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05 de fevereiro de 2014
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Combustíveis Alternativos

Muito além do petróleo

Para reduzir a dependência do petróleo, pesquisadores e fabricantes avaliam a viabilidade comercial da introdução de novos combustíveis na indústria de transportes
Por Thomas Tjabbes

Preconizada por muitos como a “era da diversidade energética”, o século XXI caminha hipoteticamente para o esgotamento do petróleo e, por isso, já testa a utilização de novos meios energéticos, como motores híbridos, hidrogênio, diesel sintético e outros. O desafio técnico, entretanto, é criar um sistema de propulsão que seja viável não apenas em termos ambientais, mas também social e economicamente. Mais do que isso, para se tornar viável, a inovação precisa abarcar desde automóveis leves de passeio até veículos fora de estrada, como pás carregadeiras, escavadeiras, motoniveladoras e outros. Essa é justamente a linha de pesquisa proposta pela obra “Novos Combustíveis”, de autoria de Suzana Kahn Ribeiro e Márcia Valle Real e cuja primeira edição foi publicada pela E-Papers Serviços Editoriais.

Segundo as autoras, por mais de um século a utilização de combustíveis fósseis serviu como força motriz básica para a indústria de transportes. Até recentemente, 96% de todo o transporte veicular no mundo utilizavam combustíveis derivados do petróleo. Como se sabe, a preocupação em reduzir essa representatividade não vem ocorrendo apenas por questões ambientais, relacionadas às emissões de poluentes decorrentes da queima do combustível, mas principalmente por um fator que pode atingir a indústria global em algumas décadas: o esgotamento dos recursos naturais.

ESGOTAMENTO

O petróleo é um combustível fóssil formado pela decomposição de matéria orgânica, em um processo que requer milhões de anos para se desenvolver. Com a extração ininterrupta das reservas naturais não renováveis, entidades como a Administração de Informações sobre Energia dos Estados Unidos (US-EIA) e a Agência Internacional de Energia (IEA) apontam para um iminente esgotamento do recurso. Para tornar a situação ainda mais crítica, essas reservas estão distribuídas de forma irregular geograficamente, com quase 80% das jazidas pertencentes a países-membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), em sua maioria nações do Oriente Médio. Em termos geopolíticos, isso evidentemente gera uma dependência logística e predomínio estratégico dessa entidade em relação ao mercado consumidor mundial. Algo que, é claro, também incomoda muita gente.

Na questão dos impactos ambientais, não menos importante, a utilização dos combustíveis fósseis no transporte rodoviário acarreta outro problema bem conhecido. A queima de gasolina e óleo diesel libera dióxido de carbono (CO₂), óxidos de enxofre (SOx), nitrogênio (NOx) e material particulado (MP), todos eles elementos químicos causadores de problemas à saúde das populações, sendo que – para complicar – o CO₂ é um dos agentes centrais do chamado Efeito Estufa (que presumivelmente está esquentando perigosamente o planeta).