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08 de março de 2018
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Entrevista

PATRÍCIA HERRERA

Gerente-geral da Moba do Brasil, a executiva Patrícia Herrera é enfática em destacar como atualmente a tecnologia está presente na vida cotidiana das pessoas. Segundo ela, contudo, ainda é uma tarefa árdua quebrar paradigmas em relação à presença da tecnologia nos canteiros de obras de países como o Brasil e outros com o mesmo nível de desenvolvimento econômico.

Tal análise é feita com a propriedade de uma especialista. Engenheira mecânica e mecatrônica formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), ela atua há mais de uma década na área de automação, amealhando experiência tanto na área industrial quanto na de equipamentos móveis, um segmento relativamente novo e ainda em desenvolvimento no Brasil.

Também especializada em gestão de projetos, Patrícia Herrera explica que, assim como as tecnologias entraram no cotidiano das pessoas de forma gradual nos últimos 50 anos, também deve ser inserida aos poucos no segmento da construção pesada, inicialmente com soluções de utilização mais simples, como uma primeira etapa de mudança.

Essa é justamente a estratégia adotada pela multinacional alemã Moba, que desenvolve componentes e sistemas integrados para automação de equipamentos móveis. Nesta entrevista exclusiva à Revista M&T, a engenheira descreve os desafios para dar cabo desta missão no Brasil, com destaque para a disseminação de produtos de entrada, que impactam menos a contumaz cultura organizacional local, mas já agregam benefícios reais em produtividade e confiabilidade às operações. Acompanhe.

"Quais são as principais barreiras que impedem a inserção de tecnologias de ponta no setor nacional da construção?

No Brasil, o mercado de construção pesada é um pouco conservador quando o assunto é inovação. Como normalmente o custo da tecnologia é elevado, existe um receio por parte de quem toma a decisão, temendo-se que as equipes de campo não se adaptem ao produto ou que não haja a mudança de cultura necessária para se extrair o máximo de benefício que a tecnologia possa proporcionar. Além disso, é importante destacar que, em se tratando de estradas, por exemplo, muitas vezes os contratantes públicos e privados são incapazes de fiscalizar adequadamente, mesmo que exijam precisão no resultado final. Junto a isso, soma-se a alta rotatividade das equipes de campo, o que torna mais difícil a retenção e multiplicação do conhecimento. Sem falar no momento de estagnação de obras que vivemos já há alguns anos, em função do cenário político-econômico de nosso país.

Produção editorial: Revista M&T – Desenvolvido e atualizado por Diagrama Marketing Editoral