FECHAR
FECHAR
09 de junho de 2016
Voltar
Movimentação de Terra

Concorrentes substitutivos

Equipamentos compactos fazem concorrência cada vez maior às retroescavadeiras, que seguem como o equipamento mais vendido do setor, mas veem seu reinado assediado
Por Evanildo da Silveira

Devido à sua reconhecida capacidade de ser equipada com diversos acessórios, como rompedores e vassouras hidráulicas, garfos-pallet, caçambas, perfuratrizes e implementos para corte florestal, dentre outros, a retroescavadeira é capaz de desempenhar diferentes trabalhos numa obra.

Não é à toa, portanto, que é a máquina mais vendida no mundo no setor de construção, conhecida por muitos como um verdadeiro “canivete suíço”. Aos poucos, no entanto, começam a ganhar espaço no mercado brasileiro alguns equipamentos mais compactos, geralmente de até oito toneladas, como as miniescavadeiras e as minicarregadeiras, que podem ser usados em trabalhos específicos, principalmente em áreas urbanas ou em canteiros com pouco espaço de manobra.

Evidentemente, não se trata aqui de dizer que os grandes são melhores que os pequenos atuando em conjunto, ou vice-versa. Como sempre, tudo depende da aplicação, do tipo de obra, do resultado almejado etc. Cada uma das soluções tem seus usos mais adequados e nos quais apresentam maior produtividade. Ou seja, são sensíveis às variáveis que fazem do segmento de máquinas para construção (muito) mais do que uma ciência aplicada.

CULTURA LOCAL

Em termos mundiais, as retroescavadeiras são mais comuns no Brasil e nos Estados Unidos, enquanto na Europa e na Ásia há uma preferência mais nítida pela utilização do conjunto miniescavadeiras mais minicarregadeiras. De saída, a questão é geográfica. “Aqui e nos Estados Unidos há mais espaço, principalmente nos centros urbanos, para máquinas maiores trabalharem e manobrarem”, diz Gabriel Freitas, especialista de retroescavadeira e miniequipamentos da Case CE. “Além disso, ainda não existem muitas restrições ao uso de máquina desse porte nos centros urbanos, o que não ocorre na Europa e na Ásia, onde os espaços são escassos e restritos.”

Na mesma linha, o diretor comercial da Volvo CE Latin America, Gilson Capato, observa que a predileção por um ou outro tamanho depende das particularidades de cada mercado, o que envolve questões culturais e até mesmo físicas. “Na Europa, por exemplo, utiliza-se mais as escavadeiras compactas e as minicarregadeiras, porque há restrições do espaço físico”, diz ele. “Além disso, há legislação específica de trânsito para essas máquinas menores. Assim, trata-se mais uma questão de porte e facilidade para locomovê-las dentro


Devido à sua reconhecida capacidade de ser equipada com diversos acessórios, como rompedores e vassouras hidráulicas, garfos-pallet, caçambas, perfuratrizes e implementos para corte florestal, dentre outros, a retroescavadeira é capaz de desempenhar diferentes trabalhos numa obra.

Não é à toa, portanto, que é a máquina mais vendida no mundo no setor de construção, conhecida por muitos como um verdadeiro “canivete suíço”. Aos poucos, no entanto, começam a ganhar espaço no mercado brasileiro alguns equipamentos mais compactos, geralmente de até oito toneladas, como as miniescavadeiras e as minicarregadeiras, que podem ser usados em trabalhos específicos, principalmente em áreas urbanas ou em canteiros com pouco espaço de manobra.

Evidentemente, não se trata aqui de dizer que os grandes são melhores que os pequenos atuando em conjunto, ou vice-versa. Como sempre, tudo depende da aplicação, do tipo de obra, do resultado almejado etc. Cada uma das soluções tem seus usos mais adequados e nos quais apresentam maior produtividade. Ou seja, são sensíveis às variáveis que fazem do segmento de máquinas para construção (muito) mais do que uma ciência aplicada.

CULTURA LOCAL

Em termos mundiais, as retroescavadeiras são mais comuns no Brasil e nos Estados Unidos, enquanto na Europa e na Ásia há uma preferência mais nítida pela utilização do conjunto miniescavadeiras mais minicarregadeiras. De saída, a questão é geográfica. “Aqui e nos Estados Unidos há mais espaço, principalmente nos centros urbanos, para máquinas maiores trabalharem e manobrarem”, diz Gabriel Freitas, especialista de retroescavadeira e miniequipamentos da Case CE. “Além disso, ainda não existem muitas restrições ao uso de máquina desse porte nos centros urbanos, o que não ocorre na Europa e na Ásia, onde os espaços são escassos e restritos.”

