FECHAR
FECHAR
03 de maio de 2019
Voltar
Entrevista

PAULA ARAÚJO

Há mais de 15 anos no Grupo CNH Industrial, a atual vice-presidente da New Holland Construction para a América do Sul, Paula Araújo, reitera que o Brasil – por suas dimensões e pela necessidade inadiável de investimentos em infraestrutura – se mantém como um importante mercado para a empresa, especialmente para equipamentos da Linha Amarela.

Graduada em administração de empresas pelo Centro Universitário Newton Paiva com pós-graduação em gestão estratégica em marketing pelo Centro Universitário UNA e em gestão de projetos pelo Centro Dom Cabral, a executiva atuou por três anos na CNH Industrial na área de suporte ao pós-venda, passando em 2005 à New Holland Construction, onde atuou nas áreas de comunicação e nas gerências de marca e de marketing. Antes de assumir a vice-presidência da marca, o que ocorreu no início deste ano, ela também foi responsável pela gerência comercial de vendas da fabricante na Argentina.

Nessa trajetória, sua atuação no grupo tem sido pontuada por múltiplas atribuições e habilidades. Além de integrar o projeto de transição da FiatAllis para a marca atual, ela acumulou sólida experiência em áreas como exportação de peças, planejamento de eventos, desenvolvimento de rede, estratégias de vendas e pós-venda, brand communication e inteligência de mercado.

Nesta entrevista exclusiva à Revista M&T, dentre outros assuntos Paula Araújo discorre sobre o atual momento do mercado brasileiro de equipamentos de construção, destacando a importância crescente da exportação e as novas tecnologias que vêm sendo embarcadas nos equipamentos, além de comentar sobre o crescimento da presença feminina no setor. “Os momentos difíceis também abrem possibilidades de se encontrar novas oportunidades, se aproximar dos clientes e fomentar ideias criativas”, diz ela. Acompanhe.

  • Como é chegar à liderança de uma grande empresa em um dos momentos mais difíceis do mercado de construção no Brasil?

Ocupo cargos de liderança desde 2013, primeiro como gerente de brand marketing e, depois, como gerente comercial na Argentina, um país que se encontrava então em um dos momentos mais delicados de sua economia nos últimos anos. E, mesmo assim, conseguimos dobrar a participação de mercado da marca em apenas seis meses.

Isso mostra que os momentos difíceis também abrem


Há mais de 15 anos no Grupo CNH Industrial, a atual vice-presidente da New Holland Construction para a América do Sul, Paula Araújo, reitera que o Brasil – por suas dimensões e pela necessidade inadiável de investimentos em infraestrutura – se mantém como um importante mercado para a empresa, especialmente para equipamentos da Linha Amarela.

Graduada em administração de empresas pelo Centro Universitário Newton Paiva com pós-graduação em gestão estratégica em marketing pelo Centro Universitário UNA e em gestão de projetos pelo Centro Dom Cabral, a executiva atuou por três anos na CNH Industrial na área de suporte ao pós-venda, passando em 2005 à New Holland Construction, onde atuou nas áreas de comunicação e nas gerências de marca e de marketing. Antes de assumir a vice-presidência da marca, o que ocorreu no início deste ano, ela também foi responsável pela gerência comercial de vendas da fabricante na Argentina.

Nessa trajetória, sua atuação no grupo tem sido pontuada por múltiplas atribuições e habilidades. Além de integrar o projeto de transição da FiatAllis para a marca atual, ela acumulou sólida experiência em áreas como exportação de peças, planejamento de eventos, desenvolvimento de rede, estratégias de vendas e pós-venda, brand communication e inteligência de mercado.

Nesta entrevista exclusiva à Revista M&T, dentre outros assuntos Paula Araújo discorre sobre o atual momento do mercado brasileiro de equipamentos de construção, destacando a importância crescente da exportação e as novas tecnologias que vêm sendo embarcadas nos equipamentos, além de comentar sobre o crescimento da presença feminina no setor. “Os momentos difíceis também abrem possibilidades de se encontrar novas oportunidades, se aproximar dos clientes e fomentar ideias criativas”, diz ela. Acompanhe.

