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11 de maio de 2015
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A Era das Máquinas

O desafio do Canal do Panamá

Por Norwil Veloso

Na construção de ferrovias e em grandes obras como os canais de Suez, Kiel e Manchester, as escavadeiras contínuas, com correntes de caçambas, já haviam mostrado ser mais eficientes que as grandes escavadeiras tipo shovel. Mas qual seria o futuro?

Nos anos posteriores a 1885, essas escavadeiras também foram usadas no início da construção do Canal do Panamá, dirigida pelo conde Ferdinand De Lesseps, que também havia sido o arquiteto do Canal de Suez. Mas a execução da obra teria um efeito marcante sobre a evolução das tecnologias de escavação.

O traçado do canal que uniria os oceanos Atlântico e Pacífico previa uma extensão de 81 km no nível dos oceanos, na maior e mais cara obra até então executada. A profundidade era de 9 m, com largura de 22 m no fundo e de 27,5 m na superfície da água. O volume total de escavação foi estimado em 120 milhões de m³.

Em 1876, foi fundada a Societé Internationale du Canal Interocéanique, para execução dos trabalhos. Dois anos depois, essa empresa obteve uma concessão do governo colombiano, que na época controlava o istmo. Os planos previstos lançaram a França literalmente num frenesi, mas apesar de uma campanha publicitária forte e extravagante, não lograram bons resultados por várias razões.

O canal ao nível do mar proposto por De Lesseps exigia um enorme volume de escavação, em grande parte de rocha, para travessia do maciço rochoso da América. Além disso, havia necessidade de desviar rios, principalmente o Rio Chagres, pois seu simples lançamento no canal traria riscos para a navegação.

Contudo, o maior problema encontrado foi mesmo a elevada taxa de mortalidade, com uma média diária de três mortes para cada mil operários. Num período de quatro anos, 9.800 operários brancos e 22 mil afro-americanos trazidos da Índia faleceram de acidentes, malária, febre amarela, ingestão de água e alimentos contaminados.

ALTERAÇÃO

Após o início das obras, em 1881, constatou-se que as escavadeiras de correntes de caçambas de 70 toneladas, movidas por motores a vapor de 80 hp, apenas raspavam o solo problemático e rochoso. Com isso, a produção de cada máquina era de apenas 300 m³ por dia, o que significava atrasos gigantescos que destruiriam um cuidadoso planejamento.

Como resultado, a empresa ficou no limiar da ruína financeira e De Lesseps, já velho e há tempos sobrecarregado financeiramente, não teve como honrar seus compromissos. Apesar de já terem sido escavados 60 milhões de m³ do traçado (40%), não houve meio de prosseguir as obras conforme planejado e, em 1887, decidiu-se construir um canal com eclusas, com volume escavado menor, que aproveitaria as obras já realizadas.