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08 de junho de 2015
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Manipuladores

Em busca de novos nichos

Fabricantes apostam na versatilidade dos telehandlers para posicioná-los em operações além dos tradicionais mercados de construção, mineração e agricultura

O potencial de manipuladores telescópicos (telehandlers, do original em inglês) gera otimismo nos fabricantes. É bem verdade que as vendas desses equipamentos cresceram timidamente em 2014. De acordo com o Estudo Sobratema de Mercado, o incremento foi de apenas 2,5%, saltando de 550 máquinas comercializadas em 2013 para 575 no ano passado.

Mais que isso, analisando atentamente as projeções do estudo – que leva em consideração diversas questões conjunturais da economia brasileira e global – nem haveria motivo para otimismo, já que se espera uma queda de quase 13% no volume vendido em 2015. Todavia, para os fabricantes do setor, há novos nichos no país que podem reverter rapidamente esse cenário. “Hoje, os principais segmentos usuários dessa tecnologia incluem a construção civil, mineração subterrânea, agronegócio e abertura de túneis”, diz Fábio Neves, gerente de produtos da JCB. “Mas gradativamente outros setores, como o portuário e operações de movimentação de cargas e materiais, estão descobrindo os benefícios e utilizando esses equipamentos de forma versátil e eficiente.”

VERSATILIDADE

Segundo o especialista, nas operações portuárias, por exemplo, os telehandlers são utilizados largamente na movimentação de contêineres vazios, remonte de material a granel e até mesmo na limpeza de porões em navios de grande porte. “Nessa última aplicação, os equipamentos são embarcados para atuar durante as viagens ou atracações”, completa Neves, mostrando a versatilidade de aplicação dessas máquinas.

Para Brian Boeckman, diretor global de produtos da JLG, esse tipo de equipamento é similar em aparência e função a uma empilhadeira, com a diferença de maior versatilidade, graças principalmente à lança telescópica, que pode ser estendida à frente e acima do veículo. “A lança é capaz de receber acessórios acopláveis, como os garfos para pallets, e por isso o equipamento é utilizado para movimentar materiais em áreas onde as cargas não podem ser deslocadas por uma empilhadeira tradicional”, diz ele.

Assim, os telehandlers também têm se mostrado úteis em operações gerais de manutenção e no transporte de cargas secas, pallets e outras cargas de até 7 t, segundo explica Michael Dawson, gerente de pós-vendas multimarcas da Brasil Máquinas (BMC), empresa que distribui e comercializa no Brasil os equipamentos da marca italiana Merlo.

No entanto, Dawson d


O potencial de manipuladores telescópicos (telehandlers, do original em inglês) gera otimismo nos fabricantes. É bem verdade que as vendas desses equipamentos cresceram timidamente em 2014. De acordo com o Estudo Sobratema de Mercado, o incremento foi de apenas 2,5%, saltando de 550 máquinas comercializadas em 2013 para 575 no ano passado.

Mais que isso, analisando atentamente as projeções do estudo – que leva em consideração diversas questões conjunturais da economia brasileira e global – nem haveria motivo para otimismo, já que se espera uma queda de quase 13% no volume vendido em 2015. Todavia, para os fabricantes do setor, há novos nichos no país que podem reverter rapidamente esse cenário. “Hoje, os principais segmentos usuários dessa tecnologia incluem a construção civil, mineração subterrânea, agronegócio e abertura de túneis”, diz Fábio Neves, gerente de produtos da JCB. “Mas gradativamente outros setores, como o portuário e operações de movimentação de cargas e materiais, estão descobrindo os benefícios e utilizando esses equipamentos de forma versátil e eficiente.”

VERSATILIDADE

Segundo o especialista, nas operações portuárias, por exemplo, os telehandlers são utilizados largamente na movimentação de contêineres vazios, remonte de material a granel e até mesmo na limpeza de porões em navios de grande porte. “Nessa última aplicação, os equipamentos são embarcados para atuar durante as viagens ou atracações”, completa Neves, mostrando a versatilidade de aplicação dessas máquinas.

Para Brian Boeckman, diretor global de produtos da JLG, esse tipo de equipamento é similar em aparência e função a uma empilhadeira, com a diferença de maior versatilidade, graças principalmente à lança telescópica, que pode ser estendida à frente e acima do veículo. “A lança é capaz de receber acessórios acopláveis, como os garfos para pallets, e por isso o equipamento é utilizado para movimentar materiais em áreas onde as cargas não podem ser deslocadas por uma empilhadeira tradicional”, diz ele.

Assim, os telehandlers também têm se mostrado úteis em operações gerais de manutenção e no transporte de cargas secas, pallets e outras cargas de até 7 t, segundo explica Michael Dawson, gerente de pós-vendas multimarcas da Brasil Máquinas (BMC), empresa que distribui e comercializa no Brasil os equipamentos da marca italiana Merlo.

No entanto, Dawson diz que no exterior a principal aplicação do manipulador é a construção de conjuntos de prédios de até cinco andares, tarefa em que os modelos maiores são capazes de realizar toda a movimentação de material, entregando-os em cada pavimento, inclusive no teto. “Essa máquina é ainda muito usada para projeções de concreto em túneis, além de manutenção em altura. Na agricultura, um uso bastante comum se dá na colheita de palma, na qual o manipulador telescópico pode assumir a função de um trator agrícola”, diz ele, salientando que até por isso o telehandler vem se popularizando como o único maquinário móvel de uso contínuo em pequenas lavouras.