  • Como é chegar à liderança de uma grande empresa em um dos momentos mais difíceis do mercado de construção no Brasil?

Ocupo cargos de liderança desde 2013, primeiro como gerente de brand marketing e, depois, como gerente comercial na Argentina, um país que se encontrava então em um dos momentos mais delicados de sua economia nos últimos anos. E, mesmo assim, conseguimos dobrar a participação de mercado da marca em apenas seis meses.

Isso mostra que os momentos difíceis também abrem possibilidades de se encontrar novas oportunidades, se aproximar dos clientes e fomentar ideias criativas. Sem dúvida, não foram os anos mais fáceis que já enfrentamos, mas com uma rede de concessionários consolidada, equipe treinada e comprometida, além de produtos que carregam tradição, inovação e qualidade, foi possível desenvolver o trabalho com competência e confiança.

Prestes a completar 70 anos no país a New Holland Construction segue confiante no mercado brasileiro, destaca Paula Araújo

  • Nesse sentido, o que pode estimular a retomada da atividade no setor?

No cenário atual, percebemos que pouco a pouco o mercado vem apresentando sinais de [ganhos de] confiança. O Brasil é um país de dimensões continentais que ainda requer muita infraestrutura. Então, a retomada tende a ocorrer naturalmente. Destaco que a New Holland Construction foi a primeira fábrica do Grupo Fiat a se instalar no país. Em 2020, caminharemos para 70 anos de história no Brasil. E ao longo desta longa jornada foi possível aprender com erros e acertos, atravessando momentos desafiadores como tem sido nos últimos anos.

  • O que é preciso ser feito para o mercado reagir?

Somos um país geograficamente grande, com uma população considerável e um amplo potencial de mercado. E, como disse, necessitamos de investimentos sustentáveis em infraestrutura. Assim, é fundamental que o governo invista em obras públicas, seja por meio de concessões ou outros modelos, para alavancar o crescimento econômico estruturado e sustentável do país nos próximos anos.

  • Em relação à fábrica brasileira, o que a empresa vem realizando em termos de processos?

Desde 2015, a nossa planta de Contagem (MG) passou por modernizações na linha de montagem, nas áreas de solda e usinagem, em projetos de engenharia e em processos de nacionalização, incluindo a seleção de fornecedores e testes de validação no Campo de Provas de Sarzedo e nos clientes, buscando atender à crescente demanda do mercado da América do Sul. Todas essas melhorias no sistema produtivo levaram a planta a alcançar o nível prata do World Class Manufacturing (WCM), um dos mais altos padrões da indústria de manufatura no mundo. O sistema trabalha no aprimoramento constante de gestão e processos, visando à eliminação de perdas de qualquer espécie (energia, materiais e capital humano), além de garantir a qualidade projetada e esperada de nossos produtos. Além disso, a unidade também é certificada com o ISO 14001 (sistema de gestão ambiental) e o ISO 50001 (sistema de gestão de energia).

  • Esses investimentos também resultaram em novos equipamentos?

Sim. Como resultado dos investimentos, apresentamos seis novos modelos de escavadeiras da família Série C EVO, de fabricação nacional. Somente na produção em Contagem foram investidos R$ 36,5 milhões para desenvolvimento, nacionalização e lançamento desses modelos. Os esforços também são evidenciados pelas nossas iniciativas de trazer diferentes soluções para o mercado. Nesse sentido, consolidando a linha completa de escavadeiras de 1 a 50 t lançamos em 2018 uma nova família de miniescavadeiras, pronta para atender às diversas demandas do segmento. Composta por cinco modelos – E17C, E18C, E26C, E33C, E37C –, a nova linha tem braço longo, o que proporciona maior alcance e profundidade de escavação, além de terceira função para implementos hidráulicos.

  • O que a empresa tem trabalhado em termos de novas tecnologias?

