FECHAR
FECHAR
11 de maio de 2015
Voltar
Gestão

O estado da arte na construção

Para aumentar a produtividade nos canteiros, especialistas sugerem integração de processos, sistemas inovadores, equipamentos de alta tecnologia e capacitação

Decorrida uma década e meia do novo século, a construção brasileira parece ter adentrado em uma era de impasses. Após marcar época com obras ambiciosas que entraram para o cânone da engenharia – como Itaipu, Ponte Rio-Niterói e Brasília, dentre outras –, atualmente a área sofre críticas internas reincidentes por falhas de projetos, baixa produtividade e ausência de visão processual, por exemplo. Constantemente, estes fatores são apontados como causa dos estouros de prazos e orçamentos, que (dentre outros motivos que não vêm ao caso) minam uma retomada mais consistente do país.

Nessa linha, também são apontados gargalos como desperdício de material, legislações defasadas e baixa automação, que evidenciam a necessidade urgente de se promover uma quebra de paradigmas. No momento, inclusive, as empresas se voltam para o aumento da eficiência como forma de driblar as dificuldades e alavancar o fluxo de caixa, o que faz com que o tema ganhe relevância ainda maior nas análises dos profissionais do setor.

“Não temos engenheiros de processos, só técnicos”, crava Jevandro Barros, diretor do IOpEx Brasil (Instituto for Operational Excellence), pontuando como imperativa a criação de ferramentas e modelos de excelência operacional no setor, incluindo sistemas integrados de produção. “Realmente, tivemos uma queda na produtividade nos últimos anos”, corrobora Hugo Marques da Rosa, presidente da Método Engenharia, vendo na construção o maior indutor para o crescimento da economia do país. “Há muitos desvios entre projeto e execução, além de erros primários em topografia e geometria, por exemplo.”

PRODUÇÃO

Parece um retrocesso sério para um setor tão importante. Mas a boa notícia é que há meios (e sugestões práticas) para superar esse descompasso. Para Barros, por exemplo, o novo modelo a ser adotado deve ter foco na produção, promovendo uma industrialização crescente da construção que promova processos de planejamento, indicadores de evolução e, acima de tudo, previsibilidade. “É preciso envolver todos os stakeholders o quanto antes na obra, criando mecanismos de gestão e controle que garantam maior eficiência aos projetos”, comenta o especialista. “Isso inclui a mobilização do corporativo ao encarregado, no que chamamos de ‘planejamento puxado’.”

Como tendência viável, tal procedimento já é praticado nos Estados Unidos, diz ele, onde predomina um modelo mais multifuncional e flexível, facilmente adaptável. “Ao se formalizar as ferramentas, torna-se possível utilizá-las em todas as obras, dispondo de um cálculo científico do ritmo de produção e nivelamento de recursos”, diz Barros.