MERCADO JOVEM

É justamente por haver essas oportunidades de inserção que o clima de otimismo dos fabricantes se justifica. Na JCB, por exemplo, Neves confirma que a prospecção de novas aplicações é uma das principais formas de manter as vendas, algo que, segundo ele, deixa evidente como o Brasil ainda é um mercado jovem para esses equipamentos. “Quanto ao ano passado, tínhamos uma expectativa de demanda forte no primeiro semestre, o que não ocorreu”, frisa. “Mas o segundo semestre já foi melhor, quando observamos que, mesmo com retração nos volumes totais de vendas em comparação a 2012 e 2013, a nossa participação de mercado saltou de 33% para 63%, o que nos permitiu atingir as metas.”

No caso da JLG, que tem uma estratégia continental, o Brasil e os demais mercados latino-americanos continuam sendo apostas fortes para os telehandlers da marca. “Sabemos que a penetração dos manipuladores telescópicos pode variar significativamente em cada país da região, dependendo de sua estabilidade econômica e política”, avalia Boeckman, garantindo que o Brasil se mantém como hot spot para a empresa, o que as comemorações de 15 anos de presença local demonstram bem, com investimentos em estrutura de serviços, estoque de peças, treinamentos e suporte técnico.

Já na BMC a expectativa é de aumento nas vendas nos últimos dois trimestres do ano. “Com a retomada dos investimentos em infraestrutura, acreditamos na melhora do mercado de manipuladores, graças à sua versatilidade para adaptar-se facilmente a diferentes situações de aplicação e necessidades dos clientes”, diz Dawson.

TECNOLOGIAS

De modo geral, as apostas são reforçadas pela oferta de uma maior variedade de modelos no portfólio, bem como uma gama de tecnologias embarcadas que visam a melhorar a operação das máquinas. Na BMC, por exemplo, a faixa de trabalho de manipuladores telescópicos inclui desde equipamentos de 2,6 t de capacidade de carga e 6 m de alcance vertical, até modelos de 7,2 t e alcance de 10 m de altura. “Nesse range está o carro-chefe, com capacidade de 4 t e alcance de 17 m”, explica Dawson, destacando ainda a linha Roto, que inclui manipuladores com estrutura superior giratória, o que permite a utilização como plataforma de trabalho aéreo.

Outros diferenciais tecnológicos dos manipuladores da Merlo incluem sensores de nivelamento e de presença do operador. “Além disso, a máquina monitora carga, raio e extensão de lança, alertando e bloqueando os movimentos do manipulador”, diz o gerente da BMC, complementando que todos os controles operacionais da tração, motor e operação também são monitorados pelas máquinas, que ainda são equipadas com controle remoto ou fixo, sistema de emergência de descida em caso de falha e sensor de peso na plataforma.

No caso da JLG, atualmente dois modelos são comercializados no Brasil. O menor apresenta capacidade máxima de elevação de 3,6 t e altura máxima de elevação de 14 m, enquanto o maior carrega até 4 t a uma altura máxima de 17 m. Tecnologicamente, os manipuladores SkyTrak trazem melhorias em relação a conforto operacional, produtividade e versatilidade, segundo Boeckman. “O conforto dos operadores se dá principalmente pelo uso de joystick único na cabine e pela melhor visibilidade operacional, obtida a partir do assento com suspensão mecânica”, diz ele.

Dentre os principais dispositivos tecnológicos da JCB, Neves destaca o sistema Sway, que permite a correção da inclinação da máquina em relação ao terreno, sendo que também é utilizado para facilitar a movimentação materiais e cargas em superfícies inclinadas. “Há ainda o sistema de monitoramento de cargas (LMI), que permite ao operador conhecer os limites de elevação e distância em que uma carga pode ser depositada ou retirada”, pontua Neves.

No Brasil, a empresa oferece quatro configurações, sendo as duas primeiras indicados para operações agrícolas com capacidades de 3,1 a 4 t e alcance de 7 m. “Já os modelos de multiplicação, mais conhecidos como Loadall, têm duas capacidades”, detalha. “O menor carrega até 3,5 t e alcança 12,5 m de altura, ao passo que o maior tem capacidade de 4 t e alcance máximo de 17 m.”

Fabricante aposta no agronegócio

Fora do Brasil, a JCB tem uma forte participação agrícola, sendo que a ideia em investir nesse setor no país ganhou força há dois anos. Como primeiro passo, a empresa buscou estabelecer uma rede para atender ao segmento, como explica Michael Steenmeijer, gerente de vendas da empresa. “Com uma série de acessórios como garfos, garras, caçambas, os manipuladores telescópicos estão sendo utilizados em diferentes setores da agropecuária, seja na manipulação de bags de grãos, fardos de algodão e carregamento em usinas, como na cadeia de produção de biomassa”, diz. “Essas soluções aumentam significativamente a produtividade, pois substituem outras máquinas, como tratores adaptados e pás carregadeiras, que não contam com a mesma capacidade de carga e elevação.”

Segundo José Luís Gonçalves, novo presidente da JCB no Brasil, outro passo importante foi a parceria firmada com a Coopercitrus (Cooperativa de Produtores Rurais), uma das maiores do país na comercialização de insumos, máquinas e implementos agrícolas. O acordo resultou no primeiro distribuidor do segmento agrícola da JCB no Brasil. “Temos espaço para crescer nas duas frentes, tanto na construção quanto no agronegócio”, destaca Gonçalves. “Mas talvez na agricultura estejamos mais otimistas, por sermos novos em solo brasileiro.”

 

 

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