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16 de junho de 2010
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Motores a diesel

O que nos guarda o futuro

Com tecnologias que já permitem um rigoroso controle na emissão de poluentes em motores diesel, Brasil estuda uma proposta de normatização para equipamentos alinhada com o Tier II, etapa superada há quatro anos nos países industrializados

Desde 2006, um debate vem ganhando corpo no setor de equipamentos para construção, de forma discreta, quase sem despertar a atenção de muitos profissionais que atuam nessa área. Trata-se da criação de uma norma para controlar os níveis de poluentes emitidos pelas máquinas mobilizadas nos canteiros de obras do Brasil. A futura normatização já conta até mesmo com uma proposta de texto, encaminhada no final do ano passado ao órgão ambiental competente.

A proposta, apresentada pela Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) e pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), aguarda uma avaliação do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), para ser posta em debate até sua validação final, por parte do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). “Esse assunto vem se estendendo há quase seis meses, aumentando a cada dia o nosso atraso tecnológico no que se refere ao uso de motores menos poluentes”, afirma Vicente Pimenta, vice-diretor do Comitê de Máquinas Agrícolas e de Construção da SAE Brasil.

Até recentemente, o assunto vinha sendo tratado com pouca prioridade pelos órgãos ambientais, que consideravam os equipamentos fora-de-estrada como responsáveis por uma parcela mínima de poluentes lançados à atmosfera, quando comparados aos veículos automotores. Entretanto, um estudo desenvolvido pela Petrobras contribuiu para mudar o cenário. Segundo ele, os equipamentos de construção e mineração seriam responsáveis pela emissão de 20% de todos os gases poluentes gerados pela frota brasileira movida a motor diesel – incluindo-se ai as máquinas estacionárias e off-shore.

Para um observador atento, a nova abordagem também surge para fazer frente ao ingresso de equipamentos tecnologicamente defasados no País. Obviamente, sem a criação das indesejáveis barreiras à importação, mas por meio de uma legislação ambiental compatível à adotada pelos países industrializados.

Viés conservador
Antônio Carlos Bonassi, gerente de assuntos governamentais e institucionais da Caterpillar, ressalta que os fabricantes instalados no Brasil dispõem de tecnologia internacional e estão capacitados a atender a essa exigência. “Todas as indústrias de primeira linha já podem equipar seus modelos com motores menos poluentes, que se enquadrem pelo menos no Tier III”, diz ele.