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06 de fevereiro de 2014
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Combustíveis Alternativos

Novas soluções demandam investimentos

Para se tornar viável, inserção de novos sistemas propulsores como híbridos, elétricos, a gás natural e a pilha exige ajustes tecnológicos, econômicos e sociais

Em relação às novas fontes de energia, é necessária uma conjugação de investimentos consideráveis por parte do Estado e da indústria privada. No âmbito estatal, dizem os especialistas, é importante que haja leis de incentivo à sua utilização, desde a produção até a distribuição e adequação dos motores. Por outro lado, no âmbito empresarial privado, como as indústrias de veículos, peças e combustível, é essencial investir na adaptação das tecnologias dos veículos e na infraestrutura de abastecimento, inclusive oferecendo preços mais competitivos para consumo.

Em países em desenvolvimento como o Brasil, essa modificação seria quase impraticável no médio prazo, por conta dos altos custos e taxas de juros aqui praticadas pelo mercado financeiro. A melhor forma de iniciar essa adaptação é pesquisando soluções locais, e não globais. “A seleção de alternativas energéticas produzidas localmente, como os biocombustíveis, por exemplo, pode se configurar numa excelente contribuição para a sustentabilidade econômica ao reduzir a transferência de seus recursos para outras localidades”, descrevem Suzana Kahn Ribeiro e Márcia Valle Real, autoras do livro “Novos Combustíveis”.

Como se vê, o preço é uma das peças-chave da questão. O combustível alternativo precisa ser mais barato que a gasolina e o diesel e, se tiver um rendimento energético menor, também deve ser proporcionalmente mais barato que a queda registrada no rendimento. “Muitas vezes, o preço dos combustíveis nos postos não é o valor real, pois recaem sobre ele taxas e tributos que aumentam consideravelmente o preço final”, explicam as especialistas.

Com isso, é preciso ater-se aos ajustes econômicos e sociais que são deflagrados com a inserção de novos combustíveis, tais como o número de postos de trabalho que isso vai gerar ou excluir, a redução dos impactos sobre a saúde das pessoas, as possibilidades de implantação de empresas em determinadas regiões e outros fatores cruciais de sustentabilidade social, econômica e ambiental.

TEORIA

Além disso, é preciso desenvolver uma série de dispositivos para o sistema propulsor aceitar e operar com o combustível de forma rentável. Desse modo, a adequação dos motores para uso de combustíveis alternativos é um fator primordial.

Um bom exemplo é o sistema flex, já bastante comum em veículos leves de passeio em todo o mundo. Com um sistema regulado por meio de um dispositivo eletrônico de injeção, o recurso oferece a possibilidade de se misturar gasolina e etanol no mesmo tanque. Assim, é calculada a quantidade adequada para gerar a combustão por centelha, em um processo conhecido por “Ciclo Otto”.