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12 de maio de 2016
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Gestão de Frotas

Engenharia da confiabilidade

Com base em cálculos estatísticos, sistemas especializados estão ajudando companhias dos mais diversos segmentos a tornarem suas operações mais eficientes – e rentáveis
Por Camila Waddington

Como se sabe, o lucro cessante é o maior pesadelo de gestores de empresas de quaisquer portes ou setores da atividade econômica. Em outras palavras, ninguém gosta de jogar dinheiro pela janela. E descuidar da manutenção dos ativos físicos é seguir um caminho certo para a bancarrota.

Com esta preocupação em seus calcanhares, muitas empresas estão buscando administrar melhor seus bens, na maioria das vezes, os principais geradores de renda para o negócio. Foi para atender a essa demanda crescente por serviços mais eficientes (e lucrativos) que surgiram companhias especializadas em fornecer soluções específicas para a gestão de ativos.

A Reliasoft é uma delas, exibindo atualmente uma carteira com clientes como AES Brasil, Bunge e ALL Logística. Segundo o diretor executivo Claudio Spanó, a lógica que rege estes sistemas é simples e direta. “Nosso trabalho é gerar estatísticas de falhas dos equipamentos, incluindo ‘quando’, ‘como’ e ‘em que pontos’ irão falhar, de modo a antecipar o problema”, explica. “Isso é o que chamamos de engenharia da confiabilidade: evitando a falha, o ativo ganha em vida útil e disponibilidade.”

Uma máquina ou equipamento só gera lucro estando em plena operação, isso também é sabido. Mas, até a invenção de sistemas automatizados para planejamento de manutenções preventivas, paradas técnicas e afins, a realidade ainda era baseada no “feeling” do gestor, na crença de que “sempre foi feito assim, então, por que mudar?”.

Mas mudou. Com a crescente profissionalização do mercado, maior concorrência e lucratividade à míngua, a margem de erro teve de ser drasticamente reduzida.

Nessa linha, Spanó cita um exemplo emblemático. “Devido a paradas técnicas mal programadas, o maior ativo de uma empresa dava um prejuízo anual de 1 milhão de dólares”, conta. “Mudamos isso apenas diminuindo os intervalos de manutenção.”

PLANEJAMENTO

Na realidade, já são inúmeros os casos de redução de despesas a partir da implantação de sistemas de gestão. Conforme explica Alexandre Siqueira, diretor comercial da Astrein, a primeira medida é levantar os ativos da empresa, avaliar suas atividades e a estrutura como um todo. “Em cima destas informações, traçamos um histórico de falhas, do intervalo entre duas consecutivas, das peças necessárias para saná-las, dentre muitos outros elementos, para só então elabor


Como se sabe, o lucro cessante é o maior pesadelo de gestores de empresas de quaisquer portes ou setores da atividade econômica. Em outras palavras, ninguém gosta de jogar dinheiro pela janela. E descuidar da manutenção dos ativos físicos é seguir um caminho certo para a bancarrota.

Com esta preocupação em seus calcanhares, muitas empresas estão buscando administrar melhor seus bens, na maioria das vezes, os principais geradores de renda para o negócio. Foi para atender a essa demanda crescente por serviços mais eficientes (e lucrativos) que surgiram companhias especializadas em fornecer soluções específicas para a gestão de ativos.

A Reliasoft é uma delas, exibindo atualmente uma carteira com clientes como AES Brasil, Bunge e ALL Logística. Segundo o diretor executivo Claudio Spanó, a lógica que rege estes sistemas é simples e direta. “Nosso trabalho é gerar estatísticas de falhas dos equipamentos, incluindo ‘quando’, ‘como’ e ‘em que pontos’ irão falhar, de modo a antecipar o problema”, explica. “Isso é o que chamamos de engenharia da confiabilidade: evitando a falha, o ativo ganha em vida útil e disponibilidade.”

Uma máquina ou equipamento só gera lucro estando em plena operação, isso também é sabido. Mas, até a invenção de sistemas automatizados para planejamento de manutenções preventivas, paradas técnicas e afins, a realidade ainda era baseada no “feeling” do gestor, na crença de que “sempre foi feito assim, então, por que mudar?”.

