FECHAR
08 de junho de 2015
Voltar
A Era das Máquinas

O advento das tuneladoras

Por Norwil Veloso

Na metade do século XIX, a civilização Ocidental ainda vivia a era das ferrovias. Na Europa, no entanto, os traçados frequentemente eram interrompidos por serras e cadeias de montanhas, como os Alpes, por exemplo.

Soluções como contornar ou passar sobre as serras eram caras e demoradas, o que fortaleceu a ideia de seguir “através” da formação geológica, executando o menor percurso possível. Em outras palavras, abrir túneis, na maior parte das vezes em rocha.

Até essa época, para escavar a rocha eram feitos furos, depois carregados com explosivos e, por fim, detonados. Em seguida, retornava-se o mais rápido possível para escorar a frente antes que ela desabasse, executando em seguida a remoção do material escavado. De fato, este sistema era perigoso e ineficiente. Além disso, a frente de trabalho tornava-se extremamente poluída, o que exigia a remoção do ar durante certo tempo, até que se pudesse novamente entrar nas cavidades.

As dificuldades eram grandes. A frente de trabalho era fisicamente pequena, o que permitia a execução somente por pequenas equipes, com sérias limitações de produção. Além disso, o tempo gasto para remoção do material escavado, para troca de ferramentas e outras atividades de apoio à escavação tornavam esse serviço extremamente lento e custoso.

Para superar essa dificuldade, buscou-se inicialmente aumentar a capacidade dos equipamentos, simplesmente aumentando seu tamanho para poder escavar seções maiores. Nesse sentido, a primeira tentativa foi feita por um engenheiro belga, Henri-Joseph Maus, que possuía grande experiência em mineração e aceitou o desafio de escavar um túnel entre França e Itália, sob o Monte Frejus.

FATIADORA

Chamada de “Mountain Slicer” (fatiadora de montanhas), a máquina de Maus possuía mais de cem perfuratrizes de percussão, montadas numa complexa estrutura de engrenagens e trilhos. A solução foi produzida numa fábrica próxima a Turim e colocada em serviço em 1846.

Além de necessitar de alimentação ininterrupta de energia, produzida na parte externa do túnel, o fornecimento tornava-se cada vez maior devido à extensão das linhas, o que elevava significativamente as perdas. Além disso, problemas políticos ocorridos em 1848 (as revoluções de cunho liberal conhecidas com o “Primavera dos Povos”) interromperam o fluxo de fundos para o empreendimento, que só veio a ser concluído 10 anos depois, pelo método convencional. Assim, a máquina de Maus nunca foi testada em todo seu potencial.