FECHAR
FECHAR
09 de abril de 2019
Voltar
Exportação

Do Brasil para o mundo

Em 2018, as exportações de equipamentos Made in Brazil atingiram US$ 9,7 bilhões, mostrando que o mercado externo tem sido fundamental para as operações locais das fabricantes
Por Santelmo Camilo

O mercado internacional tem sido decisivo para os negócios dos fabricantes de máquinas e equipamentos estabelecidos no Brasil. Os números não deixam dúvida: em 2018, as exportações no setor atingiram US$ 9,7 bilhões, em um crescimento de 7,1% frente aos US$ 9,1 bilhões exportados em 2017. Os dados são da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

No cômputo geral, as empresas que produzem equipamentos utilizados na construção exportaram US$ 2,8 bilhões, ou 28% do total do setor. De acordo com a Abimaq, as mudanças significativas na operacionalização do comércio exterior brasileiro foram determinantes para essa evolução. Nesse sentido, o Portal Único de Comércio Exterior, por exemplo, foi fundamental ao tornar mais céleres os procedimentos para as operações de exportação, em um momento de desafios econômicos globais. “O crescimento teria sido mais significativo caso a Argentina, um dos nossos principais parceiros comerciais, não tivesse apresentado uma retração tão expressiva em 2018”, ressalta João Carlos Marchesan, presidente da Abimaq. “O PIB argentino caiu e isso teve reflexo nos investimentos daquele país, inclusive na importação de produtos brasileiros, explicando parcialmente a queda de 31% das transações entre os dois países neste período.”

No ano passado, os Estados Unidos foram o principal parceiro comercial do Brasil no setor, comprando o equivalente a US$ 2,4 bilhões em máquinas nacionais. Assim, o montante norte-americano respondeu por 24,7% das exportações. Em seguida vem a União Europeia, que comprou US$ 2,2 bilhões (ou 22,7%) de equipamentos brasileiros. De acordo com a Abimaq, o interesse desses compradores internacionais – que estão entre as maiores potências econômicas globais – atestam a boa qualidade do setor manufatureiro nacional, uma vez que fazem ampla exigência por certificações. Outros importadores expressivos do maquinário brasileiro incluem a Argentina (10%), Holanda (8%), México (5%) e Paraguai (4%).

Atualmente, a família de motoniveladoras responde por 60% das vendas externas da Case CE

Para 2019, o setor de máquinas tem perspectivas de manter os níveis alcançados no ano passado. Mas a questão do câmbio interfere nesse ponto, uma vez que deve deixar de ser tão favorável como foi em 2018. “Contudo, as exportações de equipamentos padecem do mesmo problema que boa parte das outras exportações brasileiras, desde questões macroeconômicas, como câmbio desfavorável e cobranças exageradas sobre o crédito, até trâmites burocráticos, como as tarifas aduaneiras”, avalia o presidente da Abimaq. “Embora o governo tenha seguido uma linha de modernização dos processos, a baixa capacidade de eliminar barreiras comerciais em outros países também se configura como um impeditivo de maiores volumes de exportações desde o Brasil.”