Mas mudou. Com a crescente profissionalização do mercado, maior concorrência e lucratividade à míngua, a margem de erro teve de ser drasticamente reduzida.

Nessa linha, Spanó cita um exemplo emblemático. “Devido a paradas técnicas mal programadas, o maior ativo de uma empresa dava um prejuízo anual de 1 milhão de dólares”, conta. “Mudamos isso apenas diminuindo os intervalos de manutenção.”

PLANEJAMENTO

Na realidade, já são inúmeros os casos de redução de despesas a partir da implantação de sistemas de gestão. Conforme explica Alexandre Siqueira, diretor comercial da Astrein, a primeira medida é levantar os ativos da empresa, avaliar suas atividades e a estrutura como um todo. “Em cima destas informações, traçamos um histórico de falhas, do intervalo entre duas consecutivas, das peças necessárias para saná-las, dentre muitos outros elementos, para só então elaborarmos o sistema ideal para aquele cliente.”

O fato é que para se alcançar o estado da arte na administração dos ativos tudo entra no cálculo, uma vez que cada empresa tem particularidades e “vícios”. Spanó, da ReliaSoft, acrescenta outro ponto. “Além dos ganhos específicos em cada operação, a implantação da engenharia da confiabilidade de maneira sistemática no ambiente corporativo também resulta em outras vantagens financeiras.”

Segundo ele, tais vantagens advêm de um planejamento consistente das manutenções, que pode levar à diminuição de até 75% em sua intercorrência e em torno de 30% em relação a despesas com estoque e peças sobressalentes. Além disso, com um risco operacional minimizado, alguns clientes afirmam ter obtido um corte da ordem de 20% no valor do prêmio do seguro. “Mais do que um sistema de gestão eficiente, a engenharia da confiabilidade é uma ferramenta estratégica para as empresas”, resume Spanó.

A partir de análises da Astrein, Siqueira apresenta dígitos semelhantes, com um acréscimo: a redução de 40% a 60% na frequência de episódios de manutenção corretiva. “Nosso objetivo é mudar o padrão de comportamento das empresas, no qual a manutenção só é lembrada quando se tem um problema, arraigando uma cultura de planejamento”, afirma.

Com uma proposta um pouco diferente, a ValeCard desenhou um sistema integrado, baseado na experiência do grupo com ativos móveis, em particular frotas de veículos leves e pesados. A ideia, de acordo com Marcelo Simidamore, gerente de inovação do empreendimento, “é englobar todos os ativos da empresa, desde uma bicicleta até uma máquina de última geração”.

Isso porque, de acordo com o especialista, a métrica é a mesma para todos os equipamentos, independentemente do porte. “O módulo integrado é o segredo do negócio. A base comum é o horímetro, o que determina a vida útil do ativo”, explica. “Se as manutenções preventivas forem cumpridas à risca, segundo as determinações de cada fabricante, e o equipamento destinado corretamente à operação, é possível ampliar a produtividade em algo entre 30% e 35%.”

Com base nas melhores práticas alcançadas pela própria ValeCard, Simidamore compartilha o princípio de mudança de cultura apresentado por Siqueira, da Astrein. “Ainda mais neste momento de instabilidade econômica que o Brasil vive, as empresas estão buscando resultados na ponta do lápis, e isso implica mudar modelos, padrões”, avalia. “Este é o melhor momento para alterar o curso da crise para o êxito por meio de uma gestão mais assertiva.”

À DISPOSIÇÃO

Na outra ponta, na CR Almeida – conglomerado com atividades ligadas principalmente à construção civil – a busca pela sistematização da informação é tão intensa que o próprio grupo tomou a iniciativa de desenvolver um sistema.

Mesmo fugindo do escopo das operações, a exclusiva plataforma da empresa revelou-se plenamente eficaz, como conta o gerente de equipamentos Domage Ribas. “Optamos por criar um software específico para as nossas necessidades”, diz ele. “Ter a informação à disposição em tempo integral é fundamental para a qualidade do serviço que prestamos, além de reduzir significativamente os custos com manutenção e insumos, proporcionando uma operação mais linear e constante.”

