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16 de junho de 2010
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Complexo de Suape

Estaleiro marca o renascimento da indústria naval brasileira

Com a entrega do primeiro navio Suezmax encomendado pela Transpetro, o Estaleiro Atlântico Sul marca o ressurgimento da indústria naval do País e consegue atender aos pedidos simultaneamente à instalação da sua infraestrutura

Na primeira semana de maio, o Complexo Industrial de Suape, em Pernambuco, foi palco de uma festa de repercussão nacional, com direito à presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de demais autoridades. O motivo para as comemorações foi a entrega do primeiro navio petroleiro à Transpetro – a subsidiária da Petrobras para operações de transporte – dentro do Programa de Modernização e Expansão da Frota nacional (Promef), realizado pelo Estaleiro Atlântico Sul (EAS).

Instalado em Suape a toque de caixa, o EAS conseguiu, com esse fato, realizar duas proezas: além da entrega marcar a retomada da indústria naval brasileira – já que essa representa a primeira de uma série de 49 embarcações encomendadas, após 13 anos de completa inatividade nesse setor – o estaleiro construiu o navio simultaneamente à implantação de sua infraestrutura. Sem dúvida, trata-se de um feito digno de méritos.

Segundo José Roberto de Moraes, diretor de implantação do EAS, a adoção dessa estratégia exigiu o cumprimento rigoroso dos cronogramas estabelecidos desde o início da implantação do projeto. “Entre a liberação de determinada área ou infraestrutura construída e a sua ocupação para o início da produção, os intervalos de tempo não chegavam a uma semana”, diz ele.

O desafio do dique seco
Assim ocorreu com a obra do dique seco, com 400 m de comprimento por 73 m de largura e 12 m de profundidade. Enquanto parte dessa estrutura era finalizada e ocupada para a construção do navio petroleiro, outra parte ainda se encontrava em fase de escavação. “Esse tipo de procedimento implicava alto risco de acidente, pois qualquer vazamento nas obras poderia ser fatal para os operários do estaleiro.”

Apesar do perigo, Moraes ressalta que toda a implantação do EAS e a construção do primeiro navio ficaram isentas de acidentes graves. Ele atribui esse resultado à adoção de procedimentos diferenciados de engenharia. “Quando identificávamos vazamentos nas paredes diafragma, atuávamos rapidamente na sua contenção com a aplicação de jet grout.” Com a injeção de colunas de cimento sob alta pressão, por meio de equipamentos de perfuração apropriados, foi possível conter vazamentos durante a obra do dique seco, possibilitando seu uso para produção, mesmo durante a construção.

Em condições normais de escavação, sem imprevistos, a abertura do dique seco chegava a resultar no carregamento de cerca de 200 caminhões por dia, equipados com caçamba de 20 m³. “Eles eram carregados por escavadeiras hidráulicas de médio porte”, completa Moraes.