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05 de dezembro de 2012
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Mercado

Confiança com um pé atrás

Cautelosos, fabricantes e dealers aguardam projetos saírem do papel para avaliar os reais benefícios do pacote de concessões rodoviárias e ferroviárias recentemente anunciado pelo governo

Para desatar um dos nós que teimam em obstruir o deslanche da economia brasileira no novo contexto econômico mundial, o governo federal lançou em agosto o tão ansiado Programa de Investimentos em Logística. Inserido no âmbito do PAC, o projeto vai destinar R$ 133 bilhões para obras de rodovias e ferrovias. Desse montante, R$ 79,5 bilhões serão aplicados nos próximos cinco anos, ficando os R$ 53,5 bilhões restantes para serem investidos nos 20 anos seguintes. O epicentro da medida está no fato de que as verbas viriam principalmente da iniciativa privada, pelo modo de concessões (confira os trechos de rodovias e ferrovias que serão licitados nos quadros da pág. 24); por isso, o pacote foi imediatamente apelidado pela mídia e profissionais ligados ao setor de “PAC das Concessões”.

Certamente, para o universo da construção em todas as suas esferas, este é um dos temas mais comentados do momento. A M&T foi a campo para saber a opinião de fabricantes e dealers de equipamentos.

Constatações

À parte as diferentes realidades e desempenhos e do fato que na média o ano deve empatar com 2011, considerado o melhor da história –, quando se projeta um desenho do cenário atual do mercado brasileiro a partir das opiniões de alguns atores do setor, a primeira constatação é que, no geral, o primeiro semestre deste ano apresentou resultados de vendas de equipamentos abaixo das expectativas do mercado. É o que sugerem empresas com participação significativa no setor de construção, como Auxter, BMC, Escad, LBX, Sotreq e Terex. “Fecharemos 2012 com um crescimento próximo a 15%. No entanto, ele é fruto das novas linhas de produtos que colocamos no mercado”, diz Felipe Cavalieri, presidente da BMC, empresa que representa no Brasil marcas como Hyundai, Zoomlion e Merlo. “Nas linhas que já oferecíamos, no entanto, devemos ter uma retração de vendas de 5%, em média, com casos de redução de até 15%”, complementa.

Para a Auxter distribuidora da JCB em São Paulo o mercado foi ainda pior do que o apresentado pela BMC: retração de 25% na comparação do desempenho no primeiro semestre com o mesmo período em 2011. Para a empresa, o resultado é reflexo de vários fatores. “Entre eles, temos a queda da perspectiva de crescimento da economia e a paralisação de obras importantes contempladas no PAC”, diz Célio Neto Ribeiro, diretor geral da empresa. “Além disso, há letargia na liberação de novas obras e falta uma política pública eficiente e confiável para o desenvolvimento da infraestrutura do país.”