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02 de julho de 2014
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Transporte

Procuram-se motoristas

Como em outros setores, déficit de mão de obra também atinge transporte rodoviário de cargas, forçando operadoras, entidades de classe e fabricantes a buscar soluções para superar o problema
Por Marcelo Januário (Editor)

No Brasil, o setor de transporte de cargas de longa distância vive uma crise silenciosa em relação à renovação dos quadros de motoristas disponíveis no setor. A dificuldade é tão latente que o país já importa profissionais de outros países latino-americanos.

De fato, ao lado da persistente precariedade da infraestrutura rodoviária do país, esse talvez seja um dos maiores gargalos desse setor na atualidade. Nesse cenário preocupante, empresas transportadoras, sindicatos e fabricantes se esforçam por tornar a profissão mais atrativa para jovens profissionais, de modo a renovar um posto de trabalho importantíssimo para a logística e a própria cadeia produtiva do país, amplamente baseada no transporte rodoviário para escoamento de mercadorias. Afinal, o setor movimenta nada menos do que 65% de tudo o que é transportado no país.

“Tudo é feito de caminhão, do campo à mesa do consumidor, desde a matéria-prima até a indústria, passando pelo beneficiamento, centro de distribuição, pontos de venda, descarte e reciclagem”, diz Rodrigo Machado, coordenador da competição Melhor Motorista de Caminhão do Brasil.

Na indústria de caminhões, aliás, isso tem levado ao desenvolvimento de novos conceitos de produtos e relações de trabalho, que possam melhorar as condições de vida dos motoristas, incluindo o aperfeiçoamento da ergonomia, aumento de remuneração e disseminação de qualificação técnica. Mais que isso, se o quadro tornar-se irreversível, se especula até mesmo a possibilidade de prescindir desse profissional no longo prazo. Mas como caminhões autônomos – por enquanto – existem apenas na ficção científica, é preciso buscar soluções mais efetivas e de curto prazo.

DEFASAGEM

Segundo dados da NTC&Logística (Associação Nacional do Transporte de Carga e Logística), a defasagem atual de profissionais que operam caminhões corresponde a 10% da frota nacional, estimada em mais de 1,6 milhão de veículos.

Já uma sondagem realizada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostra que mais de 71,5% dos empresários do setor de transporte rodoviário têm dificuldade de contratar mão de obra qualificada. Além disso, 19,4% dos entrevistados destacam a falta de experiência e 17,9% citam o elevado custo da mão de obra como barreiras para as contratações.

Com isso, as projeções são de que o país tenha um déficit de 130 mil a 160 mil profissionais. “E não é nada fácil conseguir repor esse pessoal”, afirma José Alberto Panzan, presidente do Sindicamp (Sindicato das Empresas Transportadoras de Cargas de Campinas e Região), entidade fundada em 1983 e que representa 31 cidades. “Tanto que já começamos a importar motoristas da Colômbia e de outros países, com cerca de 150 profissionais já em atuação no Paraná, por exemplo.”