Na mesma linha, o diretor comercial da Volvo CE Latin America, Gilson Capato, observa que a predileção por um ou outro tamanho depende das particularidades de cada mercado, o que envolve questões culturais e até mesmo físicas. “Na Europa, por exemplo, utiliza-se mais as escavadeiras compactas e as minicarregadeiras, porque há restrições do espaço físico”, diz ele. “Além disso, há legislação específica de trânsito para essas máquinas menores. Assim, trata-se mais uma questão de porte e facilidade para locomovê-las dentro da cidade, o que é mais comum em países desenvolvidos.”

Na Ásia, por exemplo, há tempos a preferência geral do mercado é pelo conjunto compacto. “É muito comum alguém ir para a Coreia do Sul, por exemplo, e não cruzar com uma retroescavadeira sequer”, diz Felipe Cavalieri, presidente da BMC-Hyundai. “Também é muito frequente andar pelas ruas de Seul e deparar-se com uma miniescavadeira R55W circulando pelas ruas. Mas é importante salientar que elas sempre estão equipadas com engate rápido e carregaram um jogo de acessórios e caçambas de diferentes tamanhos.”

Quanto às retroescavadeiras, o executivo ressalta que – além da questão de espaço – é o custo e a versatilidade nas operações que fazem com que essas máquinas tenham ampla preferência não só no Brasil, como também na América Latina. “A escala de produção dessa família de equipamento no país é uma das maiores do mundo, enquanto as minis sequer são produzidas aqui”, enfatiza. “Logo, o aspecto cultural também é muito forte.”

PREFERÊNCIA

Gerente de marketing de produto da New Holland Construction para a América Latina, Marcos Rocha alinha outra forte razão para explicar a preferência por retroescavadeiras no Brasil. Para ele, essa predileção ocorre muito pelo fato de esse tipo de máquina ser mais versátil, com grande capacidade de carregamento, elevação e escavação, além de locomoção. “Nesse sentido, é importante lembrar que, após ser emplacada, a máquina pode transitar em vias públicas sem problemas”, diz ele. “Outro ponto importante a favor desse equipamento é a possibilidade de fazer as duas funções, ou seja, escavar e carregar. Isso conta muito, principalmente no nosso país, no qual o proprietário muitas vezes é também quem opera e executa o trabalho.”

Ponto para as retroescavadeiras, portanto. Porém, de acordo com Freitas, da Case CE, quando há restrição de espaço, limitações de altura, largura ou mesmo restrição de peso, a combinação de miniescavadeiras com minicarregadeiras leva clara vantagem, devido principalmente às suas dimensões e pesos reduzidos. Para justificar, ele cita operações no interior de galpões pequenos ou baixos, embaixo de estruturas, locais com portão de acesso reduzido e obras em hipercentros. “A retroescavadeira é mais indicada para obras em locais abertos ou que exigem maior alcance, maior profundidade de escavação ou deslocamentos maiores”, compara. “Além de ter dimensões maiores, ela pode se locomover em velocidades superiores.”

Até aqui, o empate é justo. Mas a preferência pelas retroescavadeiras no Brasil pode ser traduzida em números, o que dá bem a ideia da nossa realidade. Segundo Freitas, em 2015 essas máquinas representaram 26,4% das vendas de equipamentos de construção no país, ou mais de um quarto do total. “E a Case é líder absoluta desse segmento, com 27% do mercado”, garante. “Já a soma das vendas de minicarregadeiras e outras máquinas da chamada linha light, como manipuladores telescópicos, miniescavadeiras, midiescavadeiras, pás carregadeiras compactas, empilhadeiras e carregadeiras de esteira compactas, atingiram juntas 12,3% do total.”

O fato de cada tipo de equipamento ter aplicações próprias e, assim, ser mais indicado para uma ou outra obra, torna difícil fazer uma comparação crível entre as produtividades e respectivas relações de custo/benefício. “Comparar o uso de um conjunto de compactos com o de uma retro é inviável”, diz Cavalieri, acrescentando, no entanto, que a miniescavadeira leva uma grande vantagem na agilidade de escavação e no carregamento, muito em função do giro e do posicionamento do caminhão.

