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27 de agosto de 2015
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Rental

Questão de sobrevivência

Com queda de 30% nos negócios, setor luta para driblar excesso de oferta, deterioração nos preços e custos crescentes com reposição, transporte e manutenção
Por Evanildo da Silveira

O setor de locação de equipamentos encontra-se em uma encruzilhada. Com a demora na retomada das obras necessárias à melhoria da infraestrutura do país, as expectativas do segmento para este ano são de que a situação definitivamente não será muito diferente do que ocorreu no ano passado (talvez até pior), com esperanças não muito firmes de que o cenário comece a melhorar em 2016.

Para recapitular, ao final das obras da Copa do Mundo iniciou-se um período de desaquecimento no setor, que tem 90% das operações concentradas em obras civis e industriais. Em dezembro, as coisas pioraram quando o governo anunciou mudanças no Programa de Sustentação do Investimento (PSI), com os recursos disponíveis tornando-se ainda mais escassos, além de juros mais altos e diminuição do percentual do bem a ser financiado.

De fato, segundo o presidente da Associação Brasileira dos Sindicatos e Associações Representantes dos Locadores de Máquinas, Equipamentos e Ferramentas (Analoc), Reynaldo Fraiha, até meados de maio do ano passado o mercado de locação de equipamentos estava bastante aquecido, devido principalmente às obras relacionadas ao megaevento esportivo. “Com a conclusão dos estádios e a paralisação de grande parte das obras de mobilidade urbana, começou a desaceleração do setor”, explica. “Sem as obras da Copa, os investimentos foram diminuindo, o que levou a uma forte desaceleração agora em 2015, com uma queda dos negócios que, sendo bastante otimista, já chega a 30%.”

As empresas de locação de equipamentos confirmam essa avaliação. “O segmento em geral foi muito impactado pela não realização das obras previstas, principalmente em infraestrutura”, diz Eurimilson João Daniel, presidente da Escad Rental, que oferece locação em toda Linha Amarela, contemplando as áreas de demolição, transporte e equipamentos de apoio operacional. “Além disso, o Brasil não consegue investir mais que 2% do PIB em infraestrutura, quando necessitaríamos de, no mínimo, 5%.”

O executivo cita ainda o “efeito Petrobras, com a operação Lava Jato”, que piorou muito o cenário, com forte impacto no setor de locação em todos os segmentos, em várias regiões do Brasil. “O restabelecimento das obras é mais que uma necessidade, representa a sobrevivência de muitas empresas”, sublinha.

VETORES

Daniel, que também é vice-presidente da Sobratema, vê ainda outros problemas que atingem duramente o setor. “Depois de quatro anos com crédito subsidiado, sofremos o excesso de oferta com queda significativa na rentabilidade, sendo que o ano de 2014 foi um dos piores nessa avaliação”, reclama, acrescentando que os custos continuam aumentando diante de um setor que não consegue manter o nível de atividade. “Nesse sentido, os principais impactos ocorrem na mão de obra e no capital de giro. Além disso, o aumento salarial não suportado nesse momento pode representar mais desemprego e elevação de juros, gerando mais dificuldades.”