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13 de outubro de 2017
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Lançamento

Descolando da concorrência

Propondo-se a estabelecer um novo nicho na mineração, a Scania do Brasil sedia o lançamento global do modelo Heavy Tipper, que chega ao mercado em duas versões
Por Marcelo Januário (Editor)

Em um lançamento guardado em sigilo, a Scania revelou no início de setembro sua nova aposta para o segmento de caminhões “médios” de mineração. Seis anos após a criação da divisão Scania Mining, a estratégia da montadora para o setor se desdobra com a chegada do Scania Heavy Tipper, um basculante pesado que a partir do final de novembro passa a ser montado na fábrica de São Bernardo do Campo (SP) e – segundo a fabricante – “inaugura o nicho de 40 t de carga líquida para veículos com configuração de rodas 8x4, em um ganho proveniente de alterações estruturais do projeto”.

O salto para, no mínimo, 40 toneladas de carga líquida representa um índice 25% acima do padrão usual, de 32 toneladas. Com isso, a empresa quer não apenas elevar o market share dos atuais 33% no segmento para nada menos que 45% até 2020, mas também criar um novo nicho de mercado, tendo em vista que a oferta no país – como apontam seus executivos – apresenta um gap nas opções de linha, pulando da faixa de 33 t direto para os modelos OTR, nas classes acima de 70 t. “Não estamos substituindo nada, trata-se de um acréscimo ao nosso portfólio, estamos ampliando a gama de opções para os nossos clientes”, comenta Fabricio Vieira, gerente de mineração da Scania no Brasil, destacando que a linha para o segmento vai continuar contando com os modelos G 400, 440 e 480, nas configurações 6x4, 6x6, 8x4 e 10x4. “Mas a intenção é sim assumir a liderança no próximo triênio.”

Como veremos à frente, além da versão 8x4 com segundo eixo direcional e peso bruto total (PBT) que pode chegar a 58 t, o caminhão traz uma versão 6x4, com carro mais curto e destinado a minas mais travadas. “Nossos clientes dizem que, agora sim, a Scania está pensando como um provedor de mineração”, diz ele. “É a primeira montadora de rodoviários a dar esse passo, com [o uso de] um conceito de carga variável, por exemplo, como ocorre na Linha Amarela. E há todo um trabalho com a rede de concessionários para poder prover isso, pois sem a parte de serviços, a gente não faz nada.”

Com índice de nacionalização acima de 66%, os veículos da nova linha produzidos no Brasil serão exportados para a América Latina e outros países, mostrando como a Scania vem se empenhando em abocanhar uma fatia ainda maior de um mercado global que atualmente movimenta cerca de dois mil veículos por ano. “Estamos conseguindo aumentar o market share especialmente em países como Índia, Rússia e Indonésia, que são os maiores mercados no momento”, conta Björn Winblad, diretor global da Scania Mining. “E muito disso decorre da cooperação e proximidade desenvolvidas entre a área de engenharia e as equipes e clientes em cada país.”