Por outro lado, em áreas alagadas do Sul do país, por exemplo, a retroescavadeira tende a ser mais indicada devido à sua capacidade de sair e entrar no canteiro, sem ficar atolada. “A minicarregadeira leva vantagem na flexibilidade de acessórios e agilidade operacional”, acrescenta. “Vassoura, garfo e guincho, entre outros acessórios, tornam a máquina aplicável a diversas situações da obra. A minicarregadeira também leva vantagem pela sua dimensão e espaço necessário para trabalhar.”

AGILIDADE

Ou seja, não há consenso na questão. Para Anderson Oliveira, supervisor de vendas da Yanmar para o Brasil, a escolha depende da situação e da obra em que o equipamento será usado, retomando o argumento espacial que vimos no início desta reportagem. “Isso depende muito da região do trabalho”, explica. “Por exemplo, nas grandes cidades, a tendência é a utilização do conjunto miniescavadeira mais minicarregadeira, mas em regiões menos urbanizadas ainda prevalece o conceito da retroescavadeira.”

De acordo com ele, como comparação pode-se destacar que o conjunto ganha em agilidade no trabalho, podendo desenvolver as duas atividades simultaneamente, além de – o que acresce um ponto ao debate – as máquinas poderem ser locadas separadamente, dependendo da necessidade do locador. “A miniescavadeira, por ter melhor relação de custo/benefício, é mais eficiente, pois permite maior produção com menor consumo”, assegura.

Como se vê, a briga é boa. Segundo Diego Butzke, gerente de produtos da JCB do Brasil, a produtividade e a adequação de uma máquina depende de vários fatores, mas na comparação proposta, a retroescavadeira se sai melhor em áreas com grande volume de trabalho, enquanto a miniescavadeira certamente terá desempenho melhor quando ocorre limitação de espaço. Quando aos custos, diz ele que, de maneira geral, trata-se de um ponto relativo. “Em alguns casos, os valores da não realização de uma operação, ou mesmo quando essa é conduzida de maneira ineficiente, geram custos mais elevados do que adquirir o equipamento ideal para determinado trabalho”, explica.

Já Rocha, da New Holland, lembra outra questão pertinente quanto à comparação entre as máquinas multifuncionais e as compactas. Segundo ele, o conjunto minicarregadeira mais miniescavadeira e a retroescavadeira possuem a mesma finalidade, mas têm características diferentes e, desse modo, trabalham cada um a seu modo. “Podemos dizer que são produtos concorrentes substitutivos, mas isso não significa que brigam pelo mesmo cliente”, explica. “A retroescavadeira possui acesso a financiamento pelo Finame, utiliza apenas um operador, tem movimentação facilitada, capacidade de trabalhar em inúmeras aplicações, garantindo grande produção.”

Por isso, segundo ele, esses são apenas alguns fatores que fazem com que a retroescavadeira seja um equipamento consagrado no mercado brasileiro. “Sem falar que é uma máquina amplamente conhecida por mecânicos, operadores e gestores de obras, facilitando o dia a dia da operação”, acrescenta o especialista.

Mesmo concordando que a posição de liderança da retroescavadeira é algo inquestionável, Rocha pondera que o conjunto minicarregadeira mais escavadeira compacta ainda é uma solução muito nova no mercado nacional, mas que já é perceptível uma valorização crescente dos compactos por parte de operadores e mesmo chefe de obras. “Outro ponto positivo é que, por terem sistema de engate rápido e fluxo hidráulico auxiliar, as máquinas compactas permitem a utilização de uma gama muito grande de implementos, podendo assim trabalhar em diversas aplicações que necessitam muito mais que caçamba e concha, aumentando muito a versatilidade na operação”, explica. “Claro que essas máquinas ainda são todas importadas e, por isso, não possuem acesso ao Finame, mas oferecem custo inicial e operacional interessantes, além de conseguirem acessar locais confinados em obras civis, por exemplo.”