Mas não são só ativos móveis que entram nessa conta. O vice-presidente da AES Brasil, Ítalo Freitas, por exemplo, é um entusiasta do sistema projetado pela Reliasoft exclusivamente para seu negócio, a geração de energia. Os ativos da empresa – que incluem turbinas hidráulicas e termelétricas completas – também são passíveis de falhas de grandes proporções, em que uma única parada pode gerar milhões em prejuízos. Assim, a manutenção preventiva é imperativa. Embora os intervalos entre as paradas técnicas sejam grandes (variam entre 5 e 30 anos, dependendo do componente a ser substituído e do equipamento), o tempo fora de atividade de uma turbina pode chegar a oito meses, ou até mesmo a um ano.

Diante disso, programação é a palavra de ordem para um negócio saudável – e, evidentemente, rentável. “Temos ativos de altíssimo valor agregado, nos quais estão calcadas nossas operações”, pondera. “Por isso, o monitoramento das falhas e o cumprimento das intervenções para manutenção são impreteríveis.”

Com 34 turbinas hidráulicas distribuídas por 9 usinas e outras 3 termelétricas na unidade de Uruguaiana (RS), todas trabalhando em regime 24/7, Freitas prefere não pecar pelo excesso. “Embora os sistemas hidráulicos sejam mais robustos do que os termelétricos, por sua vez são muito mais sensíveis a quaisquer ocorrências – até mesmo uma pedra pode travar uma destas turbinas –, e os custos são sempre astronômicos”, sublinha. “Por isso, não podemos vacilar, temos de usar todos os artifícios ao nosso alcance para obter o máximo em disponibilidade do serviço que prestamos.”

Nesse sentido, a parceria com a Reliasoft já soma mais de uma década, sendo que o maior impacto nas operações da AES citado por Freitas deu-se na tomada de decisão por novos investimentos, como, por exemplo, a reforma de uma turbina, cujo objetivo é ampliar a vida útil do ativo. “Antigamente as ações eram pautadas muito no sentimento, na base do ‘achismo’”, interpõe. “No caso das turbinas, em particular, as métricas eram estabelecidas por testes de bancada, que não levavam em conta as verdadeiras condições de operação de uma usina geradora de energia.”

Mais do que um software, Freitas considera que a Reliasoft fornece subsídios para uma administração mais eficiente não apenas dos ativos, mas também do capital humano, sempre pautada nas necessidades do negócio. “Um sistema de gestão de ativos tem de estar alinhado à estratégia de negócio da empresa, a seus objetivos”, opina. “Afinal, trata-se de um processo amplo, que envolve todas as esferas da companhia.”

A propósito, a certificação ISO 55000 obtida recentemente pela AES foi apenas mais uma consequência da – como define Freitas – “maturidade do negócio”. Pelos altos níveis de exigência, esta certificação é um verdadeiro marco no setor de manutenção e gerenciamento de ativos, e obtê-la é para poucos. Regulamentada em janeiro de 2014 com base em normas europeias, em linhas gerais a ISO 55000 estabelece padrões organizacionais e requisitos mínimos para sistemas de gestão, como documentação, treinamento, planejamento, execução e monitoramento das ações. “Em suma, exige uma visão holística e bastante equilibrada do negócio que, por enquanto, apenas engatinha no Brasil”, finaliza Freitas.

Tracbel lança aplicativo de máquina parada

Por meio do app Connect Tracbel, o usuário pode solicitar suporte, inserir dados da frota e acompanhar os atendimentos. O aplicativo permite, por exemplo, que o cliente anexe fotos do equipamento, do painel ou de qualquer peça da máquina, detalhando o problema ocorrido. Outro destaque é a possibilidade de geolocalização da máquina, facilitando o atendimento. “Essa ferramenta ajuda a detectar o problema com o equipamento, garantindo maior agilidade de atendimento pós-venda”, comenta Luis Otávio de Lima, diretor de pós-vendas do Grupo Tracbel. “Disponível nas versões Android e iOS, o app Connect Tracbel se encontra disponível para download nas lojas da Apple Store e Google Play.”