais, como a empresa contribui para reduzir as emissões?

A Atlas Copco investe pesado na área de P&D – Pesquisa e Desenvolvimento, criando maneiras de tornar os produtos mais eficientes em relação ao consumo de energia nas diversas áreas em que atua, incluindo mineração e construção. Como trabalhamos com grandes equipamentos, que causam impactos ambientais igualmente relevantes, criamos soluções para que nossas perfuratrizes, por exemplo, possam trabalhar 24 horas por dia, com uma eficiência 50% superior à concorrência, evitando um aumento na emissão de poluentes.

Por que isso é importante?

Se não reduzirmos a emissão de poluentes como o CO2, por exemplo, provavelmente não teremos mais planeta no futuro. Nesse sentido, nosso objetivo como empresa é fazer a conexão entre a emissão de poluentes e o impacto que isso


Gestora global de sustentabilidade da Atlas Copco desde 2013, a executiva Mala Chakraborti veio ao Brasil no final do ano para falar sobre os projetos da empresa nesta área cada vez mais importante para o setor. Durante palestra realizada na Câmara Sueca, em São Paulo, a especialista detalhou as principais iniciativas da fabricante para reduzir o impacto ambiental nas unidades produtivas, além do desenvolvimento de tecnologias mais eficientes e dos projetos sociais que a empresa apoia pelo mundo.

De origem indiana, Chakraborti é bacharel em biotecnologia pela Faculdade de Medicina de Kasturba, em seu país, além de possuir mestrados em bioquímica na Faculdade de Dartmouth (EUA) e em administração pela Stockholm School of Economics (Suécia). A executiva ingressou na Atlas Copco em 2012 na posição de coordenadora de responsabilidade corporativa, com a incumbência de realizar treinamentos, elaborar relatórios de acordo com as diretrizes de GRI (Global Reporting Initiative) e ainda atuar com gerenciamento de conflitos.

Durante esta entrevista exclusiva, Chakraborti destaca as estratégias utilizadas para tornar os produtos da marca mais eficientes, principalmente em relação ao consumo energético. Para a executiva, as metas ambientais são fundamentais para os negócios da empresa, que em 2015 galgou a 11ª posição (a mais alta no segmento industrial) no ranking das empresas mais sustentáveis do mundo elaborado anualmente pela revista norte-americana Newsweek. Acompanhe.

Em termos globais, como a empresa contribui para reduzir as emissões?

A Atlas Copco investe pesado na área de P&D – Pesquisa e Desenvolvimento, criando maneiras de tornar os produtos mais eficientes em relação ao consumo de energia nas diversas áreas em que atua, incluindo mineração e construção. Como trabalhamos com grandes equipamentos, que causam impactos ambientais igualmente relevantes, criamos soluções para que nossas perfuratrizes, por exemplo, possam trabalhar 24 horas por dia, com uma eficiência 50% superior à concorrência, evitando um aumento na emissão de poluentes.

Por que isso é importante?

Se não reduzirmos a emissão de poluentes como o CO2, por exemplo, provavelmente não teremos mais planeta no futuro. Nesse sentido, nosso objetivo como empresa é fazer a conexão entre a emissão de poluentes e o impacto que isso pode causar em nossos clientes, pensando também na parte econômica. Afinal, as emissões provêm basicamente do uso de energia que, dependendo da forma que é utilizada, pode causar impactos não só no meio ambiente, mas também nos custos do cliente. Ou seja, a escolha criteriosa da energia aplicada pode tornar a empresa mais competitiva. Já aquela que é mais poluente pode resultar em um maior impacto nos custos.

Isso também inclui a obtenção de um maior índice de reciclagem dos produtos?

Certamente. A maior parte dos nossos equipamentos de mineração é modular, o que significa que podem ser reciclados mais facilmente. Ao produzir e projetar um equipamento, a empresa precisa visualizar, além de seu funcionamento e aplicação, o que fazer com o produto no final da sua vida útil.

Como avalia a utilização de combustíveis alternativos e renováveis?

