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30 de abril de 2010
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Geotecnologia

Eficiência em levantamento topográfico

Uso de laser 3D viabiliza a coleta remota de dados para o projeto de recuperação das áreas afetadas por deslizamentos e inundações em Santa Catarina, com ganhos de segurança, rapidez e precisão nos serviços de campo

Desde 1852, a região do Vale do Itajaí, que ocupa o nordeste do estado de Santa Catarina, vem convivendo com inundações de diferentes proporções. Com o trauma provocado pelas enchentes de 1983, a população passou a ocupar os locais mais altos das cidades da região, interferindo diretamente na proteção das encostas e dos topos de morros.

Essa situação contribuiu para potencializar os efeitos das chuvas ocorridas no fim de novembro de 2008. Devido ao grande volume pluviométrico registrado nesse período, o solo da região literalmente “derreteu”, ocasionando desmoronamentos de encostas que soterraram casas e pessoas na maior catástrofe natural de todos os tempos no Brasil. A região foi assolada por uma tragédia sem precedentes, que deixou um saldo de 136 mortes, 62 municípios em situação de emergência e 14 em estado de calamidade pública.

Atualmente, mais de 32.800 pessoas continuam desabrigadas e, após sepultar as vítimas dessa catástrofe, restou aos sobreviventes a difícil tarefa de reconstruir e recuperar as áreas destruídas e os pontos de risco. A maior parte desses locais situa-se em áreas urbanas, o que impôs um caráter emergencial às obras de recuperação. Por esse motivo, elas iniciaram tão logo as chuvas diminuíram.

A elaboração dos projetos para os serviços de recuperação (terraplenagem, drenagem, obras de arte correntes e especiais, entre outros), entretanto, exigia uma base de dados confiável, com uma modelagem precisa da superfície do terreno e de todos os seus detalhes cadastrais. Nesse tipo de situação, com mais de 250 localidades atingidas pela fúria da natureza, uma ampla cobertura de registro fotogramétrico contribuiria para encontrar a solução ideal em cada ponto de deslizamento.

Método de topografia

O problema é que o pouco tempo disponível e as condições caóticas de cada local inviabilizavam a aplicação dos métodos convencionais de levantamento topográfico. A impossibilidade de aces so às áreas afetadas, o iminente risco de novos deslizamentos e a necessidade de alta densidade na medição de pontos – para a confiabilidade da base de dados – figuram entre os motivos que descartaram totalmente o uso dos métodos convencionais de topografia.

Além disso, mais do que o simples levantamento topográfico dos locais atingidos, era imprescindível a captura total das condições daquelas áreas após a ocorrência e dos elementos que envolviam seu entorno, para a tomada de decisões na elaboração do projeto de recuperação. A solução apontada como ideal foi o escaneamento tridimensional, com o uso da tecnologia de varredura a laser automatizada e de alta definição LS3D (Laser Scanner 3D), que satisfaz a todos os condicionantes exigidos nessa difícil tarefa.