A New Holland Construction segue investindo em novas soluções alinhadas às demandas do mercado. Foi assim na M&T Expo 2018, quando apresentamos a retroescavadeira B95B Acessível, um novo conceito entre as máquinas de construção, dotada de uma plataforma de elevação e um joystick que comanda os movimentos necessários para realizar o embarque/desembarque e o acesso à cabina de pessoas com mobilidade reduzida, assim como a pá carregadeira W190B Conecta, com biometria, permitindo acessar a cabine e acionar a ignição do motor usando apenas a digital, o que viabiliza a gestão do perfil dos usuários e reduz riscos de furtos. Também posso citar o wireless, que transfere todos os comandos exibidos no painel das máquinas para um tablet, permitindo que o equipamento seja ativado à distância. São soluções conceituais que buscam aumentar a conectividade e a integração com o cliente. E, embora exibidas como veículos-conceito, são tecnologias já em fase de validação.

  • Atualmente, quem são os principais clientes da marca?

De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), os principais segmentos incluem construção, governo, locação e agricultura.

  • Qual é a estrutura e os projetos atuais para a rede de distribuidores?

A New Holland Construction conta com uma rede de distribuição presente em todos os estados, com concessionários estrategicamente posicionados no Brasil e na América do Sul. Temos uma ampla cobertura de mercado para a indústria de equipamentos de construção, com o objetivo de prestar um atendimento diferenciado e entender de perto às necessidades dos nossos clientes. A rede de concessionários adota um programa de excelência, o Dealer Standards, com acompanhamentos e avaliação anual, garantindo nossa atuação, distribuição e performance nos mais diversos mercados, segmentos e aplicações.

  • Quais são os produtos mais vendidos no país?

De maneira geral, os equipamentos mais comercializados são as retroescavadeiras, seguidas por pás carregadeiras e escavadeiras hidráulicas. Mas o comportamento de consumo varia pontualmente, dependendo da região, de seus principais segmentos e das aplicações.

  • Como a fábrica brasileira atua no que tange às exportações?

Nossa inteligência de mercado faz os levantamentos de consumo dos países importadores para definir os volumes indicados de produção. Através da rede de concessionárias, da equipe comercial e dos especialistas de produto da marca, buscamos preparar as configurações mais adequadas para atender às diversas demandas em função da especificidade de cada aplicação. A fábrica de Contagem exporta para países do Caribe e das Américas do Sul e Central, exceto México.

Segundo a executiva, a retroescavadeira B95B Acessível estabelece um novo conceito entre as máquinas de construção

Os principais mercados latino-americanos, de acordo com a Association of Equipment Manufacturers (AEM), são Brasil, Argentina, Chile, Peru, Colômbia, Equador e Panamá. Já as máquinas mais exportadas são a retroescavadeira B95B e as motoniveladoras RG170B e RG200B, para os segmentos de construção, terraplanagem, locação e indústria.

  • A exportação segurou o negócio nesse período de baixa?

É natural que, em momentos de retração local, todas as oportunidades sejam consideradas e a exportação, sem dúvida, sempre exerceu um importante papel em nossos negócios. Contudo, o mercado latino-americano tem uma ampla oferta de origem de produtos, do Brasil, Estados Unidos, Itália, Japão e Coreia do Sul. Assim, trabalhamos de maneira assertiva para identificar as demandas dos mercados do continente.

  • Quais são os desafios que uma liderança feminina enfrenta neste mercado?

A presença feminina vem crescendo em todos os setores devido a uma mudança de cultura, na qual o antigo conceito de ser “do lar” já não se aplica como obrigatoriedade. O mundo atual permite uma infinidade de escolhas.

Rede de serviços oferece ampla cobertura e atendimento diferenciado ao mercado, destaca a vice-presidente

A mulher pode se tornar uma profissional bem-sucedida no mercado de trabalho ou se realizar na dedicação integral ao lar e à família. A globalização permitiu uma liberdade não experimentada no passado.

A dinâmica nos lares também mudou, assim como o preconceito que existia antes. Dizer que não existe mais ainda é uma utopia, mas a nova geração já absorve melhor a presença feminina em todos os segmentos. Batalhei muito para estar neste momento de realização profissional e, particularmente, nunca pensei no fato de ser ou não do sexo feminino. Até porque tive a oportunidade de trabalhar em uma empresa que respeita a equidade.

Saiba mais:

New Holland Construction: construction.newholland.com