A Atlas Copco não investe diretamente na produção de combustíveis renováveis, mas busca criar soluções para evitar a emissão de poluentes, como, por exemplo, torres de iluminação que funcionem por meio de energia solar. Além disso, para a área de mineração subterrânea, a empresa desenvolveu novos caminhões e carregadeiras elétricos, que integram a linha verde do nosso portfólio. Esses equipamentos visam reduzir a emissão de poluentes e contribuir para o aumento da produtividade, oferecendo um custo mais baixo de energia por tonelada em comparação a outras soluções de transporte. Também garantem uma maior eficiência energética, sendo capazes de reduzir o consumo de energia em até 70% em relação a um veículo a diesel, por exemplo.

Qual a perspectiva da empresa em relação ao aquecimento global? É possível atingir as metas estabelecidas pela Conferência do Clima (COP-21)?

Acredito que sim. Mas depende essencialmente do planejamento que os governos pretendem adotar em relação ao tema. A China, por exemplo, é o país que mais emite gases nocivos na atmosfera, mas apresentou um plano que visa reduzir a emissão dos poluentes em 65% até 2030, diminuindo principalmente a incidência de CO2. E, para obter esse resultado, o país tem uma estratégia a ser estabelecida em cinco anos, que consiste em um planejamento para aferir o quanto precisam investir em energia renovável e quais tipos de tecnologia limpa são mais viáveis, em suma, que tipo de país eles querem construir para o futuro. E, de fato, os primeiros resultados desses esforços começam a surgir. Os chineses já conseguiram reduzir a emissão de poluentes decorrente do uso de carvão mineral, sua maior fonte de energia e a pior forma de combustível para o clima. E assim como os chineses, acredito que os demais países conseguirão encontrar um ponto de equilíbrio para atingir o objetivo.

O que falta para isso?

É preciso diálogo, mas acima de tudo os países têm de ter um comprometimento com os projetos estabelecidos. É necessário muito mais do que apenas palavras. Acredito que os países da Europa, assim como o Brasil, possam atingir os objetivos estabelecidos, mas para isso é preciso mudar a forma de pensar, estabelecer leis fortes, investir na educação da população. Ou seja, engloba muito mais do que a causa ambiental. É preciso querer mudar.

Como a tecnologia pode contribuir em relação ao tema?

Sabemos que a tecnologia leva tempo para se desenvolver, mas acredito que vivemos em um período no qual podemos fazer grandes avanços, pois temos acesso a informações e materiais que antigamente não conhecíamos ou não tínhamos acesso. Posso citar o exemplo dos compressores que consomem uma grande quantidade de energia elétrica e são utilizados em todas as indústrias, incluindo mineração e construção. Um compressor com unidade de velocidade variável, por exemplo, pode reduzir o consumo de energia do cliente e as respectivas emissões de carbono em até 50%, poupando o meio ambiente e reduzindo os custos de energia. E a Atlas Copco é pioneira nesse tipo de tecnologia, permitindo aos compressores executarem suas tarefas na velocidade necessária. Além disso, a empresa conta com compressores com sistemas de recuperação, em que a entrada de energia pode ser recuperada em forma de água quente, reduzindo significativamente as despesas com energia.

E no campo social, quais programas a empresa desenvolve?

No âmbito institucional, as diversas áreas de negócios da empresa implantam iniciativas de longo prazo para melhorar o desempenho de segurança e saúde dentro de suas operações. Em um plano mais geral, há projetos sociais que a Atlas Copco apoia pelo mundo que incluem o desenvolvimento de ações relacionadas à AIDS e ao bem-estar em países onde as doenças têm impacto deletério profundo na comunidade local. Na África, por exemplo, nosso premiado programa de prevenção à AIDS alcança nove países por meio de colaborações com o Programa Sueco de HIV/AIDS no Local de Trabalho (Swedish Workplace HIV/AIDS Programme, em inglês). Enfocando testes confidenciais, tratamento e aconselhamento, este programa alcançou resultados excelentes, pois todos os que aderiram obtiveram resultados negativos em testes posteriores para detecção de HIV. É uma amostra de nosso senso de responsabilidade como empresa.