Por serem importadas, aliás, o volume de suas compras pode oscilar conforme as variações da cotação do real frente ao dólar. “O câmbio é um fator importante que pode ajudar ou prejudicar as vendas de compactos”, diz Rocha, fazendo coro a Butzke, da JCB do Brasil, que lembra que os maiores fabricantes de minis, incluindo a sua empresa, ainda importam seus equipamentos. “Com certeza, a variação do câmbio afeta a migração de clientes para essa linha de produtos”, diz ele. “Apesar disso, é dada como certa a expansão desse mercado no país nos próximos anos.”

TENDÊNCIA

Além das aplicações, também há algumas diferenças na operação entre as máquinas maiores e as minis, assim como na manutenção. Em uma retroescavadeira, o operador trabalha em uma atividade de cada vez, seja ela a escavação ou o carregamento, enquanto com o conjunto minicarregadeira mais miniescavadeira é possível operar ao mesmo tempo, pois são equipamentos independentes. Por exemplo, em uma obra em que a miniescavadeira trabalha escavando dentro de um local fechado, a minicarregadeira segue retirando o material acumulado e colocando-o no devido local.

Mas Freitas lembra outras diferenças. A retroescavadeira, por exemplo, quando está utilizando o implemento traseiro, tem uma produtividade similar ao de uma miniescavadeira com peso operacional entre cinco e seis toneladas. A caçamba frontal da retro, no entanto, tem capacidade superior à de uma minicarregadeira e, além disso, pode se locomover mais rápido. “Assim, na operação de carregamento, a máquina maior tem produtividade superior”, diz. “Mas há de se considerar que as compactas podem executar trabalhos distintos ao mesmo tempo, enquanto a retroescavadeira só utiliza um implemento por vez. Nesse caso, a soma do material movimentado pela dupla compacta será superior.”

Em relação à manutenção, aliás, Oliveira, da Yanmar, diz que a grande diferença quando se tem um conjunto como o da miniescavadeira mais minicarregadeira é que se um deles quebra (ou fica parado para revisão) é possível seguir trabalhando com o outro. “Mas se a retroescavadeira necessita de manutenção, a operação de escavação e de carregamento tem de ser interrompida”, comenta. “Assim, quando se aplica um conjunto, apenas uma das operações para, enquanto a outra pode continuar a ser feita normalmente.”

Tudo levado em conta, o setor acredita que a participação dos equipamentos compactos no mercado brasileiro tende a crescer. E outro fator que tem grande peso nessa tendência é a questão da mão de obra. “Aqui, vender mais ou menos desse tipo de máquina menor tem relação direta com a mão de obra, que ainda é barata no Brasil”, explica Capato, da Volvo. “Por isso, compensa investir nesse tipo de produto para fazer a obra e não contar com trabalho braçal, pois muitos serviços ainda são feitos manualmente. Então, há sim uma tendência de crescimento.”

Esta também é a expectativa de Freitas, da Case CE, para quem os compactos terão uma representatividade cada vez maior no mercado brasileiro de construção. “À medida que a segurança do trabalho evolui, restringindo cada vez mais o uso de recursos humanos em atividades de risco à saúde do trabalhador, a utilização de equipamentos compactos tende a ganhar cada vez mais espaço nos canteiros de obra, na agricultura, pecuária e paisagismo, entre outros segmentos”, acredita. “A crescente restrição de circulação de caminhões pesados nos grandes centros urbanos também contribui para o aumento da demanda por máquinas da linha leve. Em países mais desenvolvidos, como nos EUA e na Europa, as minicarregadeiras e miniescavadeiras já representam uma grande fatia do setor de equipamentos de construção e estão presentes em todos os segmentos.”

Seja como for, Capato alerta que não é correta a ideia de que para substituir uma retroescavadeira é preciso ter os outros dois equipamentos, ou seja, miniescavadeira e minicarregadeira. “Não é assim que funciona na prática, depende muito da aplicação”, reitera. “As duas minis não vão substituir uma retro. A questão é o que se quer e o que se necessita da máquina.” De acordo com ele, uma miniescavadeira de fato é muito mais eficiente e eficaz do que uma retroescavadeira. Mas se na obra tiver que abrir vala, carregar, se locomover rápido na rua, isso não é feito com facilidade com uma miniescavadeira ou miniescavadeira de esteira, mas com uma de rodas. “São todas essas variáveis que definem quais equipamentos devo utilizar, mas não é correto imaginar que se eu não vou vender uma retro, tenho de vender duas minis para o cliente”, conclui.