FECHAR
FECHAR
02 de julho de 2014
Voltar
Transporte / Procuram-se motoristas

De saída, é preciso considerar que um dos aspectos que provocam tal situação é a dificuldade que a profissão de caminhoneiro impõe aos candidatos, marcada por solidão, precariedade das rodovias, salários muitas vezes incompatíveis e, principalmente, riscos de acidentes.

“Realmente, arrumar motorista hoje está difícil, pois se aventurar a ser motorista é um negócio muito perigoso, tem de preparar muito bem”, comenta Jean Marcelo Moreira da Silva, instrutor máster driver da Martin Brower e motorista profissional de caminhões há quase 20 anos. “A tecnologia está muito avançada, mas se não estiver preparado, as consequências são sempre muito grandes. Digo isso porque não tem o que reponha a vida de pessoas.”

QUALIFICAÇÃO

Até por isso, uma das formas com que os agentes do setor tentam contornar o problema é investindo na qualificação dos candidatos. Isso vem gradativamente mudando o perfil do motorista, na tentativa de atrair novos profissionais para o segmento, mas também – paradoxalmente – tornando mais difícil ingressar na profissão. “Ser caminhoneiro não é mais aquela coisa de antigamente, com um profissional de camisa aberta no peito, com chinelão e barbudo”, enfatiza Panzan. “Hoje isso mudou, tem de ser bem capacitado e bem tratado para transmitir uma boa imagem, pois ele é o cartão de visita da empresa.”

O fato é que, como principal ativo do setor, o motorista capacitado é disputado a tapas no mercado, que se ressente da indisponibilidade de bons profissionais e, por isso, passa a criar programas próprios de qualificação, nos quais – muitas vezes – o candidato passa até sete meses dirigindo com um parceiro do lado, para depois ser submetido à avaliação.

Afinal, não basta querer dirigir um caminhão, há muito mais em jogo. Para as empresas, trata-se de uma questão eminentemente econômica, que engloba a tríade veículo-motorista-serviços. “Um produto corretamente especificado, com manutenção em dia e bem conduzido também contribui para menor desgaste de componentes, economia de combustível e redução do impacto ambiental, com menor nível de emissões”, destaca Eronildo Santos, diretor de vendas de veículos da Scania no Brasil.

Já o instrutor Silva exemplifica a questão com números. “Com a mesma carreta, carga e topografia, antes eu fazia 2,39 km/l”, afirma. “Hoje, colocando em prática tudo o que aprendi, faço 3,09 km/l, mas ainda dá pra chegar a 3,12 km/l.” Há ainda o aspecto humano, que permita acompanhar a evolução da tecnologia com responsabilidade e cidadania. “Hoje, a gente realmente precisa de um motorista mais qualificado para entrar na estrada”, corrobora o instrutor. “E o treinamento transforma a pessoa como motorista, pai de família e cidadão, tornando-o mais capacitado e consciente das necessidades, riscos e consequências das atitudes tomadas.”