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08 de junho de 2015
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Túneis

Desafios à beira-mar

Além de condicionamento do solo, tuneladora conversível de 11,5 m precisou receber modificações na roda de corte para atuar na transição entre rocha e areia no RJ
Por Thomas Tjabbes

Na manhã do dia 25 de fevereiro, uma tuneladora com diâmetro de 11,5 m – altura equivalente a um prédio de quatro andares – rompeu as paredes da Estação Nossa Senhora da Paz, em Ipanema. Responsável pela escavação dos túneis da nova Linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro, o equipamento possui características especiais e representa um avanço tecnológico significativo para obras subterrâneas no país.

A Linha 4 do metrô terá 16 quilômetros de extensão, seis novas estações e transportará 300 mil pessoas por dia entre a Barra da Tijuca (Zona Oeste) e Ipanema (Zona Sul). Contando com investimentos de 8,79 bilhões de reais, o projeto está entre os maiores da América Latina e também está inserido nos preparativos do governo estadual para sediar os Jogos Olímpicos de 2016, ano previsto para inauguração da linha.

Responsável pela ligação entre Ipanema e a Gávea, o Consórcio Linha 4 Sul – responsável pelo trecho de 5 km entre Ipanema e a Gávea – já concluiu a escavação da estação Nossa Senhora da Paz, incluindo o túnel de conexão para a Linha 1, pela estação General Osório. Conforme o cronograma da obra, a tuneladora concluirá o trecho até a Estação Jardim de Alah em meados de agosto, completando 50% do trajeto Sul. Até dezembro de 2015, a tuneladora deve alcançar os túneis escavados a partir da Barra da Tijuca, no final do Leblon.

CONVERSÍVEL

Fabricada na Alemanha pela Herrenknecht, a TBM (Tunnel Boring Machine) de 120 m e 2,7 mil t – que, como é recorrente no setor, ganhou um nome feminino, no caso “Barbara” – foi especificada e projetada para trabalhar com o difícil solo da Zona Sul carioca, composto por trechos de rocha, argila e areia grossa. Para vencer esse obstáculo, o consórcio encomendou um tuneladora “conversível” para trabalhar em três diferentes modos: aberto, fechado e de transição.

Na definição de Alexandre Mahfuz, responsável pela operação da tuneladora na obra, o modo aberto (ou não pressurizado) foi empregado em áreas de rocha “gnaisse”, duras e abrasivas, encontradas no trecho inicial (400 m) e no trecho final (1.500 m) do trajeto na Zona Sul. Nesse tipo de escavação, a própria rocha distribui a pressão do solo e garante a estabilidade da escavação. Contudo, surgiram outros desafios, sendo que a equipe também precisou lidar com rochas fraturadas e transição para solos arenosos, o que dificultou a passagem nesses trechos.

Para os solos arenosos característicos dos bairros de Ipanema e Leblon, a tuneladora opera no modo EPB (Earth Pressure Balance), ou modo fechado. Nessa configuração, a frente da TBM é pressurizada para contrabalancear as pressões exercidas pelo solo e pelo lençol freático, possibilitando a escavação.