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02 de julho de 2014
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Autobetoneiras

Garantindo o traço do concreto

Com demanda em queda nos últimos anos, mercado nacional de autobetoneiras assiste a um aumento nas reformas estruturais para estender a vida útil dos equipamentos
Por Camila Waddington

Na Europa e em vários outros mercados do mundo, as autobetoneiras têm a função única de transportar o concreto produzido em centrais misturadoras. No Brasil, diversamente, principalmente devido a questões tributárias (confira quadro na pág. 46) esses equipamentos têm a dupla função de transportar e, simultaneamente, misturar o concreto durante o trajeto.

Isso torna as autobetoneiras cruciais aos processos de concretagem, além de explicar porque o país consome cerca de duas mil unidades de máquinas novas anualmente. Mas essa cultura também torna a frota nacional menos efetiva, com os equipamentos chegando apenas à metade da vida útil prevista, em comparação aos mesmos modelos utilizados no exterior.

Mas isso tende a mudar. Mesmo sem modificar a função das autobetoneiras – ou seja, continuam a misturar o concreto durante o transporte –, a expectativa de vida útil já vem se alterando, conforme evidenciam números da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir).

REFORMA

O cenário é efetivamente complexo. Em 2013, como destacado acima, foram consumidas duas mil unidades dessas máquinas. Apesar de significativo, esse volume foi 12% menor que a quantidade consumida em 2012, que por sua vez já havia recuado10% em relação a 2011. “Ou seja, as vendas de autobetoneiras estão reduzindo ano após ano”, avalia Ricardo Lessa, diretor-presidente da Schwing-Stetter. “Mas isso não significa que o mercado está transportando menos concreto, e sim que aumentou, e muito, o volume de reforma dos equipamentos com mais de cinco anos de uso.”

Evidentemente, esse contexto impacta nos resultados da indústria nacional, que atualmente teria uma capacidade produtiva de até 3,5 mil unidades por mês. “Como consequência, a renovação de frota nesse mercado é cada vez menor, com as empresas prolongando a vida útil das máquinas antigas”, diz o executivo. “As vendas de betoneiras novas ficam restritas ao crescente mercado de concreto industrializado e sua expansão natural de frota.”

Segundo Lessa, não há qualquer fonte oficial que monitore e dimensione o volume de autobetoneiras vendidas no país. Mas o diretor cita uma composição de dados de mercado e associações ligadas ao setor cimenteiro para concluir que o Brasil produziu algo entre 53 e 55 milhões de metros cúbicos de concreto industrializado no ano passado. E, na maior parte, esse montante foi transportado por autobetoneiras. “Considerando que cada equipamento transporta uma média de 350 m³/mês, podemos concluir que o país opera aproximadamente 12 mil unidades de autobetoneiras, cuja distribuição – que também não é oficialmente mapeada – está majoritariamente concentrada (65%) nas regiões industrializadas do Sul e Sudeste, ficando outros 25% nos principais centros do Centro-Oeste, Norte e Nordeste”, projeta Lessa. “O restante está nos interiores de cada região.”