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12 de maio de 2017
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Plataformas

Momento de reinvenção

Embora não possa mais ser considerado um hot spot global, mercado nacional de plataformas aproveitou anos de crescimento para consolidar SEU processo de normatização
Por Joás Ferreira

Nos últimos dois anos, o segmento de plataformas de trabalho aéreo (PTA) vem passando por importantes transformações no Brasil, tanto no que diz respeito a questões mercadológicas quanto tecnológicas e normativas.

Para o especialista Marcelo Bracco – que conhece profundamente este mercado, pois foi diretor das operações da Haulotte no Brasil por quatro anos, posteriormente estruturou a Socage do Brasil e atualmente é diretor geral da Manitou para a América Latina –, o Brasil deixou de ser visto como um hot spot global no segmento de plataformas em função de alguns fatores-chave.

O primeiro é o fato de o mercado da construção – o principal para esta família de máquinas – ter entrado em uma profunda crise a partir de 2014, após anos seguidos de sólido crescimento e expectativas positivas. “E, segundo, porque diversas empresas entraram no mercado ao mesmo tempo, fazendo com que o preço de locação, vetor da demanda das soluções, não acompanhasse a evolução do preço das máquinas”, complementa Bracco.

REVISÃO

Desta forma, o especialista acredita que atualmente “o setor de locação de plataformas está com valores muito baixos, se comparado com a mesma relação preço da máquina/valor de locação de sete anos atrás”.

Segundo Bracco, o segmento está passando por um momento de reestruturação e deve ser repensado. “O nosso mercado de plataformas não pode mais ser considerado um hot spot global, mas sim um mercado que necessita se reinventar e rever seus valores e players”, comenta o executivo.

Tanto é verdade que, segundo ele, muitos players atuantes com venda e locação estão perdendo o interesse pelo setor, em função da queda abrupta de rentabilidade. Entretanto, as empresas mais estruturadas, organizadas e com produtos bem desenvolvidos devem continuar nesse mercado. “Com a retomada da economia, o setor também deverá crescer no Brasil, mas de forma mais lenta e gradativa, sem contar mais com as bolhas de consumo do passado”, projeta o executivo da Manitou, que – talvez por uma questão de estratégia – tem no Brasil uma penetração maior de manipuladores telescópicos do que de plataformas, ainda praticamente ausentes por aqui.

NORMATIZAÇÃO

Se no âmbito dos negócios o mercado esfriou (e muito) para as plataformas, o mesmo não pode ser dito em relação às normatizações, que se aproveitaram dos anos de crescimento para consolidar-se em requisitos de segurança e confiabilidade. Trata-se de um ganho que evidentemente não pode ser minimizado, tendo em vista sua importância para o setor.